Este livro pode ser insosso mas nos ensina sobre humanidade – Resenha: Flores para Algernon de Daniel Keyes

Flores para Algernon estava quase um ano parado na minha estante, pois tinha medo de começar e não gostar. A literatura estadunidense não me agrada, apesar de haver algumas exceções, claro, sou apaixonada pela escrita da Patti Smith e estou feliz por ter descoberto Octavia E. Butler, mas, no geral, acho que eles escrevem de um modo insosso. E foi esta sensação que tive ao longo deste livro, não que ele seja ruim, não é, mas falta tempero. O autor Daniel Keyes foi professor de escrita criativa por muitos anos, ganhou prêmios importantes da ficção científica e trabalhou na Marvel. Seu currículo é extenso e imponente, sua escrita não. Duvido que ele teria sido tão cotado se fosse negro, ou mulher.

Escrito no fim dos anos 50 em uma Nova Iorque pós segunda guerra mundial, onde a guerra fria era, ainda, uma criança e o homem não havia pisado na lua. Época em que cientistas estadunidenses, inspirados nos nazista, fizeram diversos experimentos em humanos, desde separar bebês gêmeos até dar doses cavalares de LSD para “ver” o que acontecia. Inclusive, muitos dos cientistas alemães que apoiaram o terceiro Reich foram importados para a terra da “liberdade”.

Logo no início do romance nos é apresentado Charlie e Algernon, duas cobaias, bichos de laboratório, o primeiro é um humano, apesar de não ser visto desta forma, o outro é um rato. Algernon passou por uma cirurgia para ficar inteligente, Charlie passará pela mesma. Ele é um homem em seus 30 anos, com dificuldade de aprendizado e um quociente de inteligência abaixo do normal. Ele quer mudar essa sua condição, entendemos o motivo ao longo da história, então sua professora o inscreve para o programa. Charlie é sensível, educado e ingênuo, ele escreve relatórios de progresso e é por meio deles que descobrimos o que ele vê e sente. No início eles são mal escritos e depois se tornam cada vez melhores.

Ao longo deste processo Charlie se lembra de como as pessoas foram agressivas e rudes com ele, apenas, porque ele não compreendia o mundo como uma pessoa comum, foi maltratado pela mãe, por colegas, pela irmã. Uma tristeza envolve os capítulos e nos faz pensar no modo como nossa sociedade lida com pessoas diferentes, que são feridas fisicamente e psicologicamente. Ou seja, nós temos o dever de mudar estes comportamentos e não permitir que coisas assim aconteçam.

Nos capítulos em que Charlie se torna inteligente, encontramos uma inteligência mal construída mostrada através da fala do personagem que diz saber muitos idiomas e lê rapidamente. Nesta parte descobrimos um Charlie prepotente e arrogante, muito diferente do homem doce de alguns capítulos antes. Vemos, então, o quão importante é a inteligência emocional e como, aos poucos, construimos ela com nossas experiências e vivências. Este livro pode ser insosso, com personagens previsíveis e totalmente planos mas ele nos ensina sobre humanidade, sobre o cuidado e o respeito que devemos ter com as pessoas, independente de quem seja, ou como seja. Uma verdadeira lição de vida.

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