AMIZADES FAMOSAS DA LITERATURA | Lygia Fagundes Telles e Hilda Hilst eram as melhores amigas da vida!

Muita gente não sabe que a Lygia Fagundes Telles e a Hilda Hilst eram as melhores amigas. Esses dois nomes de peso da literatura brasileira viveram lado a lado até a morte de Hilda em 2004. Foram 50 anos de amizade que eu vou revelar aqui no post de hoje.

Como vocês sabem o Rumo ao Farol é um espaço que falamos sobre literatura e escrita criativa, e além dos livros e das dicas que eu trago eu também adoro uma bela fofoca. Umas das coisas que eu amo descobrir são as amizades e inimizades de gente famosa e esse novo quadro será basicamente isso, eu contando pra você as tretas e os amores das maiores escritoras e escritores desse mundão!

SAO PAULO CADERNO 2 Fotos da escritora Hilda Hilst que integrarão a Ocupação Hilda Hilst, sobre o processo de escrita da autora, em cartaz no Itaú Cultural entre os dias 28 de fevereiro e 21 de abril. NA FOTO Hilda Hilst e Lygia Fagundes Telles – Anos 1950 Autor não identificado/Acervo Instituto Hilda Hilst

Para começar eu escolhi essa bela amizade da nossa literatura brasileira que durou meio século. Lygia Fagundes Telles e Hilda Hilst: duas mulheres com escritas potentes que se apoiaram ao longo de suas carreiras. Eu já li e adoro o trabalho das duas, então achei incrível quando descobri que eram amigas.

Elas se conheceram em 1949, durante uma festa na Casa Mappin , em que homenageavam o livro da Lygia: O cacto vermelho. Lygia estava acompanhada de Cecilia Meireles quando viu Hilda e depois escreveria que Hilda era “uma jovem muito loura e fina, os grandes olhos verdes com uma expressão decidida. Quase arrogante. Como acontece hoje, eram poucas as louras de verdade, e essa era uma loura verdadeira, sem maquiagem e com os longos cabelos dourados presos na nunca por uma larga fivela. Vestia-se com simplicidade. Apresentou-se: ‘Sou Hilda Hilst, poeta. Vim saudá-la em nome da nossa Academia do Largo de São Francisco’. Abracei-a com calor. ‘Minha futura colega!’, eu disse, e ela sorriu. Quando se levantou, bastante emocionada para fazer o seu discurso, ocorreu-me de repente a poética imagem da haste delicada de um ramo tremente de avenca […]”

Naquela época Lygia era uma contista reconhecida, enquanto Hilda era uma estudante de direito e aspirante a poeta, lançou seu primeiro livro de poesias, chamado presságios, em 50, quando tinha 20 anos. Depois ela se aventurou na prosa. Lygia, começou como contista e foi se aproximando do romance com os anos.

A amizade gerou apoio mútuo, elas liam a obra uma da outra. Depois cansaram disso e, então, pararam de falar sobre literatura. Hilda disse que todo mundo fez de tudo para criar uma animosidade entre elas. Mas não consequiram! Apesar disso, os universos delas eram parecidos, mas se expressavam de modos totalmente diferentes.

Hilda Também disse: “Eu falo tudo claro. A Lygia se encobre. Quando ela está comigo, por exemplo, ela é ela. Mas ela tem um certo respeito pelo outro. Eu não tenho o menor respeito. Isto não é um defeito da Lygia, é um defeito meu.”

As duas publicaram diversos livros, foram amigas de personalidades da literatura brasileira como Clarice Lispector e Cecília Meireles. São lidas e aclamadas até os dias de hoje, talvez mais a Lygia do que a Hilda porque ela era mais comportada. Lygia recebeu diversos prêmios fora do Brasil, sua obra foi traduzida para muitas línguas e ocupa uma cadeira na academia brasileira de letras.

Lygia foi uma escritora militante, contra a ditadura militar, trabalhou até os 63 anos como procuradora do Instituto de Previdência do Estado de São Paulo, e foi como presidente da Cinemateca Brasileira. A carreira literária caminhava em conjunto com tudo isso. Hilda também recebeu diversos prêmios, como o jabuti e foi traduzida pra diversas línguas.

As duas foram escritoras ousadas, que construíram duas obras poderosas e mantiveram a amizade por longos anos. Estavam sempre juntas, se apoiando. Eu acho lindo ver amizades tão fortes assim. Lygia dizia a Hilda que ela ficava nua diante dela, e Hilda respondia que ela também ficava. Na velhice Hilda sempre achou que morreria, mas Lygia a acalmava, tanto com sua presença quanto com a fala. Hilda queria morrer segurando as mãos de Lygia.

Hilda morou na chácara Casa do Sol, terreno que era de sua mãe, de 64 até o fim de sua vida, ela gostava da solidão, acreditava que só assim poderia escrever, hoje a casa se tornou um instituto em homenagem a ela. Lygia a visitava sempre que podia e passaram diversos momentos divertidos lá.

Lygia completará 99 anos de vida, Hilda completaria 92 anos, com a diferença de dois dias entre elas.

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