Resenha: Oryx e Crake de Margaret Atwood – O primeiro da trilogia Maddadão

Margaret Atwood é uma escritora canadense conhecida por O Conto de Aia, livro de 85 que virou série em 2017, que conta a história de uma mulher em um futuro distópico extremamente religioso. O Conto de Aia ganhou prêmios e teve milhões de cópias vendidas pelo mundo. Mas Margaret Atwood não é uma escritora de um sucesso só, outras de suas obras também venceram prêmios importantes, como Vulgo Grace, que, também, se tornou série (disponível no Netflix); e o Assassino Cego. Mas hoje venho para comentar uma trilogia escrita, recentemente, por Margaret Atwood: Oryx e Crake (2013), O Ano do Dilúvio (2009) e Maddaddão (2017). 

Margaret Atwood por Tim Walker para The Sunday Times Style magazine

A trilogia conta a história de um grupo de pessoas que se conectam ao longo dos anos, entre o passado, que para nós seria um futuro especulativo; e o presente, um mundo pós apocalíptico, onde a raça humana acaba devido a uma pandemia mundial. Os dois primeiros livros não são sequenciais, juntos formam um todo, onde os personagens vivem simultaneamente. É bem interessante ler, pois vemos algumas situações de diversos ângulos, sem ser pedante ou repetitivo. Por exemplo: a história contada em Oryx e Crake é sobre a vida de Jimmy e seus amigos íntimos, ao mesmo tempo as vidas de Toby e Ren, são contadas em o Ano do Dilúvio, e os personagens se cruzam nos dois livros. O último livro da trilogia, Maddaddão começa no mundo pós apocalíptico assim que as histórias acabam nos dois livros anteriores. 

Oryx e Crake nos mostra um mundo diferente daquele que conhecemos: as grandes corporações dominaram a vida urbana, a comida virou artificial e os porcos estão tão grandes e inteligentes que se tornaram um problema. Tudo é manipulado e observado de perto por aqueles que comandam as corporações. As familiaridades com os dias de hoje são gritantes. Os sentimentos de desesperança e angustia rodeiam a história que é repleta de violência.

Os capítulos se alternam entre passado e presente da vida do personagem principal: O Homem das Neves ou Jimmy. Aos poucos descobrimos o que aconteceu com ele e como ele chegou até aquele ponto no apocalipse final, o único humano vivo, morando em uma casa na árvore precária e sendo responsável por um grupo de humanos coloridos chamados de Filhos de Crake. A leitura começa devagar mas depois da metade fica eletrizante. Apesar de ser um romance de ficção especulativa a narrativa é densa e complexa, abordando temas sensíveis como relacionamentos abusivos – amorosos e familiares -, exploração sexual infantil, banalização da violência e falta de ética na ciência. O livro também traz questões ecológicas e ambientais, que são exploradas com profundidade no O Ano do Diluvio, o segundo livro da trilogia

A leitura desse livro trouxe questionamentos importantes, pois ele mostra o lado mais podre da sociedade e nos leva para um futuro que pode se tornar realidade. É uma leitura para corajosos, mas não se intimide, a curiosidade te leva até o fim.

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