Ivan vai morrer, todos sabem, mas ninguém tem a coragem de dizê-lo. Resenha: A Morte de Ivan Ilitch de Tolstói

O primeiro contato que tive com a leitura de Tolstói foi com Anna Karenina, no começo desse ano (2020), depois não pensava que leria outra obra do autor tão cedo. Mas por uma ironia do destino decidi ler A morte de Ivan Ilitch, lançado em 1886, em uma leitura coletiva. Comprei a edição da Antofagica e foi uma ótima surpresa, tanto pela estética, quanto pelo conteúdo.

Conde Tolstói foi, na minha humilde opinião, e na opinião de Dostoiévski, Nabókov, Joyce, Proust, o maior nome da literatura russa. Escreveu diversos romances, além disso, criou uma linha de pensamento chamado Anarquismo Cristão. Teve diversos seguidores, alunos e admiradores, o mais conhecido deles foi Mahatma Gandhi. Liev Tolstói era um aristocrata às avezas, estava mais próximo de ideais libertários do que do conservadorismo Russo, vivendo mais próximo dos camponeses do que dos nobres. A escrita sempre foi presente em sua vida, nunca parou de fazê-lo, nem quando estava lutando na guerra da Crimeia.

Apesar de abordar um assunto tão complexo como a morte, este livro é atemporal e pode ser lido por qualquer um, por ser pequeno e simples. Ivan Ilitch vai morrer, ele sabe disso, nós sabemos disso, as pessoas próximas a ele também sabem disso, mas ninguém tem coragem de dizer-lo. Então, falou Tolstói, que nos mostra com minúcias o que alguém que está com uma doença sem cura se sente, morrendo aos poucos, sofrendo sozinho, sem ninguém que dê carinho e atenção.

Conhecemos um pouco da vida pregressa de Ivan, como ele se tornou juiz e como ele conheceu a mulher que seria sua esposa, mãe de seus filhos, com quem tem um relacionamento difícil que só se mantém por aparências. Ele é um homem extremamente dedicado ao trabalho, que se diverte jogando com os amigos e passa mais tempo fora de casa do que dentro. Têm um salário mediano e faz parte da classe média alta. Um homem ordinário que leva a vida seguindo os rigorosos protocolos da hipócrita sociedade russa. Em certo momento se arrepende de ter vido sem viver, o que nos traz reflexões importantes sobre a vida, mas ja era tarde demais.

Li este livro em dois dias, e tive diversas sensações sobre ele. A leitura é fluida e as passagens sobre a doença são angustiantes pois começa apenas como uma pequena dor e depois aumenta, aumenta, até se tornar insuportável. Para finalizar deixo aqui meus parabéns a Tolstói por escrever de forma tão limpa e simples este pequeno romance complexo, e ao tradutor que conseguiu manter o texto assim: limpinho limpinho.

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