Resenha: Tempo de Graça, Tempo de Dor de Frances de Pontes Peebles

Esse livro conta a história de duas amigas que se conheceram ainda criança no engenho de açúcar Riacho Doce. Uma é Das Dores, a Jega, órfã criada pela cozinheira da casa e maltratada por todos. A outra é Graça, a patroinha. Ela se tornam inseparáveis, como irmãs. Se apaixonam pela música depois que a mãe de Graça as levou em um concerto na capital. Desde então elas sonham em se tornarem cantoras de rádio. Graça perde a mãe, cresce e se vê obrigada a casar. Elas então fogem de uma escola religiosa onde o pai as prendeu depois de espantarem, de um modo brutal, um dos pretendentes de Graça. Acabam na Lapa, e é aí que a história engata. Vemos a beleza do samba e percebemos que uma tem mais talento, para cantar, que a outra, que é uma excelente letrista. Ares de Carmen Miranda permeiam a história. O livro é narrado em primeira pessoa: Das Dores nos conta sobre a vida de Graça, desde a infância, até o estrelato em Hollywood.

Foi lindo ver a Lapa dos anos 30 e o início do samba no Rio. Samba que começou no recôncavo baiano e que foi apoiado por Mães de Santo quando criminalizado. As personagens não são amáveis, mas reais. A amizade entre Das Dores e Graça é intensa, sexual e destrutiva. As duas se amam, mas, também, se invejam. Os sentimentos reprimidos nos mostram como era difícil ser uma mulher naquela época, e como ainda é. Vemos, também, como Hollywood sugava, até a última gota, os vulneráveis. Como pano de fundo temos a segunda guerra e a ditadura de Vargas. O livro nos mostras os altos e baixos de uma história emocionante que traz personagens icônicos como a Madame Satã.

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