Escrituras para um fim de ano!

2021 foi um ano muito tumultuado para mim, um daqueles anos onde todas as ruas se convergem em uma. O Covid, que tive duas vezes; o tumor na tireóide que eu descobri no final de 2020; a pós graduação que decidi começar mesmo com todas as coisas fora do lugar; o Clube do Livro Contemporâneas, que foi uma grande alegria nos momentos mais intranquilos; Uma mulher quebrada, o livro que continuei trabalhando mesmo quando tudo parecia se desfazer dentro dele. 

O cansaço do meu corpo pelo o estresse e a depressão aumentavam, mas eu queria fazer todas essas coisas: escrever, incentivar a leitura de escritoras mulheres, estudar, criar. Confesso que deixei essa página um pouco de lado na época em que fiz a cirurgia de retirada do tumor e depois quando estava no processo de recuperação. Porém, tudo deu certo e em novembro eu estava curada. 💕

A pós graduação ainda está em andamento. Contra o COVID eu tomei a terceira dose. Uma mulher quebrada ainda está sendo trabalhado. E o Rumo ao Farol, apesar das idas e vindas recebeu presentes maravilhosos! 5 escritoras independentes mandaram seus livros para mim. Cada livro que eu recebia meu coração ficava quentinho, porque significava que o que o Rumo ao Farol estava fazendo o que se propôs. Ainda não tive tempo de ler alguns, você que me acompanha sabe de todas as leituras obrigatórias que tive esse ano, mas minha meta para janeiro de 2022 é ler todos eles. 

@contosdesamsara Michele Fernandes, @renatasferri Renata Ferri, _marilia_sk Marília Santos Krüger, @rafatavareskawasakiRafaela Tavares e @marceladantes Marcela Dantés, agradeço a confiança de vocês em mim e no Rumo ao Farol e espero que o livro de vocês voem para mais pessoas nesse ano que vai entrar. É muito bonito ver, que mesmo no Brasil, onde tem um número baixíssimo de leitores, e pouco incentivo para as letras, vocês tiveram a coragem e a paciência de colocar essas histórias no mundo! É um feito para se orgulharem. Espero que em 2022 eu entre para essa turma das mulheres publicadas também, junto de vocês. ✨

OBRIGADA!

MELHORES LEITURAS DO ANO | bell hooks, Dostoiévski, Maria Valéria Rezende, Fernanda Melchor e mais!

Nesse vídeo eu vou fazer uma retrospectiva das minhas melhores leituras do ano. 2021 Está terminando, então não poderia faltar essa listinha aqui no blog, né? Você não vai se arrepender se fica até o final porque as leituras foram boas, tá bom? Vem comigo!

Ual, que ano ein gente? Esse ano foi muito estressante para mim, tive um câncer na tireóide, me curei, comecei a pós de formação de escritores, onde eu tive que ler MUITO e escrever MUITO, mas deu tudo certo! também! Finalizei 50 livros esse ano e entre todos eles eu escolhi 5. Foi difícil escolher só 5 para compor essa listinha que tá TUDO! Tem livro escrito por mulher brasileira, tem livro que eu li para pós, tem livro de um russo famoso, tem livro de não ficção (vou dar um spoiler: bell hooks) e tem até livro de conto, e olha que eu não sou muito fã de conto não.

1) Crime e Castigo de Fiódor Dostoiévski!

Eu li memórias de subsolo alguns anos atrás e não achei nada de mais, podem me julgar por isso: achei pedante e chato, simples assim. Depois eu tentei ler Crime e Castigo traduzido do Francês e foi uma experiência horrorosa, não consegui passar das primeiras vinte páginas. Fiquei com um pé atrás em relação ao Dostoiévski!, apesar de amar a escrita de um outro russo o Tolstói.

Aí, por força do destino, minha professora de oficina maravilhosa, a Carol, me recomendou ler alguns russos, de preferência Dostoiévski, porque ela achou seria uma boa referência para o livro que estou trabalhando. Então, peguei essa edição traduzida do russo na estante do meu irmão e fiquei embasbacada: a leitura fluiu demais.

Acho que você já deve saber sobre a história desse livro, é um clássico! Mas vou contar um pouquinho sobre ele: conhecemos Raskolnikov um jovem estudante bem pobre que mora em um cubículo longe de sua família. Lembrando que a sociedade russa dos Czares era extremante desigual. Ele está enfrentando uma depressão e fica dias planejando o assassinato de uma senhora que penhorava objetos de valor, assassinato inspirado em Napoleão. Até que ele comete o ato, mata a velha e a irmã dela. Depois disso tudo que acontece passa pelo próprio filtro moral do personagem e questionamentos surgem: ele vai se entregar? Ele vai ser descoberto? As pessoas próximas a ele começam a suspeitar de suas atitudes erráticas.

Sua mãe e irmã vão aparecer com questões, principalmente quando a irmã a Dúnia decide se casar por interesse, o que Raskolnikov não aceita. Teve um personagem que eu gostei muito que é o contrapondo de Raskolnikov, seu amigo Razumíkhin, que é tão pobre quanto ele mas não é acometido pela melancolia do outro. É muito interessante ver como a depressão já era explorada de uma maneira tão real lá no fim do século 19. A heroína da história é a Sônia, uma jovem prostituta que teve que vender seu corpo para dar de comer aos irmãos e acaba se aproximando do Raskolnikov, que a trata sem nenhum julgamento. https://amzn.to/3zaA0s7

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2) Carta à Rainha Louca da Maria Valéria Rezende

Esse foi o primeiro livro que lemos no Clube do Livro Contemporâneas e foi uma felicidade. Porque é um livro bom pra caramba. A Maria Valéria Rezende é uma senhora com 79 anos, lançou seu primeiro livro com 60, ou seja, nunca é tarde né? Ela é uma freira que rodou as Américas alfabetizando pessoas, sindicalistas e camponeses. Ela dava rolê com o Gabo e o Fidel em Cuba, ok? Só isso já tá bom?

Tem resenha completa de Carta à Rainha Louca aqui no blog, mas eu vou falar um pouco, para você ficar com um gostinho de quero mais. Nesse livro conhecemos Isabel das Santas Virgens que está presa no convento do Recolhimento da Conceição em Olinda. É 1789 e ela começa a escrever uma carta para a Rainha Maria I, rainha de Portugal conhecida como “A louca”. Isabel clama por justiça em um relato conturbado, onde ela faz críticas verozes tanto a religião quanto a sociedade colonial, onde ela, mulher pobre e sozinha no mundo depende da sorte para viver nessa terra hostil.

A leitura é um pouco confusa no começo, tive que usar da leitura ativa, e de um dicionário, para entender as minúcias escondidas no texto de Maria Valéria Rezende, que fez uma releitura histórica belíssima. Ela mostra com crueza e muita ironia como funcionava as classes sociais no Brasil colonial. E crítica com muita força, e depois rasura, isso mesmo, o livro traz rasuras.

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3) O sofredor do ver de Maura Lopes Cançado

Outro livro que li na pós graduação dessa fez na matéria sobre escritores esquecidos. Esse livro é um conjunto de contos autobiográficos escritos por Maura Lopes Cançado. Aqui ela nos mostra seus momentos longe do filho, seus romances, suas indas e vindas de instituições psiquiátricas e a decadência de sua vida. Ela foi uma autora polêmica e acho que é por isso que não fez sucesso.

Ela tinha uma excentricidade única desde a infância, cresceu em uma família rica, adorava voar e existem boatos de que ela derrubou um avião mini motor, se machucou mas não morreu. A escrita dela é tão sensível, tão bonita e também experimental, me cativou tanto. Eu recomendo esse livro para todas as pessoas. Maura Lopes Cançado dizia que ela era a melhor escritora brasileira de todos os tempos, acho que ela tinha um pouco de razão, porque esses contos são belíssimos, e olha que eu nem gosto muito de contos.

Sua personalidade era forte e ela não levava desaforo para casa, arranjou briga com inúmeros ilustres da literatura e torrou toda a herança que recebeu. Era uma mulher muito a frente do seu tempo, em um mundo onde mulheres não podem se expressar, acho que é por isso que tanta gente fala sobre o quão difícil, arrogante e louca que ela era. Sim, LOUCA, era o que diziam, mas será que podemos acreditar?

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4) Temporada de Furacões da Fernanda Melchor

Temporada de Furacões é um livro que li para pós e já comentei sobre ele no vídeo sobre prosa contemporânea! Eu amei tanto que decidi colocar ele nessa lista aqui. Ele foi escrito por Fernanda Melchor uma mulher mexicana e ganhou vários prêmios. Imagina uma escrita tipo Virginia Woolf com uma ambientação bem Gabriel García Márquez. Eu já escrevi uma resenha completa dele aqui. 

O livro começa quando um corpo é encontrado, esse corpo é de uma personagem denominada A Bruxa, uma curandeira da região, e ao longo dos capítulos descobrimos mais sobre essa mulher. Os capítulos são em terceira pessoa, mas cada um foca em um personagem com um fluxo de consciência sufocante. 

Os personagens vivem em uma cidade extremamente pobre chamada La Matosa e chega em um ponto que os capítulos se tornam confessionais como se ele estivessem sob testemunho. Muitos assuntos delicados são tratados aqui, então temos que ler com cuidado.

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5) Ensinando pensamento crítico da bell hooks

Deixei por último porque ainda estou abalada com a notícia da morte dela. Sabe quando você imagina que a pessoa vai ficar velhinha ainda produzindo essa imensidade de livros e pensamentos que ela fazia? Era o que eu sentia sobre ela. Esse livro mexeu comigo, primeiro porque ela cita Paulo Freire logo de cara e ela nos mostra aqui como o ensino deveria ser mais humanizado.

E além disso, ela diz que a educação deveria ser um espaço para pensamento crítico e não reproduções de padrões pré estabelecidos. Era isso que ela combatia, o conservadorismo e a ignorância. Ela queria que pensássemos por nós próprios, e isso é muito importante para mim, porque sempre acreditei que devíamos ter uma visão crítica do mundo. Ela foi uma mulher negra, uma professora, uma educadora, uma feminista engajada, e uma das principais intelectuais americanas. Ela falou sobre amor, sobre empatia, sobre amizade, sobre respeitar as diferenças, sobre aceitação. Todos deveriam ler bell hooks.

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Ficamos por aqui hoje, espero que tenham gostado da minha lista! Me conta se já leu algum desses livros nos comentários? Obrigada por me acompanhar! Beijos.

A CABEÇA DO SANTO de Socorro Acioli: Resenha – Gabriel García Márquez e o realismo fantástico brasileiro.

A cabeça do santo nasceu de um conto que deixou Gabo entusiasmado. O livro inclusive começa com uma dedicatória a ele mesmo: Gabriel García Márquez, que foi mentor da Socorro Acioli em uma oficina feita em Cuba em 2006. Descobrimos essa relação física apenas no final do romance, mas já sentimos as referências logo no início. Samuel está há dezesseis dias peregrinando pelo Ceará, ele foi da região do Cariri, famosa pelos cordéis e pelo Padim, padre Cícero, que por sua vez é famoso pelo respeito que Lampião tinha por sua pessoa, mas não só por isso, claro; até a região do Canindé, onde uma grande estátua de São Francisco atrai turistas e fiéis, a pé.

ÚLTIMA LEITURA DO ANO DO CLUBE DO LIVRO CONTEMPORÂNEAS!

RESENHA DE A CABEÇA DO SANTO DE SOCORRO ACIOLI – O REALISMO FANTÁSTICO BRASILEIRO!

Depois da morte de sua mãe Mariinha, Samuel busca, a pedidos da mesma, por seu pai, apenas com o endereço e nome da avó, que vivia em Candéia uma cidade minúscula perto de Canindé. A avó, segundo Mariinha, era muito bondosa e poderia ajudá-lo. O pai havia deixado a mãe com a promessa de que voltaria com muito dinheiro, mas nunca voltou, e ela nunca se conformou, achava que sim, algo de muito grave tinha acontecido. Samuel estava cético, mas prometeu para a mãe, em seu leito de morte, que encontraria o pai e acenderia três velas: uma para o Padim, outra para Santo Antônio, e para finalizar uma para São Francisco.

Você pensa que foi fácil? Nananinanão! Samuel sofreu, mendigou e foi atacado por cães raivosos até encontrar a avó que o mandou até a cabeça do Santo. Sim, uma cabeça de Santo Antônio gigante que deveria estar presa ao corpo, mas, por motivos que não posso dizer porque seria spoiler, estava deixada as traças, e a outros animais, no pé do morro. Samuel se abrigou de um temporal ali e começou a escutar as rezas das mulheres da região que pediam ao Santo um marido.

Enquanto sofria de um grave ferimento causado por cachorros selvagens Samuel conheceu Francisco, um rapaz que se esgueirava para dentro da cabeça para fazer saliências consigo mesmo. Uma amizade inusitada começou e os dois resolveram ajudar uma das mulheres a se casar. À partir daí Samuel virou um grande casamenteiro e grandes milagres aconteceram na região. Aglomerações se formaram em busca de amor e a cidade que estava em desasgraça retorna a vida.

Nesse ínterim mistérios são revelados, personagens se cruzam, histórias do povo de Candéia e Canindé são contadas. Eu me divertir descobrindo cada causo inesperado que se passou naquela pequena cidade. É um livro gostoso, até emocionante, cheio de segredos muito bem trabalhados. A escrita de Socorro é estimulante, ela te conduz através da história sem verborragias desnecessárias, mas com um drama sutil e delicioso. Torcemos para que os personagens encontrem o destino pelo qual estavam destinados e esperamos que um milagre se faça para aquele moço milagreiro que surgiu do nada.

Quero escrever um livro, por onde começo? | Como escrever um romance em 10 passos!

Se você encontrou esse artigo é porque sonha em escrever um livro. Então eu criei esses passos para ajudar escritores iniciantes com tudo que aprendi nos meus anos de pesquisas e leituras. Eu inclusive já passei por isso, lá em 2018 quando estava tentando escrever meu primeiro livro e não sabia por onde começar. O processo de aprendizado na escrita é infinito, mas separei 10 passos que você pode seguir que poderão facilitar a sua vida na hora de estruturar e escrever um livro.

Bom, já pega seu caderninho e uma caneta para anotar tudo! Vamos lá?

10 passos para você escrever um livro para quem quer escrever seu primeiro romance (ou para quem quer continuar a estudar)!

Passo 1: O livro começa na ideia.

Eu já falei sobre isso no artigo sobre como estruturar um conto, dizendo que uma narrativa sempre começa com uma ideia. Mas enquanto no conto a gente foca em apenas em uma ideia, no romance pode-se ter diversos temas embutidos. Isso é muito legal, porque você pode explorar diversos aspectos da vida e do contexto social de suas personagens.

Essa a primeira coisa que você define no seu livro, você pode criar toda a trajetória da vida de uma pessoa que quer ser famosa, por exemplo. Se você tem as ideia anote elas no papel e segue comigo para os outros passos

Passo 2: A criação do personagem principal e seus conflitos e problemas é o que faz a história girar.

O personagem é o fio condutor, aquilo que leva a história até o final. Então você precisa construir um personagem principal forte e humano, dando a ele características ambíguas, mostrando ele por inteiro, como um ser humano real que não é perfeito. Ele tem que ter qualidades e defeitos.

Então, anota aí no seu caderno tudo o que você precisa saber sobre ele: nome, idade, condição social e financeira, quem eram os pais, onde ele estudou, com o que ele trabalha, quais são seus sonhos, suas vontades, sua orientação sexual, como ele se vê, como os outros veem ele, onde ele passava as férias escolares, etc.

Passo 3: Estruture o universo.

Aqui podemos fazer aquelas perguntinhas básicas: Quando essa história se passa? Onde essa história está sendo contada? Quem está contando e por que? O universo que se dá a história tem que ser explorado minuciosamente, pelo menos na sua cabeça, porque isso faz muita diferença. Uma história contada no anos 30 é de um jeito completamente diferente de uma história contada nos anos 80, por exemplo.

As roupas mudam, o jeito das pessoas e o modo como elas falam também. Onde essa história se passa muda o tom da história também, no Brasil certas coisas são permitidas, já no Emirados Árabes não. Então tenha cuidado de deixar estruturado tudo isso. Digo o mesmo para quem está criando um universo novo, deixei bem claro as regras desse mundo novo para seu leitor visualizar ele com facilidade.

Passo 4: Os Personagens secundários são importantes!

Às vezes esquecemos da importância dos personagens secundários. Eles aparecem menos que o personagem principal mas quando isso acontece não pode parecer que ele foi colocado lá de qualquer jeito né?

Então dê ao seu personagem principal características que os torne reais, do mesmo jeito que você fez lá com o personagem principal. Sugiro fazer uma listinha com todas as características importantes e definidoras deles como pertencentes de algum grupo.

Passo 5: Pense no conflito do personagem!

Seu personagem principal tem que se deparar com um conflito durante a narrativa. Esse conflito pode ser tanto interno quando externo. O conflito interno é algo que ele quer mudar dentro de si, ou em alguma coisa relacionada a sentimentos e vontade. Por exemplo em Mrs Dalloway o conflito gira em torno dos pensamentos e vontades da própria Clarissa Dalloway e de Septimus Smith que luta contra uma stress pós traumático.

Já um conflito externo podemos encontrar em diversos livros de fantasia como Harry Potter, onde o conflito é do Harry contra o Voldemort. O conflito move o personagem e dá o tom dos acontecimentos, pois é ele que dá brilho para a história, então quanto mais instigante o conflito, melhor.

Passo 6: Escolha o tipo de narrador!

Como você quer que seu narrador fale? Muitas obras contemporâneas estão apostando no narrador em primeira pessoa porque ele se aproxima mais de seus próprios conflitos. Mas isso não é uma regra, pois existe o narrador em terceira pessoa observador como em Grande Gatsby, onde quem conta a história é um personagem, e também o narrador em terceira pessoa colado em um personagem e onisciente como em Crime e Castigo, aquele sabe de tudo.

Existe uma variedade de narradores, mas você tem que escolher o tipo dele antes de começar a escrever pois vai facilitar a sua vida. Assim você consegue definir as nuances dessa voz e as necessidades e impotências dela, pois um narrador em primeira pessoa não tem como saber o que os outros fazem e sente, a não ser que esteja muito próximo ao outro personagem.

Passo 7: Estruture seu romance!

Eu sempre bato nessa tecla porque é algo muito importante. Uma história precisa ter começo, meio e fim, mas não necessariamente nessa ordem. Você pode brincar, mas tenha consciência que não existe uma história forte se não passa por esses três momentos.

O início é onde o conflito começa. Você tem que pensar porque a história começa de um ponto e não de um outro? No romance que eu estou escrevendo eu tinha colocado um início muito distante de onde a história realmente começava, e alguns colegas que leram estranharam essa distância. Perdeu a força, sabe? Então acelerei a história para começar exatamente no início do conflito entre duas personagens.

O meio é onde começamos a ver as nuances e as consequências desses conflitos. O que os personagens fazem que aumentam a tensão, ou que diminue essa tensão? Quais as atitudes que eles vão tomar em relação a isso? Qual vai ser o embate entre os personagens?

O fim é o desenrolar de todos os conflitos, os fechamentos de cada núcleo da história, é onde toda a história vai ser amarrada. Diferente do conto o fim de um romance não precisa ser um nocaute, o clímax deve ver antes do final. Claro, um final em aberto é possível. Mas você tem que trabalhar para que apenas as pontas soltas que você quer fiquem para trás, nada pior do que histórias mal completadas por desleixo. E também nada de dar uma de Deus ex machina, inventando coisas muito óbvias para facilitar esse fechamento, o leitor percebe!

Passo 8: Pense em como serão os capítulos

Você quer escrever capítulos curtos ou longos? O que você quer que tenha nesses capítulos? Qual será o drama de cada um deles? Como os personagens vão interagir nesses capítulos? Quais deles vão aparecer?Lembrando que você pode pensar também em não colocar capítulo nenhum.

Enfim, eu gosto de escrever em uma página em branco mais ou menos o que vai ter em cada capítulo e sua duração. Faço um resuminho contando qual vai ser a ação, quais personagens estarão ali e quantas páginas eu quero escrever. Capítulos também tem que ter começo meio e fim bem estruturados.

Passo 9: Cena vs. Sumário

Cena é onde a ação acontece, é o encontro entre os personagens é a narração das idas e vindas deles, é aquilo que a gente vê da história. É a parte mais cinematográfica. O sumário é aquilo que nos é contado, é o passado dos personagens, é o retrospecto de tudo que aconteceu antes da história começar. Um bom romance tem que ter um equilíbrio das duas coisas. Virginia Woolf dizia que sempre intercalava as cenas e os sumários: um parágrafo para cena, outro para um sumário, uma cena, um sumário.

Tem escritores que gostam de fazer isso por capítulos, outros focam mais em sumários, o que é mais fácil de fazer quando se escreve em primeira pessoa, porque fica muito mais natural. Um ótimo livro cheio de sumários é Torto Arado. Então você pode brincar com isso, tem vozes narrativas que funcionam melhor narrando cenas e outras contando sumários, fica a seu critério.

Passo 10: Aposte em características específicas para seu personagem!

Trazer coisas bem específicas em relação ao personagem e em relação é história é uma das coisas mais importantes para tornar a história verdadeira. Nenhum ser humano é igual, cada um de nós temos nossas características e subjetividades, então os detalhes que você coloca na sua história transporta o real para dentro dela.

Ninguém quer saber sobre a coisas muito gerais, ao invés de dizer que um cara adora cerveja diga qual é a cerveja e o que ela representa para a pessoa. Ao invés de falar que um personagem é fã de esportes, mostre ele torcendo para o seu time do coração. Ao invés de falar que o seu personagem gosta de frutas, mostre ele chupando uma manga, entende?

Bom, com todos esses passos definidos você já consegue planejar um livro inteiro. Agora só depende de você sentar para escrever seu livro!

Me diga nos comentários se essas dicas foram uteis, se é dessa forma que você estrutura um conto, ou se usa de outros artifícios, ok?

Os melhores livros de prosa contemporânea para ler hoje | 8 livros que li na pós graduação!

Nesse post eu vou falar dos 8 livros que li na matéria da pós graduação sobre prosa contemporânea, que podem ser considerados os melhores livros de prosa contemporânea da atualidade! São livros que ganharam prêmios, ganharam o coração da crítica e venderam muito: em todo mundo! Tem dois livros nessa lista que eu AMEI e foram dois dos melhores do ano, mas outros dois eu achei que não era para tudo isso não.

Eu sou aluna de pós graduação em formação de escritores no instituto Vera Cruz, e esse bimestre me inscrevi em uma matéria sobre prosa contemporânea, onde junto com o professor, nós destrinchamos oito livros, tentando entender o que fazia deles livros de sucesso, e porque ganharam tantos prêmios e aclamação da crítica. Cada livro tem sua característica inovadora e conversam muito com nossas questões contemporâneas.

Vou falar um pouco de cada um deles, mas sem dar spoilers sobre seus finais ou acontecimentos importantes. Seguirei a ordem de leitura que a gente leu para pós, que foi do livro mais curto, para o mais longo.

Lista com pequenas resenhas dos melhores livros contemporâneos para ler hoje:

1) A vegetariana de Han Kang

A vegetariana é um livro da sul coreana Han King! Ele foi lançado em 2007 mas se tornou um sucesso internacional depois que venceu o Man Booker Internacional Prize de 2016. No Brasil ele só foi publicado em 2018 pela todavia. O livro é dividido em três partes com três narradores diferentes, todos em primeira pessoa.

A personagem principal, Yeonghye, decide ser vegetariana depois de ter sonhos sangrentos em relação a carne. No primeiro capítulo lemos o que o marido dela sente em relação a isso. Ele é uma pessoa comum, super mediana e fica muito bravo com a escolha da esposa. A voz de Yeonghye aparece aqui por meio de fragmentos em itálico, onde ela conta seus sonhos, mas isso não acontece nas outras partes.

O primeiro capítulo foi publicado como um conto em 97, e só depois de muitos anos ela escreveu os outros. O segundo capitulo é narrado pelo cunhado de Yeonghye que decide que ela seria sua obra de arte. Por último vemos como sua irmã lida com as coisas que acontecerem por conta da decisão da irmã, Yeonghye, de ser vegetariana. É o capítulo mais complexo e bonito. O livro é intenso e carrega um tanto de magia quanto os livros de Murakami.

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2) O pai da menina morta de Thiago Ferro

O pai da menina morta é um livro de Thiago Ferro lançado em 2018 também pela Todavia. Em 2019 ele ganhou o prêmio São Paulo de Literatura e o prêmio Jabuti na categoria melhor romance. Esse é um livro de fragmentos sobre a história de um pai que perdeu sua família, história parecida com a do próprio autor.

Por meio de fragmentos, como se fossem posts em redes sociais, listas, e-mails e mensagens de Whatsapp, ele nos conta sobre a perda. Não é um livro triste, é na verdade, um tanto estranho, pois o personagem principal é um cara meio babaca, meio frio, autocentrado. Isso incomodou um pouco a leitura pois não consegui separar o autor do obra.

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3) Temporada de furacões de Fernanda Melchor

Temporada de Furacões é um livro da mexicana Fernanda Melchor, lançado em 2017 no México e aqui no Brasil em 2021. Ele ganhou prêmios no México e foi finalista do International Booker Prize 2020. Imagina uma escrita tipo Virginia Woolf com uma ambientação bem Gabriel García Márquez. Eu já escrevi uma resenha completa dele aqui.

O livro começa quando um corpo é encontrado, esse corpo é de uma personagem denominada A Bruxa, uma curandeira da região, e ao longo dos capítulos descobrimos mais sobre essa mulher. Todos os capítulos são em terceira pessoa, mas cada um foca em um personagem com um fluxo de consciência sufocante.

Os personagens vivem em uma cidade extremamente pobre chamada La Matosa e chega em um ponto que os capítulos se tornam confessionais como se ele estivessem sob testemunho. Muitos assuntos delicados são tratados aqui, então temos que ler com cuidado.

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4) Com armas sonolentas de Carola Saavedra

Carola Saavedra é um dos grandes nomes da literatura brasileira contemporânea. Seu último livro de ficção foi ComaArmas sonolentas que destrincha a vida de quatro mulheres que se sentem não pertencentes aonde vivem.

O primeiro capitulo é focado em Anna, uma mulher que foi para a Alemanha com seu namorado alemão, e ficou sozinha no exílio. A segunda personagem é sua mãe, que foi tirada de sua terra para trabalhar na casa de uma família rica, essa mãe recebe visitas espirituais da avó dela que foi uma indígena, também retirada de sua terra muitos anos anos atrás.

No último capítulo conhecemos Maike, uma menina Alemã que sente que não pertence a sua família e aos poucos descobrimos sua ligação com as outras mulheres. O livro começa na chave do real mas depois toma um rumo de realismo fantástico muito interessante.

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5) Garota, mulher, outras de Bernadine Evaristo

Esse livro é um dos queridinhos do bookstagram também, né? Me conta nos comentários se você já conhecia ele!

Garota, mulher e outras é um livro escrito pela inglesa Bernadine Evaristo, onde ela trata de temas presentes na vida das mulheres negras que vivem lá: o preconceito, a imigração, as diferenças culturais, relacionamentos e etc. Esse livro também foi um vencedor do Booker Prize em 2019.

Cada capítulo uma mulher conta sua vida em primeira pessoa, em parágrafos curtos, fazendo com que a leitura seja bem fluída. A vida dessas mulheres se cruzam ao longo da história e nós conhecemos a subjetividade e a individualidade de cada uma.

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6) Torto Arado de Itamar Vieira Júnior

Sucesso absoluto no Brasil. Torto Arado ganhou todos os prêmios importantes por aqui e em Portugal, primeiro o prêmio Leya, depois o o prêmio Oceanos e o Jabuti.

Itamar Vieira Junior conta a história de duas irmãs, filhas de um curandeiro respeitado na fazenda em que vivem na região do Jarê. Elas moram e trabalham na roça, e quando crianças uma delas decepa a própria língua.

Esse mistério permeia todo o livro que é dividido em três partes e contado em primeira pessoa por cada uma das personagens. O livro fala um pouco sobre os processos quilombolas, a reforma agrária, a luta pelos estudos e o sincretismo religioso que existe no Jarê.

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7) Lincoln no limbo de George Saunders

Outro vencedor do Man Booker Prize de 2017, nada mal essa lista né?

Lincoln no limbo é um livro do contista George Saunders. Aqui ele conta a história do filho de Abraham Lincoln que morreu em 1862. Ele ficciona essa morte trazendo Willie para um limbo onde ele conhece outros fantasmas. O livro traz diversas vozes, as dos fantasmas, em primeira pessoa que são intercaladas. Nas primeiras páginas não se entende muito bem o que acontece ali, mas aos poucos você entra na história.

Os capítulos são divididos entre as narrações dos fantasmas e recortes de jornais (alguns ficcionais) e biografias que contavam sobre o Lincoln, a morte de Willie, a guerra civil e o que estava acontecendo na casa branca, e todas as questões existentes naquela época.

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8) A morte do pai de Karl Ove Knausgård

Livro do norueguês Karl Ove Knausgård é o ínicio de uma série Autobiográfica aclamada pela crítica. Nesse livro ele conta sobre seu relacionamento com o seu pai, um homem frio e distante, até a sua morte.

É o maior livro da lista e o mais difícil de ler, pois o escritor é bem minucioso nas descrições. Ele vai e volta no tempo da narrativa e nos tempos verbais. Então, tiver que ficar muito atenta enquanto lia para entender essas nuances, porque ele vai do passado para o presente, do passado para o mais passado com muita facilidade sem se importar com em explicar.

Mas é um livro muito bonito, principalmente depois da metade onde o filho retorna a casa de seu pai depois da morte dele.

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Essas foram as resenhas dos oito livros de prosa contemporânea que lemos!

Me conta se você já leu algum deles no comentário?

Assista o vídeo no Youtube:

Passo a passo para escrever um conto | 8 passos para um escritor iniciante estruturar um conto sem dificuldades!

O conto é a porta de entrada para o mundo da literatura, geralmente novos escritores começam por ele, por ter uma estrutura mais simples e menos páginas do que uma novela ou um romance. Mas o que parece simples às vezes não é, escrever contos exige tanto planejamento quanto um romance, mas não se preocupe, nesse vídeo vou contar o passo a passo para estruturar um conto que aprendi na pós de formação de escritores e no meu dia a dia escrevendo. São oito passos para você escrever um conto.

8 passos de um passo a passo certeiro para um escritor iniciante estruturar um conto sem dificuldades!

Passo 1: O conto nasce de uma ideia

Mas não precisa ser uma ideia genial. Pode ser algo simples, do cotidiano, como um passeio de bicicleta, ou um dia inteiro dentro de casa. O que importa mesmo é a forma e não a ideia, então sinta-se livre para escrever sobre as coisas mais comuns.

Passo 2: Hora de pensar nos personagens

Depois que você tem a ideia é hora de pensar no personagem principal. Nos contos devemos colocar no máximo 2 personagens, isso não é um regra, mas é muito importante a gente não encher o conto com histórias que não serão exploradas, para quem está lendo não perder o foco. Nesse momento você destrincha seus personagens, quem eles são, o que eles fazem, de onde eles vem, para onde eles vão. É legal pensar em coisas miúdas também, tipo qual sua comida preferida, ou qual banda ele gosta de escutar, especificidades são muito importantes para criar personagens reais.

Passo 3: Quem está contando a história?

É nesse passo você define quem é o narrador. A história é contada por um narrador em terceira pessoa onisciente, aquele sabe tudo, ou observador, aquele que olha a história de fora? Ou será narrada em primeira pessoa? Essa primeira pessoa será o próprio protagonista ou alguém que está próximo observando? Esse passo é muito importante, porque você tem que seguir com o que escolher até o final.

Passo 4: Começo, meio e fim

Com tudo isso já decidido é hora de estruturar a história. Um bom conto precisa de começo, meio e fim. O começo é a introdução da história, a apresentação de um conflito. O meio é o desenrolar desse conflito, onde as coisas ficam tensas. E o fim é o grande nocaute.

Passo 5: Cenas são muito importantes

Cada uma dessas partes deve conter cenas que levem o personagem do inicio ao fim da narrativa. Na minha opinião cenas bem criadas são o que fazem a diferença. Esqueça os flashbacks, as coisas que aconteceram no passado do personagem e foque no que você quer contar agora. Se demore na construção de cenas.

Passo 6: A construção do final!

Gente, o final é uma das coisas mais importantes do conto, ele deve ser forte, ele tem que deixar seus leitores de queixo caído. Muita gente começa o conto pelo final, então, ele poderia muito bem ser o passo 1 desse vídeo. Mas se você ainda não tem um final forte em mente, tá tudo bem. Se você chegou até o passo 8 e seguiu todos os outros você vai ter uma noção de para onde os personagens estão indo e consequentemente o fim vai vir. Foca nisso: Você tem que nocautear seus leitores. O final tem que ser intenso.

Passo 7: Esse é o momento mais aguardado, o momento que você vai desligar todas as distrações e começar a escrever.

Muitas ideias vão surgir nesse momento, e você pode adicionar coisas novas ao seu planejamento, sem fugir da ideia principal. Eu gosto muito dessa parte porque é quando me sinto mais criativa. Aqui o poder está todo com você, você está criando um mundo novinho e isso é uma delicia. Se demore na construção de cenas, e mostre seu personagens com características marcantes, fuja do comum.

Passo 8: Hora da edição e da reescrita.

Seu conto está escrito! Uhul. Você deve estar super feliz, né? Essa parte é a hora que você vai lapidar sua história. Você vai adicionar coisas novas e não esqueça de cortar tudo que não seja necessário. Lembre-se que no conto só fica o essencial, então corte sem dó. Você tem que se lembrar que a edição é um momento de desapego. Reescreva e deixe a gramática perfeita.

Pronto! Agora você já tem um conto prontinho para mandar para algum concurso.

Você gostou dessa estrutura? Ou você faz algo diferente? Me conta nos comentários.