50 FATOS SOBRE Simone de Beauvoir – Biografia, O Segundo Sexo, Os Mandarins, As Inseparáveis e mais!

Simone de Beauvoir foi uma pensadora muito importante para o século 20. Ela foi uma filósofa, uma escritora dedicada e uma estudiosa disciplinada. Ela questionou a sociedade em que vivia e quebrou diversos padrões de sua época, e levantou questões sobre a liberdade, o amor, o gênero e a sexualidade.

Simone de Beauvoir dando autógrafos no Brasil em 1960

Para fazer esse post eu li a Biografia dela escrita pela Kate Kirkpatrick, e ao longo dos anos eu li diversas obras da Simone de Beauvoir, como O Segundo Sexo, Os Mandarins, Mal-entendido em Moscou.

Também fiz um curso da revista Cult sobre a Simone com a Doutora em filosofia pela USP Juliana Oliva. Vocês viram que eu queria estar bem preparada pra fazer esse vídeo, né?

Dia 09 de janeiro foi o aniversário da Simone de Beauvoir que foi uma escritora e pensadora francesa.

Ela contribuiu não só para o pensamento feminista do século vinte mas também esteve na resistência francesa contra o nazismo em Paris. Foi uma intelectual extremamente culta e prolífica. Tem diversos livros, ensaios, textos jornalísticos públicados. Sua obra vai muito além de O Segundo Sexo, apesar de ser um livro importantíssimo tanto para a filosofia existêncialista, quanto para o movimento feminista que teria força mais de dez anos depois de seu lançamento.

Vi que tem muita desinformação sobre a Simone de Beauvoir na internet, então quis trazer 50 fatos sobre ela de fontes sólidas. Todas as fontes utilizadas para esse vídeo estão lá no fim do post, porque aqui a gente trabalha com fatos pesquisados e estudados.

Bora conhecer os 50 fatos sobre a Simone de Beauvoir?

  1. Simone Lucie-Ernestine-Marie Bertrand de Beauvoir nasceu em Paris, às 04 e meia da manhã no dia 09 de janeiro de 1908.
  2. Ela era filha de Georges Bertrand de Beauvoir um advogado que sonhava em ser ator e Françoise Brasseur, filha de um banqueiro bem sucedido, mas que nunca pagou o dote de Françoise porque perdeu tudo.
  3. Um dos antepassados aristocratas de Simone perdeu a cabeça na revolução francesa e depois disso as pretensões nobres da família perderam completamente a força.
  4. Ela e a irmã Hélène estudaram na Adéline Desir Institut, escola católica e privada exclusivamente para meninas.
  5. Desde nova ela já chamava a atenção de seus pais por seus estudos e inteligência. Ela sempre foi muito aplicada, era sempre a melhor da turma.
  6. Ela foi uma leitora precoce e devorava livro atrás de livro, e isso continuou ao longo de sua vida.
  7. Uma personagem literária que inspirou Simone na infância foi a Jo March de Little Women de Louisa May Alcott. Porque ela não queria se casar para seguir carreira literária.
  8. Teve uma infância rígida seguindo os moldes burgueses de uma mãe extremamente católica e um pai egoísta, preguiçoso e machista.
  9. Aos 9 anos Simone conhece a Zaza, Élisabeth Lacoin, que foi sua amiga mais próxima até a morte precoce de Zaza em 29. “As inseparáveis” livro recém lançado pela Record fala sobre essa amizade.
  10. Em 1925 ela foi aprovada no exame de acesso as universidades, de Matemática e Literatura, e licenciou-se nas duas matérias.
  11. Nesse período ela fez duas tentativas de escrita de um primeiro romance, mas nenhuma delas foi para frente. Seu sonho era ser escritora e colocar todas as suas perguntas filosóficas dentro da ficção.
  12. Ela também começou a trabalhar educando proletários do norte da França e depois no instituto em que estudou.
  13. Em 1927 ela obteve seu certificado em História, Filosofia, Filosofia geral e Grego na Sorbonne, ao lado de muitos outros pensadores que se tornariam famosos. Lembrando que as mulheres naquela época não tinham esse tipo de educação, elas nem podiam votar ou ter uma conta bancária.
  14. Foi nessa época que ela chegou a conclusão de que o casamento é “fundamentalmente imoral” já que ele é definido como algo eterno e as vontades podem mudar.
  15. O ano de 1929 foi de grande importância na vida da Simone. Ela se tornou a primeira mulher a dar aulas em um Liceu masculino,
  16. Conheceu Jean Paul Sartre em um grupo de estudos para se preparar para um exame importante. Ele se tornaria seu parceiro e amigo pelo resto da vida;
  17. Ela perdeu a amiga Zaza que morreu apaixonada por outro amigo e colega de Simone, Maurice Merleau-Ponty;
  18. Ao lado de Sartre Simone passou em um exame nacional chamado agregátion para se tornar professora vitalícia do sistema público francês, altamente prestigioso e competitivo.
  19. Aos 21 anos, ela foi a pessoa mais jovem de todos os tempos a passar nesse exame;
  20. Foi também nesse ano que ela e Sartre fizeram um pacto poliamoroso, ela tinha 21 anos e ele 24. Nesse pacto eles deveriam ser cem por cento honestos sobre suas conquistas e leais um com o outro.
  21. Segundo os diários de Simone, nessa época ela não estava apaixonada apenas por Sartre mas também por outros dois homens, René Maheu, amigo de ambos, e seu primo Jacques.
  22. O pacto deles provocou muita curiosidade dos moralistas e é motivo de especulação até os dias de hoje. Muito elogiado e também muito criticado.
  23. Uma curiosidade é que houve um ano em que Simone publicou em nome de Sartre e ninguém notou. A verdade é que essa relação ofuscou Simone, enquanto Sartre era ovacionado, e isso acontece até os dias de hoje.
  24. Entre 1931 e 1935 Simone viveu a vida de uma professora provinciana e morou em Marselha e Rouen para dar aulas.
  25. Voltou para Paris em 36 como professora no Liceu Molière.
  26. Nessa época Simone tinha 27 anos e teve casos famosos com três alunas, Olga que tinha 19 anos, Bianca que tinha 17 anos e Nathalie Sorokine que tinha 20. Olga nunca ficou com Sartre, mas Bianca sim. Elas continuaram amigas para o resto da vida.
  27. Simone também se apaixonou por Bost, ele por sua vez tinha um caso com Olga, e acabou se casando com ela, ele era aluno de Sartre. Uma bagunça né?
  28. Em 39 a Segunda Guerra Mundial começou. Sartre e Bost são convocados. Sartre foi trabalhar no corpo meteorológico e Bost seria soldado. Simone teve seu primeiro “colapso nervoso”, e isso foi se repetindo durante toda a guerra.
  29. Simone começou a trabalhar no que seria seu primeiro romance A Convidada, que seria lançado em 43, inspirada em sua relação com Olga, Bost e Sartre. A filosofia desse livro pode ser comparada com O Ser e o Nada de Sartre que foi escrito depois.
  30. Em 40 Paris foi invadida pelos alemães, Simone fugiu para o interior com a família de Bianca, mas logo voltou a Paris. Bost foi baleado e evacuado do Front, mas sobreviveu. Sartre foi preso.
  31. Quando Sartre voltou a Paris em 41 eles se uniram com outros intelectuais na resistência francesa contra a ocupação nazista.
  32. Em 43 Simone perdeu seu cargo no sistema de ensino francês depois de uma acusação formal da mãe de uma de suas amantes: Nathalie Sorokine, mas ela negou as acusações contra Simone no tribunal dizendo que as relações entre elas eram consensuais e ela já era maior de idade, então, Simone não foi condenada. Mas ela perdeu o emprego porque suas relações com mulheres e seu relacionamento aberto com Sartre não combinavam com os ideias do governo alemão.
  33. Simone conseguiu um emprego na Rádio Vichy. Na época haviam duas rádios nacionais, a Rádio Paris, que era difundida pelos naziastas, e a Rádio Vichy, onde era possível trabalhar sem ser visto como um colaborador dependendo do que se fazia. Simone falava sobre música na Idade Média.
  34. Em 45 a Guerra acabou e Simone estava produzindo como nunca. Escreveu diversos artigos filosóficos e ensaísticos, fundou uma revista com Sartre e Ponty: Les Temps modernes, Tempos Modernos em português, escreveu uma peça, e dois romances que ficariam muito conhecidos: O sangue dos outros e Todos os homens são mortais. Ela também começou a pensar no livro O Segundo Sexo.
  35. Desde muito nova ela questionava com profundidade o que significava ser mulher para ela e para sociedade. E esse pensamento, junto com suas criticas sobre o que era liberdade dentro do existencialismo, foram a base para a criação de O Segundo Sexo.
  36. Publicado em 49, esse livro foi duramente criticado tanto pela direita, quanto pela esquerda. Inclusive por seus colegas intelectuais como Camus.
  37. Ele não nasceu para ser um livro feminista. Ela o escreveu como um processo investigativo com dados concretos sobre a vida da mulher em sociedade, e também porque estava irritada com abre aspas “os volumes de idiotices” que eram lançados sobre as mulheres. (Tem resenha completa de O Segundo Sexo aqui)
  38. Simone era muito fã de Virginia Woolf e além de ter lido todos os seus livros ela também a considerava uma grande influência intelectual.
  39. Os Mandarins veio em 54, e esse livro foi muito elogiado pela crítica, ganhou até o prêmio Goncourt. Ele conta a história de um grupo de pessoas que tentavam retomar a vida depois da Segunda Guerra Mundial. Aqui ela mostra personagens fictícios que fazem parte da resistência, além de seus questionamentos em relação a união soviética. Inclusive crítica o governo russo, e propõe uma nova política de esquerda. (Também tem uma resenha completa dele aqui. EU AMEI ESSE LIVRO)
  40. Simone era uma viajante, conheceu o mundo inteiro, foi para Ásia, para a Africa, rodou a Europa inteira, foi para as Américas e desembarcou no Brasil em 1960.
  41. Ela e Sartre permaneceram dois meses aqui e conheceram o Recife, Salvador, Rio de Janeiro, São Paulo, Ouro Preto, Fortaleza e Manaus. Essa visita foi organizada por ninguém menos que Jorge Amado e Zélia Gattai. Ela até conheceu o Juscelino Kubitschek.
  42. Em 60 Simone conhece Sylvie Le Bon, mulher que se tornaria sua amiga mais próxima até o fim de sua vida.
  43. Desde que Simone começou a trabalhar ela mandava dinheiro tanto para a irmã Helénè, quanto para mãe Françoise. Ela era a grande provedora da família
  44. E de alguns amigos, muitas vezes passou fome para poder ajudar todas as pessoas que estavam ao seu redor, inclusive suas amantes e as amantes de Sartre.
  45. Nesse período ela tinha 50 anos e lançou suas três biografias mais famosas: Memórias de uma moça bem comportada, em 58, na qual ela relembra sua juventude puritana; A força da idade, onde ela relembra uma Paris ocupada e dedica a sua relação com Sartre, Bost e Olga; e A força das coisas, em 63, onde ela comenta a vida que leva no pós guerra e suas publicações.
  46. Em 65 ela lança o livro Mal Entendido em Moscou, onde ela fala sobre as ambiguidades existentes na união soviética;
  47. Em 67 ela lança A mulher desiludida e logo depois, em 70, A velhice, com pensamentos que passavam por ela a décadas sobre o envelhecimento e a morte.
  48. Em 80 ela perde Jean Paul Sartre, e se vê sozinha, então ela adota Sylvie Le Bon, após passar um período no hospital e não ter ninguém que pudesse lhe acompanhar, já que a irmã estava em Portugal.
  49. Em 81 ela lança sua última biografia, A cerimônia do adeus, onde ela narra os últimos anos de Sartre e a sua vida na velhice.
  50. Simone de Beauvoir morreu em 86 de complicações de uma pneumonia, e seria lembrada por muitas décadas após sua morte. Os recém lançamentos de cartas e livros nunca publicados vieram do acervo de Sylvie Le Bon-de Beauvoir, que herdou tudo de Simone.

LIVROS DA SIMONE DE BEAUVOIR PUBLICADOS NO BRASIL (clique para comprar e ajude o Rumo ao Farol <3)


Bom, esse foi o compilado de informações sobre essa autora tão famosa e importante! Os próximos serão sobre a Virginia Woolf e a Angela Davis. Me conta o que achou nos comentário!

Fontes:

CANDIANI, Heci Regina. Simone de Beauvoir. InBlogs de Ciência da Universidade Estadual de Campinas: Mulheres na Filosofia. [S. l.], 22 abr. 2020. Disponível em: https://www.blogs.unicamp.br/mulheresnafilosofia/simone-de-beauvoir-2/. Acesso em: 4 jan. 2022.

KIRK PATRICK, Kate. Simone de Beauvoir: Uma vida. 1. ed. Brasil: Crítica, 2020. 553 p. v. 1.

JEAN Paul Sartre e Simone de Beauvoir no Brasil em 1960. [S. l.], 1 fev. 2019. Disponível em: ISHAD, Vivien. Jean Paul Sartre e Simone de Beauvoir no Brasil em 1960. [S. l.], 1 fev. 2019. Disponível em: https://www.gov.br/arquivonacional/pt-br/canais_atendimento/imprensa/copy_of_noticias/jean-paul-sartre-e-simone-de-beauvoir-no-brasil-em-1960. Acesso em: 4 jan. 2022.

BEAUVOIR, Simone de. O segundo sexo. Brasil: Nova Fronteira, 2018. 936 p.

BEAUVOIR, Simone de. Os mandarins. ed. atual. Brasil: Nova Fronteira, 2017. 736 p.

BEAUVOIR, Simone de. Mal entendido em Moscou. Brasil: Nova Fronteira, 2015. 89 p.

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