O jazz é a trilha deste livro que está encoberto por uma névoa de mistérios – Resenha: Sul da fronteira, oeste do sol de Haruki Murakami

Faz algum tempo que venho namorando as edições da TAG mas nunca me senti impelida a entrar nesse clube. Primeiro porque não queria perder meu poder de escolha, e segundo porque é um valor salgado para despender todos os meses em um livro que eu nem sabia qual seria. Não estou dizendo que não vale, na real, prefiro dar meu dinheiro para eles do que para gigantes como a Amazon, as edições são lindas e valem cada centavo, eu é que não estava disposta a gastar 70 reais por mês por essa experiência. Enfim, depois de muito pensar, e ver as edições anteriores eu por fim fiz minha assinatura mensal para ver “qual era” desse clube literário.

O primeiro livro que recebi foi em julho de 2020, mês que estavam comemorando cinco anos de TAG. Escolhi o plano curadoria mas naquele mês eles mandaram um livro inédito no Brasil: Sul da Fronteira, Oeste do Sol de Haruki Murakami. A edição com ilustrações da Sabrina Gevaerd é maravilhosa. Fiquei surpresa ao receber um livro do Murakami, pois há anos quero ler algo dele, então, foi uma boa oportunidade de me lançar nas suas histórias.

O livro começa na infância do personagem principal Hajime e nos conta a história de sua amizade com Shimamoto, sua vizinha, uma garota que como ele é filha única. Essa amizade se torna importante para os dois, e ele experimenta seu primeiro amor, mas se afastam ao longo do tempo devido a uma mudança. Depois que ela sai de sua vida Hajime se envolve com outras mulheres e passa a narrar sobre sua vida ao lado delas, os erros que cometeu, e como acabou sozinho por anos. Sempre se lembrando de Shimamoto, que para ele foi seu grande amor.

Isso me incomoda porque vemos um personagem que vive completamente dentro de suas idealizações de um possível amor que nunca existiu. Ele cresce, estuda, trabalha e passa por seus 20 anos estagnado, até conhecer Yukiko, que se tornaria sua esposa. Foi amor à primeira vista e logo eles se casam e tem duas filhas. Com o dinheiro da família de Yukiko, Hajime monta um bar de jazz e mantém uma vida estável acima da média. Lá ele reencontra Shimamoto, que está muito diferente do que ele lembrava, a partir daí os dois retomam a antiga relação de um modo incomum.

O jazz é a trilha deste livro que está encoberto por uma névoa de mistérios. O personagem, que não me agradou no começo (nem em boa parte do livro), tem a sua redenção no fim. Um livro rápido e fácil, sempre em primeira pessoa. Hajime conta a sua vida a sua maneira, e nos dá um final surpreendente para os acontecimentos. Além disso, Muramaki nos faz refletir sobre amor e relacionamentos, nos fazendo questionar sobre como lidamos com essas emoções tão complexas e bonitas. Os últimos capítulos foram intensos, li com ferocidade, cheia de sentimentos contraditórios sobre as sensações que estavam descritas. Uma leitura agradável e desagradável ao mesmo tempo.

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