5 DICAS PARA ESCREVER SEU PRIMEIRO LIVRO | Escrita criativa para iniciantes

Esse artigo é para você quê está com dificuldade para escrever seu primeiro livro e precisa de uma ajudinha extra, ou um empurrãozinho, sabe?! Aqui eu vou dar dicas que eu gostaria de ter recebido quando eu comecei e que eu tenho certeza vão facilitar a sua vida como escritor.

Vamos lá?

ESCRITA CRIATIVA PARA INICIANTES

A idéia desse artigo é trazer algumas dicas que vão te ajudar ali no inicio do seu processo de escrita de um livro. Eu já escrevi um artigo onde eu dou um passo a passo que você pode usar para construir um livro do zero (vou deixar o link aqui). Esse passo a passo é muito prático, já no artigo de hoje eu vou falar um pouco de conceitos um pouco mais abstratos que vão te ajudar a colocar todo aquele passo a passo em prática.

Então esses dois artigos funcionam muito bem juntos, lê esse aqui e depois vai ler o outro.

Eu como escritora estou sempre buscando formas de melhorar a minha escrita, tanto que já fiz muitos cursos e tento passar tudo que eu aprendi para o papel. Eu sei que tem muito conteúdo sobre isso online, o que é ótimo pois podemos sempre estar em contato com dicas que vão elevar o nosso conhecimento sobre escrita. Quando eu comecei a escrever meu primeiro livro eu não sabia de absolutamente nada sobre escrita, então comecei a ler muitos livros teóricos como Para ler como um escritor da Francine prose, Escrever ficção do Assis Brasil, Oficina de escritores do Stephen Kosh, e A Jornada do Escritor do Cristopher Vogler. E foi com esses livros que eu estruturei meu primeiro livro. Mas muitas coisas a gente só aprende colocando a mão na massa.

Então, eu vou te contar aqui algumas dicas que vão facilitar a escrita do seu primeiro romance, pra você não se desesperar e conseguir tirar esse livro do papel!

Mas antes de começarmos já deixa seu like, da seu joinha, compartilha com os amigos, isso é de grande ajuda para nós criadores de conteúdo!

5 DICAS PARA ESCREVER SEU PRIMEIRO LIVRO

1) Estruture seu livro | escolha algum tipo de estrutura

O que eu mais penei foi para estruturar a minha história, eu realmente não sabia como fazer quando eu comecei. Sentei para escrever, saiu algumas páginas e eu fiquei pensando para onde ia a história, o que aconteceria depois e para onde aqueles parágrafos me levariam. Por sorte eu estava lendo A jornada do escritor do Vloger e foi esse livro que me ajudou a estruturar o meu romance. Eu peguei todas as etapas e fui construindo os passos das personagens. Em cada etapa eu escrevi um pequeno resumo do que aconteceria ali, e assim eu vi a história completa, o que facilitou a construção de todo resto.

A estrutura não é fechada e você pode mudar os acontecimentos ao longo da narrativa. E se eu mudo algo na história enquanto escrevo vou lá na estrutura e coloco uma marcação de que algo mudou, para depois conseguir checar tudo.

Você não precisa usar apenas a jornada do herói, existem diversos tipos de estrutura, como a poética de Aristóteles, a jornada da heroína, a história em três atos. Você também pode reproduzir a estrutura de algum livro ou filme que você goste. A infinidade é gigante e eu vou trazer artigos inteiros sobre cada uma desses estruturas, então segue o blog para receber mais informações.

2) Personagem e trama caminham juntos

Pronto, você escolheu a estrutura que mais te agrada, estudou elas e colocou todos os acontecimentos no lugar certo. Agora você tem que pensar no personagem, porque muitas vezes quem carrega a trama são os personagens, não tem como você encaixar personagens em tramas. Um personagem super indisciplinado não vai se tornar um campeão olímpico. Pois campeões olímpicos precisam de disciplina. Seu personagem tem que estar condizente com a trama e muitas vezes você vai mudar a trama por conta do seu personagem. Ou vai descobrir coisas em seu personagem que fazem muito sentindo dentro da trama.

Você pode fazer um esboço do seus personagens (Tenho um artigo só falando sobre personagem aqui no blog. Vou deixar o link aqui) para depois colocar ele na trama e ver como ele vai reagir nas situações que lhe foram impostas. Você também pode se perguntar o que o seu personagem quer, em contraste ao que ele precisa, e ver como ele reagiria se não conseguisse nenhum dos dois.

Uma dica interessante, nesse momento de construção de personagem é escrever um monologo interno de cada um de seus personagens. Mesmo que a história seja em terceira pessoa faça esse teste, escreve uma ou duas páginas do ponto de vista do seu personagem e perceba seus maneirismos, suas vontades e como ele vê o mundo.

3) Qual será o progresso da sua história?

Você tem a estrutura e tem os personagens, já sabe exatamente como eles são e como o quebra cabeça foi montado, certo? Agora você tem que fazer a história caminhar, tem que saber exatamente quais são os pontos de progresso. Serão descobertas misteriosas que levem para o final? Como por exemplo no livro da Natalia Timmerman O copo vazio onde ela vai nos mostrando aos poucos como foi o relacionamento da Mirela com o cara que deu um ghosting nela enquanto intercalava o passado com o presente da narrativa, então, as descobertas que fazíamos desse passado fazia com que a gente continuasse lendo sobre o presente.

Diferentemente em Harry Potter a história mantinha uma linearidade. As descobertas nos levavam para frente e nunca voltavam para trás. Ou será como Senhor dos Anéis? Onde vemos o progresso dos personagens de acordo com o mapa e os lugares que eles passavam, nos mostrando assim uma narrativa de viagem.

Você tem que escolher o ritmo das descobertas e como isso estará marcado no texto. De qualquer forma essa não precisa ser uma escolha fechada e certinha. Por exemplo estou escrevendo um livro (e eu sempre falo dele aqui, todos os meus diários de escrita são sobre ele) que tem uma linha do tempo considerada linear, mas para a personagem que viaja no tempo é linear. Você pode brincar, mas saiba o que está fazendo e coloque isso na estrutura.

4) Escreva todos os dias mas dentro do seu limite

Acho é que muito é muito importante você trabalhar no seu livro todos os dias, não precisa ter um tanto de palavras obrigatórias, nem se forçar para escrever quando algo simplesmente não sai. Escrever um livro é difícil e vai requer muito do seu cérebro, sério, quando passo um dia inteiro escrevendo eu me sinto esgotada. Mas a gente quer escrever, não quer? Então temos que saber que vai ser difícil.

Então, se proponha a escrever um pouco por dia, para não esquecer ou deixar a sua história de lado, mas não se preocupe com o número de páginas ou palavras. Foque no que você sente no momento, sabendo que aquilo é um trabalho que tem que ser feito mas que também te traga prazer.

Além de inspiração você tem que ter paciência e só com isso você vai conseguir escrever um livro até o final.

5) Pare de editar seu livro desesperadamente

Eu sei que você se cobra muito e que na maioria das vezes você acha que o que escreve está muito ruim. Eu sou assim também e morro de vontade de correr e editar tudo, mas isso é ruim para o seu progresso na escrita. Em um primeiro momento você tem que escrever sem editar, sem voltar, sem reescrever. Você só escreve, sem olhar para trás.

Muitas pessoa dizem que você tem que escrever o livro inteiro sem editar mas eu não gosto dessa forma de lidar com o texto, para mim é impensável deixar as frases de qualquer jeito e depois arrumar tudo. Então, o que eu faço é: escrevo um capitulo inteiro sem editar, sem olhar para trás, escrevo rápido mesmo, deixo a história fluir pelos meus dedos, inclusive saem coisas que eu não esperava e até que eu não sabia, depois, no dia seguinte, depois de escrever o capitulo inteiro eu paro para reler tudo e editar.

Aí eu consigo deixar a história fluir mas sem as construções de frases descuidadas. Quando eu pego para editar eu fico chocada como as contrações estão ruins. Eu não sou o tipo de pessoa que escreve perfeitamente bem da primeira vez. Meu cérebro simplesmente não funciona assim, meus pensamentos são um caos. Mas eu também sou extremamente critica com o que eu estou lendo, então quando eu pego pra editar quero arrumar cada palavra. Essa combinação tem me ajudado até agora.

Essas foram as 5 dicas para você escrever seu primeiro livro!

Me conta nos comentários o que você achou, ou se você tem alguma outra dica.

E se você estiver precisando de ajuda com o seu livro, com leitura critica ou para estruturar sua história eu posso te ajudar com isso.

Vamos conversando sobre isso e sobre escrita e literatura

Beijos e até mais!

#3 diário de escrita: Escrita é processo!

Para quem não sabe eu comecei a escrever um livro no fim de 2018 e me embrenhei nessa construção durante toda a pandemia. Terminei de escrever o primeiro esboço no fim de 2020 e percebi que por mais que eu tivesse um livro inteiro em mãos, eu ainda tinha muito o que aprimorar. 

Tanto que nunca coloquei esse livro no mundo, sabia que ele ainda não estava pronto. 

Fiquei insegura com as possíveis reações contrárias. 

Fiquei com medo de que não vendesse. 

Não queria passar vergonha no meio literário com uma obra inacabada. 

Então, engavetei. 

Guardei, não para me esconder atrás dele e sim para estudar e melhorar, para que enfim ele ficasse o mais próximo de bom que eu pudesse. Foi aí que eu decidi começar a pós graduação no Instituto Vera Cruz e depois de um ano lendo e relendo os meus textos, e dos meus colegas, eu decidi começar um segundo livro. Isso mesmo, sem ter finalizado o primeiro. Confesso que eu não gosto de praticar a mesma atividade por muito tempo e precisava trocar, começar do zero, sabe? Eu não deixei aquele primeiro livro de lado, ele será trabalho e retrabalhado, tenho pensado muito nele ultimamente e nas novidades e aprendizados que eu posso trazer na sua construção. Mas me embrenhei em uma história nova e divertida. 

Escrevo todos os dias, alguns mais, outros menos, não no ritmo que eu gostaria, mas no ritmo que meu corpo e minhas outras atividades permitem. Quando eu comecei a respeitar o meu processo criativo e as minhas vontades em relação a projetos artísticos tudo saiu com mais fluidez. Eu ainda tenho que escrever esse livro em um ano, e entregá-lo em abril de 2023, mas agora tento confiar no processo e aceitar as minhas próprias vontades e limitações.

COMO ESCREVER UM LIVRO INCRÍVEL | 8 passos para estruturar a sua história com 4 dicas de escrita criativa

Nesse post eu vou te guiar para a construção de uma história forte! Esse passo a passo vai funcionar para você escrever um livro inteiro do zero. No fim você vai conseguir enxergar melhor como você pode estruturar sua história e já começar a escrever.

No final eu vou dar de presente pra você um bônus de 4 dicas de escrita criativa pra colocar esse Guia em prática de uma forma inteligente, ta bem? Ta bem!

Vamos comigo?

Esse vai ser um post bem parecido com aquele que eu trouxe 10 dicas de escrita que mudaram a minha vida algumas semanas atrás. Onde eu apresentei as dicas mais inspiradoras do livro da Natalie Goldberg, Escrevendo com a Alma, com três exercícios de escrita para você desbloquear a sua escrita.

Já nesse post eu vou falar sobre um outro livro que eu li e amei, inclusive falo dele no meu segundo diário de escrita, que é Palavra por Palavra da Anne Lammot. Esse livro não foi leitura obrigatória da pós (para saber tudo sobre a pós clique aqui) como foi o livro da Natalie Goldberg, ele apareceu para mim quando eu conversava com uma amiga que também escreve e me indicou. Foi muito difícil achar na Amazon e no estante virtual, era um livro com a edição esgotada, e os preços estavam muito altos, tipo R$150, R$200 reais por um livro! Então, eu coloquei na minha lista da Amazon e ficava vendo se aparecia por um preço aceitável. Às vezes as livrarias colocam seus estoques lá na Amazon para vender. Um dia eu encontrei ele por R$49,9 e comprei sem pensar. Recentemente eu vi que tem a versão para Kindle por R$ 22 reais, mas na época que eu comprei não tinha. (Se quiser comprar essa versão com o meu link e ajudar o Rumo ao Farol clique aqui)

Anne Lamott

Eu gostei bastante dele, porque traz dicas muito boas sobre escrita. A Anne é muito sincera em relação ao seu processo de escrita e ela conta tudo nesse livro: todas as suas frustrações, seus medos e sua experiência de décadas escrevendo e ensinando a escrita. Diferente da Natalie, a Anne (inclusive ela cita a Natalie nesse livro) quis trazer um passo a passo para você escrever uma boa história. O livro é dividido em cinco partes, a primeira é para você estruturar bem a história. A segunda é para você colocar sua cabeça no lugar em relação a escrita. A terceira parte é sobre os apoios que você pode precisar ao longo da escrita. A quarta parte é sobre a publicação, e acho que a gente sempre fica ansioso por isso né? A última parte é sobre a finalização do livro.

Aqui nesse post eu decidi focar na primeira parte, pra te ajudar a estruturar a sua história. Mas eu também vou trazer as dicas presentes nas outras partes no final do guia. Então, esse vídeo vai ser dividido em duas partes, a primeira o passo a passo, e a segunda as dicas, lembrando que todas coisas se convergem, então leia até o final!

Passo a passo para estruturar a sua narrativa e escrever um livro incrível

1) O esboço é uma criança

Você vai achar que esse primeiro passo atropela os próximos. Mas ele é bem simples: você tem que começar a escrever. Não importa se você ainda não tem nada estruturado, você precisa fortalecer a história dentro de você. Precisa encontrar o caminho que você quer seguir, sabe? Eu to passando por isso, e quem assistiu meu segundo diário de escrita sabe que eu tenho uma história até que estruturada, mas eu só consegui enxergar o que eu realmente queria quando eu comecei a escrever.

Então, você pode estruturar sua história antes de começar a escrever, mas eu sugiro que você escreva algumas páginas antes. Pode ser seis ou sete, não muitas, para você ver para onde a história vai. Por isso dizemos que o esboço é uma criança, ele vai ser um tanto infantil no começo e você tem que deixar ele assim. Para depois ir amadurecendo, entende? Faz sentindo? Me conta nos comentários se isso faz sentindo.

Coloque tudo que está na sua cabeça nessas primeiras páginas. Esse primeiro esboço é um semeador, é quando você coloca a sua plantinha para nascer. Ele não vai estar perfeito, pois escrever um livro é uma construção diária. Lembre-se o esboço é uma criança e você vai ter que educar ela para se tornar um bom adulto.

2) Deixe o perfeccionismo de lado

O segundo passo é entender que o perfeccionismo é seu maior inimigo. Esses dois primeiros passos parecem dicas, né? Mas eu estou dizendo isso agora porque acho muito importante que a gente pare de se julgar antes de começarmos a escrever. A bagunça e a confusão são coisas extremamente férteis.

Entenda que você não vai acertar de primeira, grandes escritores ficaram anos trabalhando em suas histórias. Eu quero que você tire da sua cabeça a preocupação de escrever algo bom, até porque esses primeiros esboços não serão vistos. A Anne diz que o perfeccionismo é igual a músculos contraídos, a gente não percebe que eles estão daquele forma mas eles nos impedem de nos soltar. Quando o perfeccionismo está presente ele nos restrigem e nos preocupa.

Então, deixe o perfeccionismo de lado antes de começar a escrever.

3) Pense no terreno emocional dos personagens

Agora a gente vai colocar a mão na massa! Você vai começar criando seus personagens. Eu fiz um post com dicas para criar um personagem mais complexo, vou deixar aqui o link se você quiser ler, ou assistir. Primeiro eu tenho que dizer que construir um personagem leva tempo! Você vai descobrindo aos poucos sobre cada um deles, como eu disse no primeiro passo, você está descobrindo uma nova história com novos personagens, então vai ser um processo longo e demorado.

E a primeira coisa que você tem que pensar é sobre o terreno emocional do personagem e como ele cuida desse terreno. Eu sei que está um pouco abstrato mas estamos falando de emoções, e emoções são sempre abstratas. Como ele cuida e percebe suas próprias emoções? O que ele sente? O que ele viu quando criança?

Eu vou deixar algumas perguntas perguntas que você pode responder sobre o seu personagem para trazer clareza sobre seus sentimentos.

  1. Você consegue ver a aparência de seu personagem?
  2. Qual é a primeira impressão que causam?
  3. O que consideram mais importante do que qualquer coisa no mundo?
  4. Quais são seus segredos?
  5. Como ele se mexe?
  6. Que cheiro ele têm?
  7. Todo mundo caminha como se fosse uma propaganda de si mesmo – então, quem é esse personagem?
  8. Como seu personagem descreveria suas circunstâncias atuais para um amigo intimo?

Enfim, você vai ter que visualizar esse personagem em diversos cenários e eles vão ser parte central da história.

4) Crie um narrador agradável

A gente pode falar de diversos aspectos da narração, que pode ser em primeira pessoa, em terceira pessoa, ou em segunda pessoa. Pode ser um narrador personagem, ou um narrador onisciente. Se você quiser saber mais sobre esses aspectos deixa nos comentários que eu posso preparar um post só sobre isso. Aqui falaremos de aspectos mais gerais da narração.

A Anne Lamott diz que o narrador tem que ser agradável, como um grande amigo, o leitor tem que empatizar com ele, tem que gostar da sua compainha e querer saber suas opiniões. E ele também tem que ter defeitos que se relacionem com quem está lendo. Seus defeitos são oq os tornam agradáveis, seu auto engano, sua procrastinação, a obscuridade, o ciúmes, a compulsão. Acho que isso vale tanto para personagens quanto para os narradores, e quando é um narrador personagem a coisa se intensifica. Ninguém é perfeito e seu narrador também não precisa ser perfeito.

Assim como seus personagens o seu narrador tem que ser complexo e você tem que pensar nele como uma pessoa real, com suas qualidades e defeitos.

5) A trama nasce do personagem

A Anne diz que se você escrever personagens inspirados em duas pessoas que você conhece algo vai acontecer. A trama é criada em cima dos personagens e não ao contrário, porque os personagens não são peões que trabalham para trama, eles são o centro da trama. Descubra qual é a coisa mais importante do mundo para cada personagem e assim saberá o que está em jogo, e isso vai criar tensão, fazendo o leitor virar a página.

Sabendo o que está em jogo você vai ter que mostrar ações e sentimentos que indiquem essas questões. Leve seu personagem a questionar, a colocar os pés pelas mãos e viver a vida. Assim você vai criar o drama, e isso prende o leitor. A fórmula básica do drama é introdução, desenvolvimento e desfecho. A introdução nos diz o que está em jogo. O desenvolvimento é onde a história se movimenta. e o desfecho responde às perguntas: Por que estamos aqui? O que você está tentando revelar?

A trama vai se encaixando ao longo dos dias enquanto você conhece seus personagens e ouve o que eles pedem, é um pouco abstrato eu sei, por isso voltamos ao passo 1, você tem que escrever para entender pra onde a história caminha. Faça a história caminhar para frente, escreva!

Agora cito John Gardner que disse que o escritor cria um sonho no qual convida o leitor a entrar e esse sonho deve ser vívido e continuo.

Isso mesmo, o sonho deve ser vívido e continuo.

6) Leia diálogos em voz alta

Acho que essa é uma das partes que eu mais tenho dificuldade, criar diálogos convincentes. Escrever diálogo é uma arte e na minha opinião uma das coisas mais difíceis de acertar, então você vai ficar um tempinho criando eles, porque eles não podem ser perfeitinhos mas também não podem ser esdrúxulos, é uma linha muito tênue entre a palavra escrita e a palavra falada. Algumas atitudes poderão te ajudar a encontrar esse equilíbrio. Primeiro você vai ter que prestar atenção no som das palavras! Leia seus diálogos em voz alta. Isso é algo que você pode praticar bastante.

Você também pode sair de casa para escutar como as pessoas falam no mundo lá fora. Preste atenção no as pessoas dizem e edite mentalmente, imagine como essas palavras ficariam no papel. O bom dialogo nos dá a sensação de que estamos escutando uma boa conversa alheia. O curioso é que eu também falo sobre isso no post sobre o livro da Natalie Goldberg, onde dou 10 dicas para você escrever melhor. Um bom diálogo engloba tudo que é dito e o não dito. Além disso o diálogo é a maneira de revelar a verdadeira natureza do personagem. Então se preocupe com isso, mas não se prenda, pois as palavras que saem de nossa boca geralmente nunca são o que realmente gostaríamos de dizer.

7) Arrume o palco

Estamos quase chegando ao fim desse nosso guia (mas fica aqui que ainda tem 4 dicas de escrita criativa), então temos que pensar nos cenários! Onde os personagens estão? Onde a história se desenrola? Você vai ter que reproduzir esse universo. Digamos que você está preparando o palco para os seus personagens entrarem. Essa é a hora de você falar das rachaduras do apartamento, ou da roseira no jardim. Você tem que criar o clima, ver se a luz está boa, se os móveis estão bem polidos.

Os aposentos são as vitrines de seu personagem, eles representam os valores deles e como enxergam a vida. Existem muitos videos aqui no Youtube que mostram casas de acumuladores compulsivos e também de pessoas que tem depressão. A casa da pessoa diz como ela é, então, use isso no seu texto. Crie os cenários que mais tem a ver com seus personagens e sua história.

8) o primeiro esboço ruim

Você seguiu todo esse guia bem direitinho, escreveu tudo que passou pela sua cabeça, construiu personagens interessantes, descobriu a trama, montou o cenário, deixou o perfeccionismo de lado. Agora você tem seu primeiro esboço e ele vai estar ruim. Desculpa dizer isso, mas ninguém acerta de primeira, você vai ter que se dedicar muito na reescrita e nas correções. Toda a boa obra começa com um esboço ruim. Então, você vai ter que editar esse primeiro esboço, e vai exigir ainda mais do seu tempo. E quando você ler esse esboço pela primeira vez você vai ver que tem muita coisa para arrumar. Esse é o momento de ser perfeccionista.

Um amigo da Anne disse que o primeiro esboço é do semeador, é a hora de jogar a ideia no papel. O segundo esboço é o do mecânico: você tenta consertar aquilo e tenta se expressar com mais precisão. E o terceiro esboço é o do dentista: você verifica cada dente para ver se algum está solto, quebrado, cariado ou até mesmo saudável.


Bom, esse foi o guia para você escrever um livro incrível direto do livro Palavra por Palavra da Anne Lamott, mas esse post não termina aqui. Eu prometi 4 dicas de escrita que também estão presentes no livro da Anne. Agora eu vou dar essas dicas para vocês!

4 DICAS DE ESCRITA CRIATIVA PARA ESCREVER UM LIVRO INCRÍVEL

Dica número 1: Escrever um romance é dirigir um carro à noite

E.L. Doctorow uma vez disse que “escrever um romance é dirigir um carro à noite. Você só consegue enxergar até onde a luz dos faróis alcança, mas pode fazer a viagem inteira assim”

E o que isso significa? Significa que você não precisa ver para onde está indo, nem o que está ao seu redor. Você vai trabalhar uma página de cada vez, uma palavra de cada vez, antes de chegar ao seu destino. Você só precisa ter fé que vai chegar lá, porque vai. É só continuar a dirigir, ou escrever, no caso.

Dica número 2: monte grupos de escrita

Durante a sua busca por se tornar um bom escritor você vai encontrar pessoas que querem o mesmo que você ao longo do caminho, e porque não se juntar com essas pessoas? Em busca de apoio, de ajuda, e é claro, troca mútuas de textos e ideias. É muito bom quando você tem um compromisso com alguém toda a semana para poder falar sobre livros e sobre escrita, isso vai te dar animo!

3) A sua própria sensibilidade será sua originalidade

Escrever algo original é muito difícil, pois todas as histórias já foram contadas e todas as palavras já foram ditas. Todas as preocupações e dramas serão reciclados nas histórias através dos tempos. Porém, cada pessoa é única, cada um tem seu próprio senso de humor, sua própria experiência de vida e seu significado pessoal. Você já tem tudo que precisa para escrever uma história original, então olhe bem fundo dentro de você, repare no que você observa, no que você pensa e escreva à partir do seu próprio filtro pessoal.

4) Seu inconsciente não consegue trabalhar quando é pressionado

É sério isso, se você ficar sentada em frente ao computador sofrendo porque não está escrevendo você não vai escrever. Para nós conseguirmos dar continuidade a atividades criativas temos que deixar nosso cérebro respirar, temos que ter momentos de ócio sabe? o famoso ócio criativo: sair para caminhar, meditar, respirar. Pois se você ficar se pressionando para escrever você vai se sentir mal por não estar produzindo e vai acumular estresse.

Bom, esse foi o artigo: COMO ESCREVER UM LIVRO INCRÍVEL | 8 passos para estruturar a sua história com 4 dicas de escrita criativa

Se você gostou do que leu deixe seu comentário! Vamos conversar ❤

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COMO ESCREVER MELHOR | 10 dicas para começar a escrever hoje com três exercícios de escrita criativa no final

Hoje eu vou dar dez dicas de escrita para você começar a escrever hoje! E se você já escreve, essas dicas vão te ajudar a escrever muito melhor. Elas mudaram a minha vida.

E no final eu vou deixar três exercícios de escrita criativa para você já começar a escrever assim que o vídeo terminar.

Essas dicas de escrita criativa que eu trouxe hoje para você estão presentes nesse livro aqui Escrevendo com a Alma da Natalie Goldberg.

Esse livro foi leitura obrigatória na minha primeira aula na pós graduação de formação de escritores. Ele é dividido em muitos capítulos e a Natalie conta sobre sua experiência como uma Zen budista e escritora. Eu achei muito interessante como elas juntou essas duas coisas e trouxe de forma muito divertida nesse livro.

Ela deu muitas dicas de escrita e também propôs diversos exercícios de escrita ao longo da narrativa. Eu li ele inteiro e anotei o que fazia sentido para mim e o que eu achei que poderia fazer sentido tanto para escritores iniciantes, quanto para escritores mais experientes. Então eu fiz esse compilado com as 10 dicas que eu achei essenciais e que eu usei no meu dia a dia e também que me fizeram mudar de pensamento em relação a escrita.

Como eu já disse, fica até o fim que eu vou disponibilizar 3 exercícios de escrita criativa, para você começar a escrever hoje!

COMO ESCREVER MELHOR | 10 dicas para começar a escrever hoje!

1. Escrever não é preparar um hambúrguer do Mc Donalds.

Quando vamos a um fast food queremos a comida o mais rápido possível nas nossas bocas, né? E é muito justo que a gente queira isso, pois essas lanchonetes foram projetadas para entregarem a comida muito rápido. Isso é muito comum na nossa vida moderna, nós temos informações diariamente nos nossos celulares e queremos respostas imediatas para tudo. Mas a escrita é lenta, é devagar, vai requerer muito do seu tempo, sem um retorno imediato.

Essa primeira dica foi muito importante para mim que sou uma pessoa ansiosa que quer tudo para ontem. Estou aprendendo a ser mais paciente e respeitar o meu processo. Sempre que estou desesperada porque não tenho um livro pronto, editado, e publicado depois de três anos escrevendo, eu lembro que a Virginia Woolf levou 7 anos para escrever seu primeiro livro. Inclusive falo disso nos 50 fatos sobre ela, vou deixar o link aqui!

Então, respeite seu processo, você vai terminar o livro na hora que achar que deve. Não se desespere por uma publicação, ou para fazer dinheiro em cima dele. Apenas escreva e pense que você está cozinhando um belo prato de comida de um restaurante chique, ok?

2. Traga detalhes originais para sua história.

Essa é uma tecla que eu bato em todos os meus vídeos com dicas de escrita criativa, você tem que ser específico nas suas histórias, você tem que dizer o nome das coisas sabe?

Por exemplo: você quer escrever sobre o suco maravilhoso que você tomou. Você não vai dizer apenas: “nossa, tomei um suco gostoso”. Você vai dizer: “Tomei um suco de morango com laranja que estava doce e azedo na medida certa e assim que eu tomei senti meu corpo se refrescar.” Entende?

Algo foi maravilhoso, ou terrível? Sim, mas nos deixe provar esse sabor gostoso ou terrível. Crie sensações e detalhes originais e dê nomes a tudo, chega de generalizações.

3. Escrever é 90% ouvir.

Essa é uma dica que escutei nas aulas da pós também. Nós como escritores temos que ser curiosos, temos que estar sempre prestando atenção nas pessoas e em suas palavras. Mas além disso, temos que escutar o barulho da rua em movimento, do vento batendo na janela e das crianças brincando no jardim. A escuta deve ser ativa e sem julgamentos.

Segundo a Natalie Goldberg a audição é receptividade, e quanto mais profundamente ouvirmos melhor vamos escrever. Assimilando as coisas como elas são sem julgamento-las.

PARA VOCÊ SER UM BOM ESCRITOR TEM QUE FAZER 3 COISAS: LER BASTANTE, OUVIR COM ATENÇÃO E ESCREVER MUITO!

Me conta nos comentários se você faz essas três coisas!

4. Fique ao lado da precisão.

Quando começamos a escrever um mundo de diversas possibilidades se abrem diante de nossos olhos. Uma história pode se desmembrar em várias, mas nós temos que manter o foco e sermos precisos naquilo que queríamos fazer desde o início. Claro que podemos mudar de ideia ao longo do caminho isso é comum, mas não podemos mudar de ideia a cada nova possibilidade que a narrativa apresentar.

Foque nos objetivos que você quer alcançar com aquela história, sem cair nas emoções que estão dentro de você e não dentro dos personagens, eu sei que às vezes é sedutor seguir caminhos verborrágicos e colocar nossa opinião ao longo do texto, mas tentemos ser objetivos, cuide dos detalhes e das descrições mas não deixe que elas sejam o foco principal de sua história.

5. Arrisque-se! Só alcança o sucesso quem não tem medo do fracasso

Você sabe que pode escrever sobre absolutamente o que você quiser? Você não precisa de nenhum tema genial e também não precisa se manter fechado na linearidade. Você pode brincar. Pode misturar ideias e frases, pode colocar características malucas nos seus personagens, pode escrever frases sem nenhum tipo de noção.

Quando começamos a escrever temos medo de não seguir o que já foi pré estabelecido e nos perdemos dentro de nós mesmos, então brinque muito antes de focar em algo mais concreto. Escreva textos malucos e se divirta! Seu texto não precisa ser o que esperam de você.

6. O escritor é tudo ao mesmo tempo.

Essa dica é uma espécie de lembrete e é uma das minhas preferidas. Quando eu descobri isso eu fiquei muito feliz e entendi muitas coisas sobre mim. Eu nunca tive certeza do que eu queria ser na vida, na verdade, eu sempre quis ser muitas coisas: cantora, advogada, juíza, estilista, líder de uma banda de rock só de mulheres. Algumas coisas eu tentei, outras não. Mas foi com a escrita que eu descobri que poderia ser todas essas coisas. Eu poderia ser uma arquiteta, uma chefe de cozinha e uma artista plástica de sucesso. Poderia até ser uma viajante no tempo, como estou fazendo no meu novo livro A vida infinita.

E isso não é incrível? Temos que lembrar que podemos ser o que quisermos e depois podemos deixar de ser sem aviso prévio, na escrita podemos criar a vida a nossa maneira. Por isso eu digo que para sermos escritores temos que ser curiosos sobre tudo e termos uma boa bagagem de cultura inútil que em algum momento elas vão servir perfeitamente para algum personagem.

7. Construir frases afirmativas

Eu tenho muito essa tendência de criar frases fracas usando: acho que, acredito que, talvez eu vá. Isso porque eu faço isso na minha vida. Acredito que muitas das coisas que digo passam pelo meu filtro e outras pessoas pensam diferente. Isso se reflete no meu texto, mas essas frases pouco confiantes enfraquecem o texto. Hoje eu tento sempre colocar meu ponto de vista com clareza, tanto na vida real quanto nos meu textos.

Você pode praticar em casa, quantos talvez você usa nos seus contos e histórias? Corte eles, corte as frases que parecem dizer algo e não dizem nada, corte as coisas indefinidas, deixe só as certezas. Só as frases afirmativas. Mas não se preocupe se você ainda usa esse tipo de palavra ou frase, em um segundo momento você pode cortar elas e deixar o texto muito mais forte.

8. A tarefa do escritor é dar a vida ao comum

Você pode achar que sua vida não é interessante, que os assuntos que você gosta não valem à pena serem escritos. Você pode até achar, quando está bem deprimido em relação a sua escrita, que tudo que você escreveu está comum e sem graça. Isso acontece comigo sempre. O que a gente tem que colocar na nossa cabeça é que a nossa tarefa como escritores é colocar graça naquilo que parece absolutamente comum.

Nós temos que aprender a escrever sobre xícaras de café e dias cinzentos. Alfaces podem estar presentes na sua história assim como cenouras. O básico é importante, o dia a dia é importante, então não se preocupe se você escreve sobre coisas comuns, pois são elas que criam conexões.

9. Leia muito.

Bom, essa dica é uma daquelas universais. Se você quer escrever um romance realista tem que ler muitos romances realistas, se quiser escrever contos de terror tem que ler muitos contos de terror. Não tem segredo, você tem que estudar o que já foi feito antes. É muito comum encontrar escritores que não querem ler, ou que leram pouco, e isso é um erro que muitos escritores cometem. Eu vejo isso nas aulas da pós, os colegas que leram mais tem textos melhores. É só com a leitura que aprendemos a escrever, porque é assim que vemos o que funciona e o que não funciona, o que nos inspira e o que devemos deixar de lado.

Por isso digo para você ler muito daquilo que você quer escrever, eu, por exemplo, estou escrevendo um livro sobre viagens no tempo, então, tenho que ler o máximo possível de livros que falem sobre viagens no tempo e ficção cientifica. Eu confesso que não estou fazendo isso, o que é um grande erro meu e inclusive, hoje mesmo vou começar a ler algum livro que esteja dentro dessa categoria. Então, leia muitos contos se você quer escrever contos, leia muitos ensaios se você quer escrever ensaios, e leia muitos romances de formação se você quer escrever um romance de formação.

10. Não é bom começar um livro e depois parar.

Acho que essa é uma dica importante para a vida! Se começar algo vá até o fim. Eu enfrentei esse problema ao longo de toda a minha vida, sempre fui de desistir fácil. Já comecei diversos blogs e nunca dei continuidade a nenhum, começava animada em vários empregos e depois de sete meses já estava louca para ir para outro. Isso impediu meu crescimento e minha consolidação em diversos setores da minha vida. Mas com a escrita foi diferente, quando escrevi meu primeiro livro eu decidi que iria até o final. Decidi que não desistiria, assim como o canal no Youtube, a página no instagram e esse blog. Porque é isso que eu quero para minha vida, quero crescer no digital, quero ser uma escritora publicada, então não vou desistir.

Então, se você realmente quer ser um escritor e começou um livro mas está pensando em parar não faça isso! Continue até o fim, mesmo que você esteja odiando ele. Termine. Depois pense em corrigir e editar. Mas se você tiver diversos rascunhos começados e nenhum terminado, você não vai ter nada, só muitas ideias com um começo e sem um fim e isso se torna um hábito. Se você não terminar seu primeiro esboço por mais horrível que seja você nunca vai escrever algo bom. Infelizmente, é assim que funciona com tudo na vida e aos poucos eu estou aprendendo a não desistir, espero que você vá até o final também.

Se você está com dificuldade para escrever seu primeiro livro vou deixar um link aqui onde eu te ensino um passo a passo para você escrever seu primeiro livro!

Bom, essas foram as dicas que eu tinha para dar para vocês, elas foram muito esclarecedoras para mim e espero que você tenha gostado, me conta nos comentários o que você achou.

Três exercícios de escrita criativa para você desbloquear a escrita e começar a escrever hoje!

Primeiro eu vou citar as sete regras de escrita criadas pela Natalie Goldberg e você vai seguir essas regras durante os três exercícios. Essas regras e os exercícios que eu trouxe hoje foram pensados para você soltar suas mãos, sabe? Para você conseguir escrever do zero. Então, é ótimo para quem nunca escreveu ou para quem escreve pouco no dia a dia. É para você colocar a mão na massa e sentir o gostinho da escrita. Funcionam também para escritores de todos níveis, eu inclusive faço isso quando estou com algum texto emperrado, me ajuda a desbloquear a escrita.

Você pode fazer em um caderno, a Natalie Goldberg recomenda que você tenha um caderno só para isso, mas eu costumo escrever no computador mesmo, no word, ou no bloco de notas, vai de você, o que preferir. Acho que no caderno você vai acumular mais material, o que é ótimo para quem está começando.

Bom, as seis regras de escrita que vieram direto do livro Escrevendo com a alma da Natalie Goldberg, são:

  1. Mantenha a mão em movimento. Não pare para reler a linha que acabou de escrever. Isso é retardar e tentar controlar o que você está dizendo.
  2. Não rasure. Isso é editar enquanto escreve. Mesmo que escreva algo que não pretendia escrever, deixe como está.
  3. Não se pretenda a ortografia, pontuação, gramatica. Tampouco se prenda às margens ou às linhas da página.
  4. Solte o controle.
  5. Não pense. Não tente ser lógico.
  6. Pegue na veia. Se surgir algo muito forte ou muito chocante no seu texto, mergulhe fundo. É provável que ali exista uma grande fonte de energia.

É muito importante respeitar essas regras porque elas vão acabar com a censura e a vontade de escrever direitinho que existe dentro de você. É uma forma de deixar o medo de lado e escrever, entende? Escreva sem pensar muito.

  1. O primeiro exercício é bem simples, você vai escrever sobre a luz que está entrando na sua janela, é dia? É noite? A luz é amarela, ou azul? O que ela te provoca? E não se preocupe se está de noite e nem uma luz está entrando, você pode inventar essa luz e o que você vê nela. Ok?
  2. O segundo exercício vai começar assim: você escreve em uma folha em branco EU ME LEMBRO e depois continua, deixa fluir. Pode contar tudo que vem em sua mente e não importa se a coisa aconteceu ontem ou vinte anos atrás, conte tudo exatamente como você se lembra. Faça isso por dez minutos, se por acaso você emperrar e não conseguir dar continuidade aquela lembrança que você iniciou o texto, pode começar de novo com EU ME LEMBRO até dar os dez minutos total.
  3. O terceiro exercício é a resposta para a pergunta: QUAIS SÃO SEUS SONHOS MAIS ÍNTIMOS? E além de narrar isso você também vai entender um pouco melhor sobre si e sobre o que você quer na escrita, o que você quer sobre o seu futuro no geral. Escreva sobre o que você mais deseja. Pode fazer isso por cinco minutos.

Bom, esses foram os exercícios, e se você quiser me contar nos comentários sobre o que você escreveu, sobre o que achou dessa experiência, pode ir lá. Se quiser deixar o textinho que você escreveu nos comentários também, posso comentar um pouco sobre eles, tá bem?

Espero que tenha gostado dessa experiência e em breve teremos um curso completo de escrita criativa para você.

AUDIO LIVRO VALE À PENA? Minha experiência com audio books! o app STORYTEL é bom? Audible, Ubook, etc

Eu tenho escutado muitos livros ao invés de ler eles! Escuto quando estou dirigindo, escuto quando estou na academia, escuto quando estou trabalhando.

Nesse artigo vou falar um pouco sobre a minha experiência com áudio livros. Audio book vale à pena?

Bom, faz alguns meses que eu descobri o Storytel, minha prima Juliana postou que tava escutando os livros do Harry Potter em inglês e fiquei muito curiosa. Ela me disse que aquilo estava ajudando ela a conhecer mais livros quando não tinha tempo para ler. E eu estava em um momento em que era muito difícil ler também, minha cabeça não ocava nas palavras escritas, sabe? Então, achei que seria uma boa tentar.

Eu amei! No começo foi difícil para o meu cérebro entender que aquilo era diferente dos podcasts que eu estou acostumada a ouvir, sabe? Eu amo escutar podcasts, mas aquilo era um livro que estava sendo lido em voz alta e não por mim, mas por outra pessoa.

Era diferente, mas depois a gente se acostuma, pelo menos eu me acostumei e passei a fazer tudo escutando esses audio books. Ia para academia escutando, saia para caminhar escutando, o que era muito curioso, porque eu tava lá puxando ferro escutando sobre a sociedade inglesa em Orgulho e Preconceito. Mas o que eu mais gosto de fazer é trabalhar escutando o audio book, eu faço cerâmica, e se você quiser conhecer minhas peças de cerâmica é só entrar nesse link aqui!

Mas eu não gosto de escutar quando eu poderia estar lendo, tipo, quando estou tranquila à noite e posso pegar um livro. Porque eu ainda acho que a experiência de ler é muito superior, sabe? Tipo, eu escutei A pequena outubrista da Linda Boström Knausgård que tem muitas idas e vindas de pensamento, por isso acredito que a leitura seria muito mais prazerosas. Assim como o livro A vagabunda da Collete que é super poético, acabou ficando chato por conta da linguagem, entende? A leitura poderia ter sido mais prazerossa do que escutar. Mas por exemplo escutar Harry Potter tem sido muito interessante, porque a história prende, né? É uma trama que prende, assim como Orgulho e Preconceito, foi muito legal escutar, porque a trama fala mais do que a linguagem.

Por isso, eu acho que livros que tem uma trama mais trabalhada funciona melhor como audio livro do que os livros que trabalham a linguagem, por exemplo, acho que eu não escutaria Virginia Woolf, ou James Joyce, porque eles são muito focados na linguagem e na construção do texto. Mas quero ler tudo que tem do Stephen King, porque sei que são histórias com tramas incríveis.

Então, eu acredito que é muito importante você entender qual experiência que você quer com o audiobook. Eu quero escutar livros com tramas que me prendam enquanto eu faço academia, dirijo e trabalho. Livros com a linguagem mais complexa, ou com narrativas mais paradas eu prefiro ler e não escuto.

O aplicativo STORYTEL é bom? Audible, Ubook, etc

O aplicativo que eu uso é o storytel e eles tem uma seleção incrível de títulos, tanto em português, quanto em inglês. Eu baixei pra escutar livros em inglês, para poder treinar a língua, sabe? Mas descobri que tem tanto livro em português que às vezes eu fico tentada a escutar eles também. Então, eu meio que intercalo, um livro em português e um livro em inglês.

Eu comecei a usar o 7 dias gratuitos e gostei bastante por isso assinei. Pago 14,90 por mês e além de audio books eles também tem ebooks. Mas eu nunca li um ebook por eles, porque eu tenho um Kindle e acabo recebendo muitos ebooks da campainha das letras então prefiro ler no Kindle né?

Enfim, eu não tive experiência com outros aplicativos mas sei que tem um monte né? e eu penso que quando eu já tiver escutado tudo de interessante que tem no storytel eu posso mudar de aplicativo também, gosto de ter essa liberdade, sabe?

Bom, essa foi minha experiência com audio livros do Storytel! Para saber mais assista o vídeo:

QUEM FOI VIRGÍNIA WOOLF EM 50 FATOS | BIOGRAFIA, MRS DALLOWAY, AO FAROL, UM TETO TODO SEU, ORLANDO.

Quentin Bell, filho da Vanessa Bell, irmã da Virginia Woolf, se propôs a escrever a biografia de sua tia. Virginia viu Quentin Bell nascer e esteve ao lado do menino por toda a sua infância. Entre a grande variedade de biografias sobre ela, eu achei que essa seria a mais apurada, já que Quentin tinha contato, acesso à cartas e memórias, tanto de Leonard Woolf, quanto de sua própria mãe Vanessa.

Biografia da Virginia Woolf por Quentin Bell

Apesar da grande variedade de biografias dedicadas em destrinchar a vida da Virginia, são poucas as que foram editadas no Brasil, e o número total de edições recentes é igual a zero. Recorri ao site Estante Virtual para encontrar essa que eu li. Ela foi lançada em 1972 e foi dividida em dois livros, o primeiro retrata a vida de Virginia Stephen e o segundo o de Virginia Woolf. O livro chegou no Brasil em 1988 e não foi editado.

A vida de Virginia foi marcada pelas tragédias, ela perdeu a mãe Júlia muito nova, depois a meia irmã Stella, o pai Leslie e o irmão Thoby. Foi uma sequência de dores e nesse meio tempo seus meio irmãos George e Gerald tinham contatos impróprios com ela e com Vanessa. Apesar da mesma criação Virginia e Vanessa lidaram com essa situação de maneiras diferentes: Vanessa se tornou aberta e Virginia fechada.

Foi incrível descobrir a vida da minha escritora preferida. Ela foi uma mulher incrível, não teve estudos formais como os irmãos, mas alcançou níveis altos entre os intelectuais ingleses. As pessoas respeitavam sua opinião, compravam seus livros e os críticos costumavam gostar de suas obras. Mas ela se sentia mal por não ter tido a educação dos irmãos que foram para Cambridge, ela sentia que nunca seria boa o suficiente, e cada livro que escrevia era uma nova tortura interna, principalmente quando eles estavam finalizados e iam para a editora.

Apesar dos surtos que a acometiam sempre que se sentia deprimida ela teve uma vida boa ao lado de Leonard e de seus amigos do Bloomsbury. Quando a depressão a acometia ela tinha que ir para o interior, ficava dias comendo pouco e não conseguia sair da cama. Porém, quando ela estava bem sabia ser sedutora, alegre e divertida. Leonard a introduziu na politica e Virginia lutou pelo sufrágio universal e por todas as causas socialistas que o casal estava envolvido. Ela apoiava mulheres sindicalistas e esteve ao lado de muitas intelectuais de sua época.

Sua vida terminou de forma triste, quando a segunda guerra mundial estava em seu auge e ela e Leonard tinham medo do que poderia acontecer com um judeu e sua mulher. Leonard era judeu e eles estava com medo da invasão alemã. Virginia começou a ouvir vozes e ter grandes surtos de depressão e ansiedade. Até aquele momento eles tinham perdido pessoas muito queridas como Julian Bell (irmão de Quentin) que morreu lutando contra o Franco na Espanha; Roger Fry que foi amante de Vanessa e amigo de todos, Virginia estava escrevendo sua biografia; e Lytton Strachey, que foi um dos melhores amigos de Virginia. Para saber mais recomendo a leitura dos 50 fatos sobre a Virginia:

QUEM FOI VIRGÍNIA WOOLF EM 50 FATOS | BIOGRAFIA, MRS DALLOWAY, AO FAROL, UM TETO TODO SEU, ORLANDO.

  1. Virginia Woolf nasceu dia 25 de janeiro de 1882, no número 22 de Hyde Park Gate, em Londres. Quem conhece Londres sabe que ali é um bairro chique! A casa ainda existe e carrega o nome de seu pai, Leslie Stephen, que foi um jornalista e historiador inglês. Ele chegou a entrevistar o Abraham Lincoln quando estava nos Estados Unidos. Leslie veio de uma família de classe média baixa que ascendeu pela literatura e pelo direito. Seu pai, como seu avô, foi um grande defensor da abolição do sistema escravagista e trabalhou na Secretaria Colonial lutando contra o tráfico de pessoas nas colônias inglesas.
  2. A mãe de Virginia, Julia nasceu em Calcutá, em uma família Anglo-Indiana, e foi a segunda mulher de Leslie. Os dois se conheceram através da primeira esposa de Leslie, Harriet, filha do famoso escritor Thackeray. Os dois eram viúvos e tinham filhos dos outros casamentos. Julia era de uma família mais aristocrática, que também participava dos círculos intelectuais, inclusive enquanto era casada com o primeiro marido, que era muito influente. Ela trabalhou como modelo para muitos pintores da época, e diferente de suas irmãs que tinham uma vida mais abastada, ela e Leslie levavam uma vida menos luxuosa.
  3. Tem uma lenda na família de Virginia de que um dos antepassados de Júlia foi amante de Maria Antonieta, e por isso foi exilado da corte de Versalhes.
  4. Virginia levou muito tempo para começar a falar, o que deixou seus pais muito preocupados. As primeiras palavras só vieram quando ela tinha três anos de idade. Mas isso mudou ao longo dos anos, e de resto foi uma criança precoce, muito esperta e apesar do susto quando era bebe passou a ter muito domínio da linguagem.
  5. Virginia tinha dois irmãos (George e Gerald) e uma irmã (Stella) por parte de mãe, uma irmã (Laura) por parte de pai, que nasceram antes do casamento de Julia e Leslie. Depois vieram Vanessa, que se tornou uma grande parceira de Virginia, Thoby, Virginia e Adrian.
  6. As meninas tiveram aulas em casa, mas que não deu muito certo pois os pais não eram muito pacientes. Elas também tiveram tutoras, mas que segundo Quentin Bell (filho de Vanessa) elas não eram muito boas. Então, Virginia Woolf e suas irmãs não tiveram educação formal, apenas aulas de dança, música e desenho, o que era esperado para meninas. A maior parte do conhecimento de Virginia e Vanessa foi adquirido em livros. Elas foram autodidatas, enquanto os irmãos foram para escola e depois para Cambridge, a meninas isso não era permitido.
  7. De qualquer forma, a casa dos Stephens era um ambiente muito intelectualizado e debates sobre literatura e política aconteciam e todos davam sua opinião. Uma curiosidade é que Leslie tinha muitos amigos escritores e pensadores, e o mais ilustre era ninguém mais ninguém menos que Henry James, que visitava a casa constantemente até a morte de Leslie.
  8. Quando Virginia tinha 13 anos, Julia morreu. A mãe era a alma da casa, foi uma mulher que se doou a tudo e a todos, ela recebia cartas de mulheres pedindo conselhos e ajuda, ela ajudava. Além de cuidar dos oito filhos, de ajudar o marido em suas tarefas como escritor, ela era extremamente paciente com os rompantes dramáticos dele. Julia também organizava as sete mulheres que trabalhavam na casa e administrava as finanças. Todos dependiam dela. Morreu de um problema no coração derivado de uma gripe (e acredita-se exaustão) e a família inteira sentiu a perda que nunca se curou. Foi nesse período que Virginia teve seu primeiro colapso nervoso.
  9. Logo após a morte da mãe o meio irmão de Virginia, George começou a ter contatos físicos impróprios com Virginia e Vanessa. Elas se mantiveram caladas por muitos anos, e isso afetou de forma profunda Virginia. Mais tarde ela diria que esses contato impróprios começaram muito antes da morte da mãe, quando ela tinha seis anos, só que naquela época, o culpado era Gerald, o outro meio irmão.
  10. Logo após a morte da mãe, Virginia teve outra grande perda. A família de Julia era conhecida pelas tragédias, e isso se repetiu mais algumas vezes. A saúde de Virginia estava debilitada devido ao colapso nervoso, ela estava irritadiça e deprimida (o que era de se esperar, já que era uma adolescente que acabou de perder a mãe). Mas outro membro da família estava pior, Stella, a meia irmã que tinha se tornado a segunda mãe e administradora do lar, morreu de uma inflamação no abdômen. Ela tinha acabado de se casar, a contragosto de Leslie, que perderia sua governanta. Porém, ela moraria na casa da frente, para facilitar o contato entre a família. (SÉRIO, É TANTA TANTA TRAGÉDIA NESSA FAMÍLIA, QUE É ATÉ DIFÍCIL FALAR SOBRE ISSO)
  11. Com dezessete anos Virginia já tinha lido um número considerável de livros, primeiro aqueles que seu pai emprestou, depois a infinidade de livros da biblioteca dele. Virginia também escrevia quando tinha tempo livre, diários, um jornal familiar e fez tentativas de ficção desde muito nova.
  12. Ela começou a ter aulas de grego e se apaixonou pela literatura daquela época. Vanessa tinha aulas de desenho em uma academia de artes. Elas mantinham as tarefas de boas meninas vitorianas, fazer sala, preparar o chá, sorrir e etc. Isso tudo enquanto o irmão estudava em Cambridge, naquela época ainda não era permitido mulheres. Virginia começou a ficar desgostosa em relação isso, e se perguntava porque o irmão tinha toda aquela liberdade e estudo e ela não. Ela se sentia muito mal instruída, e em relação aos irmãos era mesmo.
  13. Você achou que a tragédia tinha acabado? Não! A tragédia continua, e lendo a biografia de Virginia conseguimos entender o que a levou a ter as crises de depressão que ela teve ao longo da vida. Pois em 1904 Leslie morreu de câncer e essa foi a terceira grande perda na vida de Virginia, ela realmente era apegada ao pai e todas as trocas intelectuais que eles tinham, de todos os irmãos ela foi a que mais sofreu.
  14. Após a morte do pai elas e os irmãos foram viajar para visitar amigos e familiares na Itália. A viagem foi péssima para Virginia e quando voltou ela estava em um estado nervoso depressivo e se jogou de uma janela, do segundo andar da casa de sua amiga Violet Dickinson. Por sorte não aconteceu nada de grave, mas o médico da família disse que ela ficaria melhor no campo do que em Londres. No período que Virginia ficou fora, na casa de campo com a tia, os irmãos mudaram do bairro nobre Kensington para o não-tão-bom-assim, o bairro de Bloomsbury.
  15. Para lá foram apenas os irmãos Stephen: Vanessa, Thoby, Virginia e Adrian. Esses foram os primórdios do grupo de Bloomsbury. Thoby convidava seus amigos de Cambridge (que incluíam Leonard Woolf e Clive Bell, que se casariam com as irmãs no futuro) para passar as noites de quinta na casa. E sem a supervisão de alguém mais conservador para ditar as regras do bom costume inglês, os irmãos deixaram o decoro de lado e pararam de se preocupar em estar sempre apresentáveis. Para as irmãs, que nunca tiveram liberdade para viver como gostariam foi uma experiência poderosa.
  16. Nessa época Virginia começou a escrever resenhas para jornais, foi publicada no The Guardian, teve algumas recusas também, mas ela continuou mandando seus textos. Escrevia assiduamente em seus diários e começou uma parceria com o The Times Literary Supplement, que durou praticamente toda a sua vida. O jornal mandava livros para ela ler e resenhar, e ela o fazia muito bem.
  17. Em 1906 toda a família foi para Grécia, todos estavam muito animados mas mais uma tragédia aconteceu. Vanessa passou mal a viagem inteira, mas depois se recuperou. Thoby que tinha voltado mais cedo da Grécia começou a passar mal em Londres, e com 24 anos Virginia perdeu seu irmão preferido para a febre tifóide.
  18. Vanessa logo se casou e Virginia se viu sem casa, já que o casal Bell tinha ficado com a casa em Bloomsbury. Então Virginia e Adrian se mudaram para um lugar menor. Lá eles começaram a dar festas e encontros, assim como os Bells. Podemos dizer que foi uma época de socialização muito intensa para o grupo Bloomsbury, e intelectuais de todos os tipos frequentavam as duas casas.
  19. Virginia começou a procurar um marido, por influência da irmã, e também porque queria. Ela e seu cunhado tiveram um affair, mas nunca chegaram nos finalmentes, (Virginia não se interessava por homens até então, e todos as suas paixonites de adolescente foram por mulher). Isso causou muito conflito com Vanessa, mas ela já estava interessada em outro membro do Bloomsbury: Roger Fry. Foi Vanessa que declarou que o grupo deveria ter uma politica sexual libertaria, com liberdade sexual para todos. O grupo causou alvoroço e reprovação pública. Vanessa era a mais sexual das irmãs, e não há muitos registros de que Virginia com então 27 anos tenha se relacionado dessa forma com alguém.
  20. Aos 27 anos Virginia foi internada pela primeiro vez em uma clinica psiquiátrica. Ela estava sofrendo de dores de cabeça, irritação nervosa e um forte impulso para rejeitar comida. Ficou um tempo internada e há relatos de que ela se dava muito bem com as enfermeiras e com os médicos.
  21. Após seu retorno Virginia decidiu que se mudaria com Adrian para um lugar maior e dividiram a casa com mais dois amigos, cada um teria seus próprios aposentos e viveriam o mais livre possível. Para a sociedade em que viviam esse foi um outro escândalo mas Virginia não se importou.
  22. Para o casamento vários partidos foram cogitados, como Lytton Strachey que apesar de homossexual pensou seriamente em se casar com Virginia, e ela com ele, eles se respeitavam intelectualmente e manteriam um casamento de amigos. Ele foi o melhor amigo de Virginia desde que fundaram o Bloomsbury, até o fim da vida. Outro cogitado foi Hilton Young, mas a Virginia as conversas entre eles não era estimulante. E Walter Lamb, que a pediu em casamento mas se sentia intimidado pelas amizades de Virginia. Até que finalmente Leonard Woolf voltou do Ceilão, onde trabalhou como administrador colonial por 07 anos e se apaixonou por Virginia.
  23. Ela estava receosa e antes de aceitar o pedido de casamento de Leonard, confessou que não sentia atração física por ele, mas afirmou que poderia se casar se ele ainda quisesse. Leonard tinha alugado um aposento na casa de Virginia e essa proximidade transformou a relação deles, ela ainda não sentia paixão por ele, mas criou uma admiração e amor mútuo. Eles se casaram em 29 de maio de 1912.
  24. O casamento foi ao mesmo tempo tranquilo e turbulento. O casal se dava muito bem e tinham muita intimidade apesar da falta de relações. Os dois queriam ser escritores e tinham planos para isso. Virginia trabalhava já trabalhava há seis anos em The Voyage Out, e os momentos finais da conclusão desse livro antes da publicação foram muito tensos.
  25. Ela foi internada mais uma vez em uma clinica psiquiátrica e teve as crises mais severas de sua vida até então. Virginia não comia, tinha dores de cabeça intensas e não conseguia dormir. Leonard foi o apoio que ela precisava, ele foi atrás de diversos médicos e enfermeiras para cuidar de Virginia. Os cuidados eram sempre os mesmos: não escrever, ir para longe de Londres e manter uma alimentação saudável. Então eles se mudaram para o interior.
  26. Virginia só melhorou mesmo em 1915 quando seu livro foi publicado e ela recebeu críticas positivas. Lendo sua biografia consegui ver que ela era extremamente insegura em relação ao seu trabalho e isso causava muita ansiedade e nervosismo para ela. Virginia Woolf Também sofria de Síndrome da impostora, quem diria né?
  27. Lembrando que esse foi o período da primeira guerra mundial. Os amigos de Bloomsbury correram para os tribunais para não ir para o front, mas alguns foram. Leonard tinha um problema nas mãos que o isentou da guerra, mas eles se engajaram em um grupo socialista em Londres onde palestravam e abriam as portas para outros palestrantes. Leonard era mais engajado politicamente do que Virginia. Ela se politizou depois do casamento e foi uma grande defensora do sufrágio universal.
  28. Durante a guerra o casal viveu sob a ameaça de bomba e ataques, cada noite que se passava vinha cheia de ansia. Virginia não teve nenhuma grande recaída, apesar da vida social agitada do casal e da guerra.
  29. Ela começou a trabalhar em Day and Night para relaxar do The Voyage Out. Essa nova narrativa era mais divertida e menos intensa. Ela seguiu esse ritmo durante toda a carreira literária: Um livro intenso e depois um livro divertido. Por exemplo: Orlando veio depois de Ao farol… Flush veio depois de As ondas. Enfim, isso aconteceu com frequência.
  30. Nesse período Virginia ficou muito amiga de Katherine Mansfield. Elas se amavam e se odiavam. Katherine e seu marido eram convidados frequentes na casa dos Woolfs, que eram mais reservados do que o resto de Bloomsbury. Nessa época Virginia também conheceu Aldous Huxley, a mulher dele vivia com o grupo de Bloomsbury, e colocou as mãos em Ulysses do James Joyce pela primeira vez.
  31. Leonard e Virginia não eram ricos, mas também não eram pobres. Mas na sociedade em que viviam eles eram considerados paupérrimos. Ele não tinha nada, então montar a editora Hogarth Press foi um grande desafio. Virginia recebeu a herança dos pais, do irmão Thoby e da tia, então ela tinha um pouco mais de dinheiro, mas que não era suficiente para pagar todas as contas. Quando ela estava sã escrevia resenhas e teve épocas que escreveu uma por semana e isso ajudou muito na renda do casal.
  32. 1918 foi o ano do fim da primeira guerra, o ano em que Virginia terminou Night and Day e o ano que T.S Elliot entrou na vida dos Woolf, e eles editaram diversos poemas dele.
  33. Night and Day recebeu críticas positivas e negativas. Ela queria que esse fosse um livro bem vitoriano e ultrapassado. Esse livro foi publicado pela editora do meio irmão de Virginia George Duckworth e ela odiava isso.
  34. A Hogarth Press editora dela e do Leonard ainda não publicava livros grandes, apenas contos em poemas. Elliot lançou alguns poemas por lá, assim como contos de Virginia e Katherine Mansfield.
  35. O conto Kew Gardens de Virginia publicado pela Hogarth Press foi um sucesso e os Woolfs recebiam pedidos para mais livretos. Foi assim que a editora cresceu. Então, eles comparam uma impressora maior e contrataram pessoas qualificadas para trabalhar lá.
  36. Em 1920 Virginia começou a pensar em Jacob`s Room. E quando surgiu a ideia para esse livro ela ficou extremamente feliz. Ela tinha uma noção muito clara da forma que ela queria para ele, e quem já leu esse livro sabe que ele tem uma construção muito específica. VOU CITAR AQUI O QUE A VIRGINIA ESCREVEU EM SEU DIÁRIO SOBRE ELES:
  37. Jacobs room, ou O quarto de Jacó, foi o primeiro livro (livro mesmo, não contos) que a Hogarth Press editou. Virginia ficou muito feliz em se desligar da editora do seu meio irmão. Ele foi lançado dia 27 de outubro de 1922 (GENTE VAI FAZER UM SÉCULO ISSO SOCORRO) e foi muito elogiado, inclusive por T.S Eliot. Disseram até que esse livro era tão potente que ela não conseguiria ir adiante. Mas sabemos que suas melhores obras ainda testavam por vir.
  38. Virginia era uma pessoa muito querida. Uma de suas grandes marcas era o riso fácil, ela contava histórias incríveis e encantava todas as pessoas que estavam próximas a ela. Mas ela também gostava de causar medo e sabia ser esnobe quando queria. Estar em uma sala com Virginia era uma aventura.
  39. A década de 20 foi de produção intensa para Virginia ela começou escrever Mrs Dalloway, que se chamava The Hours. Ela dizia que com esse livro ela queria introduzir o que havia de mais desprezível na sociedade que vivia. Reforçando o que eu já sabia: Mrs Dalloway foi uma grande crítica social.
  40. Nesse mesmo período ela começou um ensaio crítico chamado O leitor comum. E intercala seu trabalho entre as duas obras. Mrs Dalloway e as passagens mais intensas a levavam para o lugar da depressão, enquanto O leitor comum era uma ótima válvula de escape.
  41. Virginia começou a ficar famosa nos círculos sociais de Londres. Ela estava cansada de viver no subúrbio de Londres e convenceu Leonard a voltar para o centro. Então eles levaram a editora para Bloomsbury.
  42. Mrs Dalloway foi lançado em 25, e em meio aquelas tensões de síndrome da impostora que intensificava a depressão e nervosismo de Virginia, ele foi bem recebido. Uma curiosidade é que poucos livros dela foram mal recebidos. Acho que só Flush, uma biografia.
  43. Antes mesmo da publicação de Mrs Dalloway, ela já pensava no próximo livro chamado To The Lighthouse (E PARA QUEM NÃO SABE O NOME DO RUMO AO FAROL É INSPIRADO NESSE LIVRO, QUE SE CHAMAVA RUMO AO FAROL NA PRIMEIRA EDIÇÃO BRASILEIRA, HOJE APENAS AO FAROL). Ao farol é ao meu ver o livro mais intimo de Virginia, ela rememora os dias que passou em St Ives com a família, antes da morte da mãe Julia e da irmã Stella, que ela inclusive retrata no livro. Ele traz uma narrativa à la Virginia, com os fluxos de consciência e a bela prosa poética. Eu amo esse livro.
  44. O casamento com Leonard ia bem, quem via de fora podia sentir o afeto que existia entre eles. Quando ficavam separados cartas românticas eram trocadas, Virginia dizia que queria beijar ele e que sentia saudades. Quando li essa carta, foi difícil acreditar que eles não mantinham relacionamentos íntimos, isso é algo que talvez nunca saberemos.
  45. Mas o que importa é que Virginia tinha todo o sucesso que uma escritora poderia ter em Londres, vivia um casamento feliz, não tinha preocupação com dinheiro, mas mesmo assim tinha extensas crises depressivas e pensava em se matar. A crise mais recente veio pelo fato de ela já ter mais de 40 anos e nenhuma criança, ela via Vanessa com três crianças e queria o mesmo para ela. Como não sabemos quais eram as relações entre os Woolfs também não podemos saber se o controle de natalidade era uma consequência da falta de relações, ou uma escolha consciente, já que Virginia tinha uma saúde mental abalada e por isso não poderia ser mãe. Só sabemos que isso causava imensa tristeza para ela.
  46. Virginia conheceu Vita Sackeville West em 1922, mas seu relacionamento só se intensificou em 26. O relacionamento nasceu de uma amizade que foi se intensificando graças as investidas de Vita. Virginia se viu apaixonada e anotou sobre isso em seu diário. Os maridos das duas levaram a relação numa boa. Virginia ficou tão envolvida com Vita que escreveu um livro inteiro sobre a vida da amante, Orlando, que é um livro incrível e conta a história de Orlando, um homem aristocrata que se torna mulher buscando se encontrar em seu próprio corpo. Além disso, ele vive em um tempo gigante, desde a época elizabetana até os dias de Virginia.
  47. A vida ia bem, Virginia escreveu mais alguns livros de sucesso como: Um teto todo seu, As ondas, que na minha opinião é o romance mais ousado dela, Flush, uma biografia, onde ela conta a história de um cãozinho, Os anos, Três Guineas, que foi um livro de denuncia contra o fascismo. Além de muitos outros ensaios e contos.
  48. Até que em 39 veio a guerra, Leonard era um judeu e Virginia a mulher de um, o anti-semitismo cresceu por toda a Europa, e isso afetou profundamente os dois. Principalmente quando Leonard se alistou como um soldado para proteger Londres. Além disso o exército alemão causou um bombardeio na cidade e destruiu a casa dos Woolfs em Bloomsbury.
  49. Eles se mudaram para o interior mas Virginia já não estava bem, ela voltou a ter grandes crises como aquelas que teve após a morte o pai, mas agora ela também ouvia vozes. Segundo seus diários elas estava obcecada com a morte e escrevi sobre isso constantemente. Virginia não aguentava mais as crises, as enxaquecas, a depressão e o sofrimento e apesar de aparentar, aos olhos de fora uma pessoa extremamente sociável e divertida, por dentro ela sofria.
  50. Em 28 de março de 1941, Virginia aos 59 anos encheu seus bolsos com pedras e se jogou no rio próximo a sua casa. Seu corpo ficou a deriva por três semanas e antes da sua morte ela deixou duas cartas para Leonard, onde ela agradecia por tudo que ele fez por ela, e disse que queria que ele fosse livre para viver sem ter o peso da vida dela sobre ele. Ela também tinha certeza de que as vozes que ouvia a deixaria maluca. Ela também deixou uma carta para Vanessa.

3 escritoras brasileiras contemporâneas para conhecer hoje!

Faz um tempo que quero escrever sobre esses três livros que recebi ano passado. Li os três super rápido, mas por conta das demandas da vida demorei um pouco para começar a leitura, e mais ainda para escrever sobre eles, por favor, não desistam de mim. Foi uma supresa ótima! O Rumo ao farol tem me proporcionado conhecer escritoras maravilhosas que estão lançando seus primeiros livros (de muitos espero eu).

Resenha de três livros de escritoras brasileiras e independentes!

O primeiro que li foi Conta Comigo da Michele M. Fernandes. Nesse livro conhecemos a história de três mulheres diferentes, divididas por contos que remetem a cidade de Porto Alegre. Cada um tem uma característica própria e carrega seu mistério: uma mulher perdida, uma mulher com super poderes e uma mulher que busca firmar sua identidade sendo uma mulher trans. A narrativa é bem fluida e gostosa de ler, o tempo passou super rápido durante a leitura. Gostei bastante.

O segundo foi Talvez fôssemos outras da Renata Ferri. Também um compilado de contos muito gosto de se ler. Ela traz histórias múltiplas que caminham entre primeira e terceira pessoa, sempre muito próximo do personagem. Tem briga em família, um triângulo amoroso, um conto sobre o processo de luto, e também sobre a escrita. Os contos são diversos e cada um carrega um mistério interessante que me prendeu, sabe? Eu adorei que os contos estão recheados com ilustrações, o que traz um dinamismo bonito para o texto.

O terceiro que li foi Amanhã seremos outros da Marília Santos Krüger, o nome é muito parecido com o da Renata, né? Achei uma coincidência interessante. Esse livro já me impactou logo com a capa, achei a edição muito bonita. Dentro o livro carrega contos pequenos mas muito poderosos. A Marília foge do óbvio e trouxe como protagonistas uma casa, uma criança, um casal. Ela explora tipos narrativos diversos, e experimenta com sabedoria. Às vezes caminha pela prosa poética, às vezes se atém ao realismo, mas todas as história são fortes e carregam um suspense gostoso.

Foi um prazer ler esses livros e conhecer essas autoras maravilhosas que estão começando. Sinto que muita coisa boa vai surgir a partir disso. Adoro ver quanto coisa boa tem na nossa literatura contemporânea!

Quero saber de você, já conhecia alguma dessas autoras? Gostaria de conhecer?

A PEDIATRA DE ANDREA DEL FUEGO | Resenha de um livro impactante sobre a medicina e padrões de gênero

A Campainha das Letras me mandou esse e-book ano passado e eu lembro do enorme burburinho que ele causou lá no bookstagram quando foi lançado. A narrativa é estimulante e muitas vezes absurda. Carrega temas muito importantes como a quebra dos padrões de gênero e a visão da maternidade.

Lemos a pediatra no Clube do livro Contemporâneas, que é um espaço de trocas sobre literatura e sobre a vida, em março. Minhas últimas resenhas foram de livros que lemos lá no clubinho, você encontra elas aqui.

Um dos livros votados foi A pediatra da Andrea del Fuego. Ela tem um nome super forte né? E também tem uma carreia extensa na literatura. Seu primeiro romance, Os Malaquias, venceu o premio José Saramago. Isso foi lá em 2011, dez anos e algumas publicações depois, em 2021 ela lança A pediatra, e eu ouvi falar que ela escreveu esse livro em um mês!

Resenha de A pediatra de Andrea del Fuego – Um dos livros escritos por mulheres da literatura brasileira contemporânea mais legais que lemos!

Essa pediatra tem nome, ela se chama Cecília, uma mulher muito obstinada, egocêntrica e totalmente pragmática, ela se passa por uma vilã canalha, o que eu acho curioso pois toda a sua personalidade tem características que nossa sociedade considera masculinas. Ou seja, quando um homem age como ela costuma agir ele não é tão julgado quanto a Cecília foi. Por que ela foge do padrão da “feminilidade” adocicado e sentimental.

Vou destrinchar a personalidade aqui para você entender melhor sobre o que estou falando:

Ela é casada, mas tem um amante, o marido sofre de depressão e ela deixa bem claro que não vai ser cuidadora de ninguém. O amante tem uma esposa grávida e ele indica Cecília para ser a neonatologista do bebê. Para quem não sabe neonatologistas cuidam de bebes recém nascidos (estou dizendo porque eu mesma não sabia disso), principalmente durante o parto. Logo após o nascimento de Bruninho, eles se pegam em uma salinha do o hospital, enquanto a mulher ainda está na sala de parto.

O amante se chama Celso, e ele termina com ela logo após o nascimento do bebe Bruninho. Eles ficam um ano longe mais ou menos, pois ele morava em outra cidade. Quando a mulher está esperando o segundo filho eles se mudam para São Paulo, e eu acredito que foi por causa de Cecília. Os amantes retomam a relação. Cecília começa a se afeiçoar por Bruninho e muita confusão acontece por conta desse relacionamento confuso. Bom, para você saber tem que ler o livro, pois é cada bizarrice que essa mulher faz que você não vai acreditar.

Ela é sozinha, o marido foi embora e ela vive apenas com sua empregada, que está grávida. Cecília odeia crianças e está certa de que nunca será mãe. Seus pacientes são tratados sem nenhum afeto ou consideração, ela não suporta o desespero das mães, e até despreza elas. Cecília cresceu com um pai pediatra e uma mãe enfermeira, e é curioso que sua relação com o pai é muito mais próxima do que com a mãe. Do pai ela herdou a profissão e um posto na sociedade. Ela tem consciência disso e diz que faz o que faz apenas de modo protocolar sem nenhum entusiasmo.

Sinto que tem um grande vazio dentro dela que ela preenche com paranóias de que todas as pessoas são inferiores a ela. Mas também tem pequenas amostras de uma sociopatia em sua personalidade, que faz ela perseguir e intimidar as pessoas. Sim, ela é também uma perseguidora. Uma stalker.

O livro também entra em uma discussão interessante sobre o parto humanizado em banheira em casa, algo que Cecília é extremamente contra. Além de retratar com crueza o trabalho de parto e todas as suas consequências, confesso que eu que já tinha medo de engravidar fiquei com mais ainda, então deixo um alerta aqui, esse livro pode conter gatilhos para mulheres grávidas.

A relação de Cecília com Deise sua empregada também é permeada de uma superioridade paternalista que incomoda muito. Como eu já disse Deise está grávida e Cecília não suporta a ideia de uma mulher grávida em sua casa, ou uma possível criança. Além disso Cecília entra em um emaranhado de julgamentos e acredita que todas as pessoas ao seu redor são horríveis. É muito interessante ler esse livro desse modo, pois, por ser escrito em primeira pessoa nós só sabemos sobre os personagens (o Celso, a Deise, o Robson, que pai do filho da Deise, os pais de Cecília) pelo filtro deturpado da mente dela.

Esse livro é um retrato de uma mente perturbada, interessante e que quebra os padrões de gênero, que esperam que mulheres sejam sempre emocionais e dóceis. Também escancara os pensamentos de uma médica protocolar que não escolheu seguir a medicina por amar ajudar as pessoas e sim por um bom salário, ou porque foi imposto pela sociedade.

Você vai se irritar com esse livro mas também pode amar. Eu li super rápido e achei muito interessante.

Essa foi mais uma dica de livros escritos por mulheres que trouxe aqui! A pediatra é um bom livro.

Espero que goste! Me conta nos comentários o que achou!

#2 Diário de escrita – Dois meses escrevendo Uma vida infinita

A pressão de escrever o livro em um ano me pegou. Como eu poderia escrever algo bom em tão pouco tempo? Essa é a única coisa ruim da pós: entregar um livro finalizado no final. Desde a última entrada nesse diário a história evoluiu pouco, os personagens ainda estão no começo de sua aventura, e eu busco formas de escrever e me concentrar, nada efetivo ainda.

Foram mais dois capítulos e três entregas para a correção dos meus colegas da pós, ouvi críticas positivas e negativas. Isso é ótimo porque me faz evoluir na escrita. Os dias passaram tão rápido que eu nem vi. A @venereinceramica nasceu, mas o livro está devagar. Não se pode ter tudo, às vezes temos que priorizar certas coisas.

Espero que melhore. Abril começou com esperança de escritas mais intensas ❤️

10 DICAS DE COMO ESCREVER UM PERSONAGEM COMPLEXO | Como criar personagens profundos?

Uma das maiores dificuldades que eu como escritora passei é criar personagens fortes, que prendam a atenção das pessoas que estão lendo a história. Como Assis Brasil disse quem move a história é o personagem, então por isso eu trouxe algumas dicas para você não ficar mais em dúvida na hora de criar eles. Vamos lá?

O personagem é a alma da história, é com ele que as pessoas vão se identificar. Ele pode ser um vilão, um herói, alguém super ingênuo, ou cruel. Ele pode ser qualquer coisa que você quiser, de verdade, e se você colocar as dicas que eu vou dar aqui nesse artigo em prática, ele vai se transformar em alguém profundo e interessante, podendo ser querido ou odiado, do jeito que você quiser. Claro, que você não precisa colocar todas essas dicas em sua história, mas é bom saber que existe uma infinidade de características para transformar seus personagens em pessoas reais. Eu quero que você tenha controle sobre o que vai estar ou não na sua história, para você escolher o que faz mais sentido pra você.

De qualquer forma sempre vai existir os personagens planos e os redondos, como dizem nos livros sobre escrita, você pode escolher que cara dar para esse personagem, você quer que ele seja mais complexo? Ou mais simples? O que você quer mostrar com cada um deles? Não existe uma fórmula mágica, você tem que colocar os ingredientes que fazem mais sentido para você.

Enfim, vamos para as 10 dicas de como escrever um personagem complexo e profundo?

1) Características físicas

O primeiro passo para definir seu personagem é olhando pra ele do lado de fora. Qual é a cor de sua pele, seu formato físico, a cor do seu cabelo, porque todas essas coisas podem influenciar o seu “eu” interior. Então, você pode criar uma imagem mental dele, definindo quais tipos de roupa esse personagem usa, se ele tem furos na orelha, se ele tem tatuagens, se ele precisa de óculos. Você não precisa deixar todas essas informações claras na história, mas é muito importante que você consiga visualizar ele com força na sua imaginação. O modo como o corpo do personagem fala, diz muito sobre quem ele é. 

Eu escrevi a história de uma personagem que se preocupava muito com sua aparência física, ela mantinha uma dieta rígida e malhava todos os dias na academia. Ela tinha o corpo perfeito aos olhos de fora, mas por dentro ele escondia todas as cobranças que sua mãe tinha feito em relação ao seu peso quando ela era uma criança. E ao longo da história, enquanto ela se libertava dessas cobranças maternas e sociais, seu corpo foi mudando, ele criou mais curvas e ela já não se preocupava com elas. Enfim, esse é um exemplo de como o corpo pode contar uma história. 

2) Desejos e objetivos

Acredito que todas as pessoas tem desejos na vida, existe algo ali que elas almejam. Algumas pessoas criam objetivos para alcançar esses desejos, outras estão presas em ciclos e não conseguem visualizar com clareza aquilo que elas querem. Então, os desejos e objetivos podem ser algo bem claro, que está presente na vida da pessoa e ela segue essas vontades concretamente, ou pode ser apenas um incômodo do desejo não realizado que não é externado. O desejo do personagem é o que faz ele ser quem é e é o que movimenta a trama, até a falta de desejo diz muito sobre quem o personagem é. Isso se relaciona também com a profissão do personagem e quais são suas vontades em relação as conquistas pessoais e financeiras.

3) Hobbies e interesses

Acho que essas coisas se aproximam muito dos desejos e objetivos, mas acredito que os hobbies e interesses são aquilo que as pessoas fazem em seu tempo livre. O que elas fazem apenas por prazer? Por que esses hobbies são importantes para os personagens? Pode ser algo artístico, como fotografar com câmeras analógicas (esse é o meu hobbie), pode ser tocar algum instrumento. Pode estar relacionado a educação também, o personagem pode adorar aprender sobre o império Otamano, ou quer muito aprender uma nova língua. Os hobbies podem estar relacionados a esportes, a amizades. E esses interesses e paixões dizem muito sobre a personalidade do personagem.

4) O que ele mostra e o que ele esconde

Esse é um ponto muito interessante porque sempre me lembro que todos temos algo que escondemos e coisas que mostramos. Isso é super comum, nossos defeitos são escondidos muitas vezes como algo vergonhoso e nossas qualidades podem ser aumentadas. O que os personagens vão mostrar ao mundo e o que eles sentem podem ser coisas completamente diferentes, nossas palavras passam pelo filtro do eu. As palavras são projeções daquilo que queremos passar, assim como nossas roupas e nosso modo de se portar. Acho que aqui entra também o que chamamos de comunicação não verbal, os gestos e as atitudes do personagem. E podemos mostrar um pouco os defeitos dele e como ele gere essas frustrações em relação si mesmo.

5) Contradições

Depois disso a gente entra nas contradições, por exemplo, o personagem pode querer muito uma coisa e fazer outra. Ele pode pensar de modo muito crítico sobre alguém e ao mesmo tempo elogiar essa pessoa para um terceiro. Aqui nós podemos trazer ambiguidades entre o que o personagem pensa e o que ele faz. As contradições aparecem porque somos seres complexos, vivendo uma vida cheia de altos e baixos, e temos que fazer escolhas por mais difícil que essas escolhas sejam. Então coloque pequenas contradições na vida e pensamento do seu personagem. 

6) Especificidades

Eu adoro esse termo, porque acho que as especificidades são as coisas mais importantes em uma história. Sabe aquela pequena coisa que dá o tom para todo o texto? Por exemplo a sua personagem é advogada, mas você não vai dizer só isso, que ela é advogada, você vai dizer que ela é uma advogada trabalhista que trabalha em um escritório onde eles auxiliam empregados de fábricas. Entende? Você vai sempre além da superficialidade. Vou dar mais um exemplo: a sua personagem não gosta apenas de fotografia, ela sai para fotografar com uma Leica que herdou da avó e revela seu próprio filme em casa. Eu sempre falo que são essas pequenas coisas que dão vida para o seu personagem.

7) Mundo interno

Isso traz características interessantes também. Saber o que o personagem pensa e como ele vê o mundo dá um toque especial para história. O mundo interno de cada pessoa é diferente, porque cada pessoa teve suas próprias experiências e carrega diversos tipos de referências, que podem ser tanto musical, quanto estéticas quanto de valores pessoais. O mundo interno carrega muita coisa, desde acontecimentos na infância, até pequenas coisas do dia a dia, aqui podemos enxergar como o personagem encara o mundo com o filtro dessas referências e como ele imagina a própria vida.

8) A sombra

Claro, ninguém é perfeito, o seu personagem vai carregar as coisas que estão escondidas dentro dele, aquilo que ele não quer mostrar de jeito nenhum. Aí a gente volta ali para a quarta dica aquilo que o personagem mostra ou esconde, mas aqui o que ele esconde é de um modo muito intenso, no caso da sombra não é apenas alguma esquisitice que o personagem tem vergonha, é algo muito mais profundo, muito mais difícil de lidar, é algo que vai além da aparência física, do externo, sabe? É algo que está escondido e o personagem não vai querer mostrar para ninguém. Ele pode ou não ter consciência dessa sombra, pode ser uma coisa muito arraigada dentro de si.

9) Crenças

E as crenças englobam tudo que ele acredita como pessoa, não só sua religião, que claro também pode ser assinalada. Mas aqui entra seus valores, o que ele julga certo e errado, como ele vê a moralidade, o que ele acredita da vida enquanto um ser social. Muitas vezes as crenças podem ser limitantes, então, é muito interessante colocar o personagem em confronto com suas próprias crenças. Elas podem vir do lar em que o personagem cresceu, como eram seus pais e no que eles acreditavam e qual era visão de mundo da família ou da comunidade que o personagem estava inserido. As crenças muitas vezes ditam as atitudes e pensamentos do personagem.

10) Percepção de si 

Como esse personagem se vê em comparação ao que os outros vem dele? qual é a percepção que ele tem de si mesmo? Isso é interessante pois muitas vezes ele pode ter uma ideia exagerada de seus defeitos, e não ver qualidades em si próprio, e ao contrário é muito comum também, ele pode se ver como uma pessoa incrível e sem defeitos. Você tem que se perguntar, o que o personagem vê quando se olha no espelho? Ele é feliz com sua aparência física? Ele gosta do que tem dentro de si mesmo? 

Enfim, isso é muito importante porque traz ambiguidade e complexidade para o personagem. 

Essas foram as 10 camadas de complexidade que você pode estudar e pensar para criar um personagem forte e interessante que vai caminhar junto com a história.

Você sente falta de alguma camada? Me conta nos comentários! E me conta também se vídeo foi útil para você.