Quem foi Patrícia Galvão a.k.a Pagu – Greves, prisões, torturas, modernismo.

Pagu foi muitas coisas, primeiro uma mulher à frente do seu tempo que tinha sido criada no seio de uma família tradicional, feita para casar e ter filhos. não aceitou essa condição, isso um século atrás, quando a mulher ainda não podia votar, ter conta em banco, nem viajar sem autorização do marido. Ela foi uma grande ativista comunista em uma época de intensa perseguição. Aos 14 engravidou e fez um aborto. Aos 15 começou a trabalhar como jornalista com um pseudônimo, profissão que a acompanharia para sempre. Aos 19 já contribuía para a revista Antropofágica. Enfim, esse é só o começo de uma vida agitada.

TRIÂNGULO AMOROSO DO MODERNISMO

Oswald de Andrade e Tarsila do Amaral eram o grande casal do Modernismo brasileiro. Porém, tudo mudou quando uma jovenzinha de 18 anos se juntou a eles. Pagu que já trabalhava como jornalista passou a colaborar com a revista Antropofagia. O casal ficou encantado com a moça mas foi ele, Oswald, que decidiu se separar para se casar com Pagu. Foi um escândalo, Tarsila ficou arrasada, assim como a sociedade paulistana. O casal não estava nem aí, se uniram em uma cerimônia pra lá de excêntrica no Cemitério da Consolação, em São Paulo, em 30. Tiveram um filho e ficaram juntos até 34. Terminaram devido as constantes traições do escritor. Pagu, desquitada, foi morar sozinha com o filho, outro escândalo.

PARQUE INDUSTRIAL

Seu primeiro livro foi publicado em 1933: Parque industrial, o primeiro romance proletário brasileiro. Nessa época ela deixou o jornalismo de lado e foi trabalhar no chão de fábrica. Em tons de roteiro Pagu, com o pseudônimo Mara Lobo, conta a história de um grupo de pessoas que trabalha nas fábricas do Brás, estudantes e pessoas da elite. As histórias se entrelaçam e se tornam até caricatas na grande e importante critica que Pagu faz da sociedade paulista. Ela consegue expor temas muito fortes, como violências, desigualdades, descasos, de maneira crua e sincera.

PRISÕES E TORTURAS

Sua primeira prisão aconteceu quando ela estava no meio de uma greve de estivadores em Santos. Naquele mesmo dia enfrentou a cavalaria para proteger o corpo de um companheiro. Pagu participou ativamente do Partido Comunista Brasileiro e foi perseguida, principalmente, depois do levante armado de Prestes em 35. Nessa ocasião foi presa e torturada por dias, isso a levou a depressão e a uma tentativa de suicídio. Ela rompeu com o partido comunista para seguir a linha trotskista. Foi presa pelo menos 23 vezes.

GRANDES VIAGENS

Podemos dizer que Pagu se jogou no mundo. Deixou o filho com Oswald (escândalo) e foi para China, onde dizem ter ficado muito amiga do último imperador chinês. Dele ganhou sementes de soja, e foi assim que a soja foi introduzida no Brasil. Depois disso ela fez a rota de trem transiberiano (meu sonho) e entrou na Europa. Filiada ao Partido Comunista Francês foi presa algumas vezes em Paris por ser uma agitadora e deportada.

TEATRO E ARTES

Depois das torturas ela se casa pela segunda vez e tem seu segundo filho. Volta a trabalhar com jornalismo, e estuda artes cênicas. A família se muda para Santos e lá ela coordena Teatro Universitário Santista e assume a presidência da União dos Teatros Amadores da cidade. Se torna colunista sobre teatro em um jornal local e dirige algumas peças, como Fando e Lis, que recebeu vários prêmios. Além disso ela se tornou patrona da arte na região, escrevendo críticas nos jornais, onde viveu até sua morte em 62 de um câncer no pulmão.

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