Como escrever um conto incrível | 6 dicas para começar a escrever hoje!

Uma das coisas que aprendi na pós foi como escrever um conto potente. Um conto que prenda a atenção de quem está lendo e crie sensações fortes em poucas páginas. O que eu quero aqui e te ajudar a escrever contos muito melhores, com dicas que eu mesma uso e que aprendi escrevendo, lendo e com meus professores.

Bom, já pega seu caderninho e uma caneta para anotar tudo! Vamos lá?

6 dicas para você escrever um conto incrível hoje!

Dica 1: Escolha um fio condutor para brilhar na sua história

Você não precisa de uma ideia genial para escrever um conto incrível. Você precisa apenas do fio condutor, que pode ser tudo que você imaginar, um final, um personagem, um tema, um tipo de narrador, uma mensagem que você quer passar. Esse fio condutor vai ditar o tom da história e vai te levar até o fim. É ele que deve estar brilhando, tudo além disso é dispensável. Foque no fio sem fazer desvios para as outras ideias que surgirem. Assim, o conto fica mais conciso e menos confuso.

Dica 2: Foque em um, ou dois personagens no máximo.

contos devem ter poucos personagens, isso não é uma regra restrita, nada aqui é. Mas um conto potente geralmente não tem desvios para outras narrativas. Outra coisa, os personagens de contos são diferentes dos de Romance. No conto você não precisa mostrar eles por inteiro, você pode escolher fragmentos que fazem sentido para história. O passado do personagem só é importante quando isso interfere suas escolhas no presente.

Dica número 3: O conto é todo sobre cenas!

Ações, ações, ações. Ele é para te deixar sem fôlego, lendo e escrevendo. Então aposte em cenas e esqueça as grandes descrições, e os flashbacks. Foque no aqui e no agora do personagem.

Dica 4: Estruture! Um conto precisa ter começo, meio e fim.

Quando eu não sei muito bem o que escrever eu abro uma página em branco e divido em três e coloco tudo que quero em cada parte. O começo é a introdução da história, a apresentação de um conflito. O meio é o desenrolar desse conflito, onde as coisas ficam tensas. E o fim é o grande nocaute.

Dica 5: Segundo Cortázar um conto te vence pelo nocaute!

Enquanto o romance deve vencer por pontos o conto deve ter um final brutal, daqueles que te fazem ficar pensando horas no que aconteceu. O final do conto é para impactar mesmo, por isso muita gente escolhe ele como fio condutor.

Dica 6: A arma de Tchekhov.

Vocês devem conhecer essa, mas estou falando aqui porque para mim essa é a grande sacada do conto. Bom, ele diz que:

“Se no primeiro ato você colocar uma pistola na parede, no seguinte ela deve ser disparada. Em outro caso não coloque ela lá.”

E o que isso significa? Que tudo que tem dentro de um conto (no caso ele fala do teatro mas sabemos que ele foi um grande contista também) deve ser essencial, nunca coloque nada a mais, nunca deixe arestas soltas, o conto deve ser conciso e tudo que tem lá deve ser estritamente o necessário.

Espero que essas dicas te façam escrever um conto incrível!

Me conta nos comentários se essas dicas foram úteis ou se você tem algo para adicionar.

Assista a esse vídeo no Youtube:

Resenha: Temporada de Furacões de Fernanda Melchor

A narrativa instigante de Temporada de Furacões é para ser lida em um fôlego só. Com frases gigantesca que não terminam onde deveriam, o livro, na minha visão, é uma mescla de nomes importantes da literatura como Virginia Woolf e Gabo. Cito a Virginia porque o fluxo de consciência é feito com maestria e me fez entrar dentro da cabeça dos personagens, que vivem em uma vila pobre do México chamada La Matosa, onde a violência fala mais alto do que o bom convívio entre os habitantes. Cito o Gabriel García Márquez porque a vila onde se passa Temporada de Furacões me levou até Macondo.

A narrativa é cheia de incômodos e inicia com um corpo putrefato na beira do rio. Esse corpo pertence a Bruxa, um travesti, ou seria uma mulher trans? Não sabemos ao certo pois sua mãe a criou como menina desde sempre. Esse é um dos pontos muito interessantes no livro pois descobrimos isso apenas na metade da narrativa. A Bruxa é filha de uma mulher que era a “bruxa” antes dela e as duas tiveram uma vida muito sofrida apesar de sempre ajudarem quem pedia. Elas tinham o conhecimento das ervas o que era muito útil para os habitantes da região que muitas vezes abusavam delas.

Por ser muito conhecida, a morte da Bruxa abala a cidade. A partir daí conhecemos a subjetividade dos personagens que estavam próximos a ela. Cada capítulo descobrimos uma voz narrativa diferente, com suas peculiaridades e vontades. A rudez das pessoas que vivem ali é clara, assim como brutalidade que os personagens carregam. Para mim pareceu que os personagens estavam sob testemunho contando cada passo que deram até a descoberta da morte da Bruxa (e depois) e o que viram nesse caminho. 

O machismo, a violência (tanto verbal quanto física), a falta de cuidado uns com os outros, as drogas e o sexo, são constantes e comum na vida de cada um desses personagens que reproduzem o que sempre viram. Exceto apenas por Luismi que parece mais doce do que os outros, mas pode ser pelo fato dele estar sempre chapado. De qualquer forma, não podemos dizer que os personagens são bons ou ruins, todos eles são complexos e bem construídos, parecem pessoas reais, que são filhas do seu meio.

A homossexualidade também é um tema presente no livro e o modo como os personagens lidam com isso me surpreenderam, as vontades estão em camadas e muitos dos personagens usam isso para afirmar sua masculinidade. O livro também nos mostra, com o personagem Brando, como a vontade de afeto para com o mesmo sexo é reprimida deixando espaço apenas ao carnal. Além disso, o afeto é uma das grandes faltas para os personagens do livro e acredito que a maioria deles desejam isso, de acordo com várias passagens, e isso fica evidente quando conhecemos Norma.

Ao todo, eu achei o livro muito interessante, tanto na temática quanto na forma. A linguagem e a construção de frases são usadas para rasgar alguma coisa dentro da gente, mas mesmo assim não queria parar de ler. A forma me prendeu (deve ser porque sou uma grande fã de Virginia Woolf e não me deparo com livros escritos dessa forma com frequência), assim como a narrativa escrita em camadas e recheadas de descobertas que me fez caminhar até o fim em poucos dias.

Crescer com a crítica – Dica valiosa para quem quer começar a escrever.

Tava aqui pensando: quando escrevemos algo e colocamos no mundo, estamos passíveis a críticas. Às vezes pode ser doloroso, porque a gente se apega ao material que temos. Eu estou escrevendo um romance que se chama Uma mulher quebrada, e eu sabia que não tava lá essas coisas.

Aí, eu decidi que era hora de mostrar para meus colegas da pós (temos oficinas onde criticamos textos dos colegas e eles criticam o nosso), mesmo sabendo que ia chover crítica. Eu tava muito nervosa porque ninguém gosta de ouvir que o seu trabalho de anos está ruim, né? 

Mas mesmo assim reuni forças e mandei três capítulos. Minha barriga doía, juro. Sabia que ia ter muita coisa para arrumar. Mas sabe, foi a melhor coisa que eu fiz. Eles olharam com outros olhos (os meus já estavam saturados daquele texto), mostram as incongruências, o que tinha que melhorar e o que já estava bom. 

Eu me mexi, arrumei tudo que eles disseram e aprumei outras coisas que achava que fazia sentindo para história. O livro já estava completo, e agora eu estou reescrevendo ele inteiro, apesar de ainda não ter respostas para algumas questões. Enfim, foi muito importante ter pessoas ao meu lado criticando (com delicadeza) meu texto. As entregas foram passando e eu vi (meus colegas também) como melhorei nesses últimos meses.

O processo de escrita é longo, requer cuidado e ajuda. Hoje já não fico nervosa quando entrego um texto. Fico até feliz!