5 motivos para ler mais mulheres hoje!

As privações relegadas ao sexo feminino sempre foram muitas. Não tínhamos educação formal, poder econômico, nem liberdade de escolha. Quando colocamos as questões de raça e classe as coisas pioram. Até pouco tempo atrás as mulheres eram consideradas inferiores em vários aspectos. Em 115 anos de prêmio Nobel, apenas 13 mulheres foram vencedoras. Nos 60 anos do Jabuti, só 19,9% dos 84 vencedores na categoria romance foram mulheres. E essa discrepância continua.

O machismo no mundo literário existe. Como podemos acabar com isso?

1. Por que tão poucos homens leem livros escritos por mulheres?

Segundo o The Guardian existe uma relutância do público masculino ao ler escritoras mulheres. Uma pesquisa demostrou que das 10 escritoras bestsellers apenas 19% de seu público era masculino. Em comparação aos escritores, 55% eram masculinos. O que explica isso? Eu acredito que ainda nos veem como inferiores e que nossa produção intelectual é desnecessária.

2. Os prêmios que as mulheres não recebem!

Ainda segundo o The Guardian a novelista Kamila Shamsie, que já foi jurada em alguns concursos testemunhou essa assimetria. “Mulheres juradas escolhem livros dos dois sexos, já os jurados, na maioria das vezes, escolhem livros de outros homens”. Veja, por exemplo no Brasil, o concurso de literatura do SESC só escolhe homens há anos. Ou seja, quando entramos em uma competição já estamos em desvantagem.

3. As desculpas que os homens dão!

Muitos dirão: “Se o livro daquela mulher fosse bom teria se tornado um clássico”, ou “Não me importo com o gênero quando escolho um livro para ler”. Esse discurso demonstra uma falta de conhecimento histórico e um pouco de misoginia. Levantando uma outra questão: “Será que grandes clássicos escritos por homens seriam tão clássicos assim se fossem escritos por mulheres?”. Eu duvido.

4. Os pseudônimos que são uma necessidade!

Imagina como não era terrível ter que se esconder atrás de um nome masculino para ser aceita intelectualmente. As irmãs Brönte se tornaram os irmãos Bell; Mary Ann Evans se tornou George Eliot; Colette teve que assinar com o nome do marido, Willy. Assim como Mary Shelley, que assinava apenas como Shelley, o marido. Mulheres que ousavam usar seu próprio nome eram duramente criticadas. Até os dias de hoje elas tem que esconder seu nome feminino para serem aceitas, como J.K Rowling, que foi orientada a esconder o Joanne, e N.K Jemisin, que escondeu o Nora.

5. Criando uma voz própria

Considerando tudo isso podemos dizer que as narrativa escritas por homens definem uma realidade universal feita por eles, homem branco e hétero. Que nem de longe é realidade de todos. E tudo que está fora disso é considerado um nicho. Como metade da população pode ser considerada um nicho? Os livros escritos por mulheres também podem uma verdade universal para nós. Quando lemos mulheres podemos encontrar nossa própria voz na voz de nossas irmãs que escrevem. E isso é extremamente importante.

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