Quero escrever um livro, por onde começo? | Como escrever um romance em 10 passos!

Se você encontrou esse artigo é porque sonha em escrever um livro. Então eu criei esses passos para ajudar escritores iniciantes com tudo que aprendi nos meus anos de pesquisas e leituras. Eu inclusive já passei por isso, lá em 2018 quando estava tentando escrever meu primeiro livro e não sabia por onde começar. O processo de aprendizado na escrita é infinito, mas separei 10 passos que você pode seguir que poderão facilitar a sua vida na hora de estruturar e escrever um livro.

Bom, já pega seu caderninho e uma caneta para anotar tudo! Vamos lá?

10 passos para você escrever um livro para quem quer escrever seu primeiro romance (ou para quem quer continuar a estudar)!

Passo 1: O livro começa na ideia.

Eu já falei sobre isso no artigo sobre como estruturar um conto, dizendo que uma narrativa sempre começa com uma ideia. Mas enquanto no conto a gente foca em apenas em uma ideia, no romance pode-se ter diversos temas embutidos. Isso é muito legal, porque você pode explorar diversos aspectos da vida e do contexto social de suas personagens.

Essa a primeira coisa que você define no seu livro, você pode criar toda a trajetória da vida de uma pessoa que quer ser famosa, por exemplo. Se você tem as ideia anote elas no papel e segue comigo para os outros passos

Passo 2: A criação do personagem principal e seus conflitos e problemas é o que faz a história girar.

O personagem é o fio condutor, aquilo que leva a história até o final. Então você precisa construir um personagem principal forte e humano, dando a ele características ambíguas, mostrando ele por inteiro, como um ser humano real que não é perfeito. Ele tem que ter qualidades e defeitos.

Então, anota aí no seu caderno tudo o que você precisa saber sobre ele: nome, idade, condição social e financeira, quem eram os pais, onde ele estudou, com o que ele trabalha, quais são seus sonhos, suas vontades, sua orientação sexual, como ele se vê, como os outros veem ele, onde ele passava as férias escolares, etc.

Passo 3: Estruture o universo.

Aqui podemos fazer aquelas perguntinhas básicas: Quando essa história se passa? Onde essa história está sendo contada? Quem está contando e por que? O universo que se dá a história tem que ser explorado minuciosamente, pelo menos na sua cabeça, porque isso faz muita diferença. Uma história contada no anos 30 é de um jeito completamente diferente de uma história contada nos anos 80, por exemplo.

As roupas mudam, o jeito das pessoas e o modo como elas falam também. Onde essa história se passa muda o tom da história também, no Brasil certas coisas são permitidas, já no Emirados Árabes não. Então tenha cuidado de deixar estruturado tudo isso. Digo o mesmo para quem está criando um universo novo, deixei bem claro as regras desse mundo novo para seu leitor visualizar ele com facilidade.

Passo 4: Os Personagens secundários são importantes!

Às vezes esquecemos da importância dos personagens secundários. Eles aparecem menos que o personagem principal mas quando isso acontece não pode parecer que ele foi colocado lá de qualquer jeito né?

Então dê ao seu personagem principal características que os torne reais, do mesmo jeito que você fez lá com o personagem principal. Sugiro fazer uma listinha com todas as características importantes e definidoras deles como pertencentes de algum grupo.

Passo 5: Pense no conflito do personagem!

Seu personagem principal tem que se deparar com um conflito durante a narrativa. Esse conflito pode ser tanto interno quando externo. O conflito interno é algo que ele quer mudar dentro de si, ou em alguma coisa relacionada a sentimentos e vontade. Por exemplo em Mrs Dalloway o conflito gira em torno dos pensamentos e vontades da própria Clarissa Dalloway e de Septimus Smith que luta contra uma stress pós traumático.

Já um conflito externo podemos encontrar em diversos livros de fantasia como Harry Potter, onde o conflito é do Harry contra o Voldemort. O conflito move o personagem e dá o tom dos acontecimentos, pois é ele que dá brilho para a história, então quanto mais instigante o conflito, melhor.

Passo 6: Escolha o tipo de narrador!

Como você quer que seu narrador fale? Muitas obras contemporâneas estão apostando no narrador em primeira pessoa porque ele se aproxima mais de seus próprios conflitos. Mas isso não é uma regra, pois existe o narrador em terceira pessoa observador como em Grande Gatsby, onde quem conta a história é um personagem, e também o narrador em terceira pessoa colado em um personagem e onisciente como em Crime e Castigo, aquele sabe de tudo.

Existe uma variedade de narradores, mas você tem que escolher o tipo dele antes de começar a escrever pois vai facilitar a sua vida. Assim você consegue definir as nuances dessa voz e as necessidades e impotências dela, pois um narrador em primeira pessoa não tem como saber o que os outros fazem e sente, a não ser que esteja muito próximo ao outro personagem.

Passo 7: Estruture seu romance!

Eu sempre bato nessa tecla porque é algo muito importante. Uma história precisa ter começo, meio e fim, mas não necessariamente nessa ordem. Você pode brincar, mas tenha consciência que não existe uma história forte se não passa por esses três momentos.

O início é onde o conflito começa. Você tem que pensar porque a história começa de um ponto e não de um outro? No romance que eu estou escrevendo eu tinha colocado um início muito distante de onde a história realmente começava, e alguns colegas que leram estranharam essa distância. Perdeu a força, sabe? Então acelerei a história para começar exatamente no início do conflito entre duas personagens.

O meio é onde começamos a ver as nuances e as consequências desses conflitos. O que os personagens fazem que aumentam a tensão, ou que diminue essa tensão? Quais as atitudes que eles vão tomar em relação a isso? Qual vai ser o embate entre os personagens?

O fim é o desenrolar de todos os conflitos, os fechamentos de cada núcleo da história, é onde toda a história vai ser amarrada. Diferente do conto o fim de um romance não precisa ser um nocaute, o clímax deve ver antes do final. Claro, um final em aberto é possível. Mas você tem que trabalhar para que apenas as pontas soltas que você quer fiquem para trás, nada pior do que histórias mal completadas por desleixo. E também nada de dar uma de Deus ex machina, inventando coisas muito óbvias para facilitar esse fechamento, o leitor percebe!

Passo 8: Pense em como serão os capítulos

Você quer escrever capítulos curtos ou longos? O que você quer que tenha nesses capítulos? Qual será o drama de cada um deles? Como os personagens vão interagir nesses capítulos? Quais deles vão aparecer?Lembrando que você pode pensar também em não colocar capítulo nenhum.

Enfim, eu gosto de escrever em uma página em branco mais ou menos o que vai ter em cada capítulo e sua duração. Faço um resuminho contando qual vai ser a ação, quais personagens estarão ali e quantas páginas eu quero escrever. Capítulos também tem que ter começo meio e fim bem estruturados.

Passo 9: Cena vs. Sumário

Cena é onde a ação acontece, é o encontro entre os personagens é a narração das idas e vindas deles, é aquilo que a gente vê da história. É a parte mais cinematográfica. O sumário é aquilo que nos é contado, é o passado dos personagens, é o retrospecto de tudo que aconteceu antes da história começar. Um bom romance tem que ter um equilíbrio das duas coisas. Virginia Woolf dizia que sempre intercalava as cenas e os sumários: um parágrafo para cena, outro para um sumário, uma cena, um sumário.

Tem escritores que gostam de fazer isso por capítulos, outros focam mais em sumários, o que é mais fácil de fazer quando se escreve em primeira pessoa, porque fica muito mais natural. Um ótimo livro cheio de sumários é Torto Arado. Então você pode brincar com isso, tem vozes narrativas que funcionam melhor narrando cenas e outras contando sumários, fica a seu critério.

Passo 10: Aposte em características específicas para seu personagem!

Trazer coisas bem específicas em relação ao personagem e em relação é história é uma das coisas mais importantes para tornar a história verdadeira. Nenhum ser humano é igual, cada um de nós temos nossas características e subjetividades, então os detalhes que você coloca na sua história transporta o real para dentro dela.

Ninguém quer saber sobre a coisas muito gerais, ao invés de dizer que um cara adora cerveja diga qual é a cerveja e o que ela representa para a pessoa. Ao invés de falar que um personagem é fã de esportes, mostre ele torcendo para o seu time do coração. Ao invés de falar que o seu personagem gosta de frutas, mostre ele chupando uma manga, entende?

Bom, com todos esses passos definidos você já consegue planejar um livro inteiro. Agora só depende de você sentar para escrever seu livro!

Me diga nos comentários se essas dicas foram uteis, se é dessa forma que você estrutura um conto, ou se usa de outros artifícios, ok?

2 Replies to “Quero escrever um livro, por onde começo? | Como escrever um romance em 10 passos!”

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