RESENHA PRIMEIRO EU TIVE QUE MORRER DA LORENA PORTELA | Uma escritora brasileira independente!

O primeiro livro do Clube do livro contemporâneas de 2022 traz uma narrativa que se aproxima de questões muito atuais. Escrito por Lorena Portela, que é uma cearense que mora em Londres, o livro Primeiro eu tive que morrer está fazendo sucesso nas redes.

Acredito que muitas mulheres se identificaram com a protagonista que viaja para Jericoacoara para se recuperar de um burnout. Lorena fez todo o processo de escrita e impressão do livro de forma independente, e para mim esse é um dos pontos altos da obra, pois ela nos mostra que se temos um sonho poderemos realizá-los por nós mesmas. Claro, ela teve ajuda de muitas mulheres para a construção dele. Ao longo das páginas vemos obras lindas de artistas que deixaram sua impressão nesse livro.

A escrita é simples e leve, o livro fluí. É uma história que já conhecemos: a nossa história enquanto mulheres. A personagem principal poderia ser qualquer uma de nós, ela não tem nome, mas as coisas que ela passa são comuns: o trabalho extra para uma mulher se posicionar no mercado, a responsabilidade e culpa dentro dos relacionamentos, o assédio, às vezes silencioso, e às vezes escancarado. Até o momento do “não aguento mais!”

A personagem vai para Jeri por 2 meses, para se recuperar do stress que é trabalhar em uma agência de publicidade. Lá ela fica na pousada de duas amigas, Sabrina e Ana, que são um casal. Elas abrigam a amiga em troca de uma pequena ajuda com a pousada. Outra personagem que aparecerá é Glória, uma espanhola que teve um affair com nossa protagonista uns anos antes em Lisboa e que estará na América Latina.

Ela também conhece Amália, uma mulher misteriosa, que faz coisas bizarras com ela, tipo quase a afogar no mar. Amália também é muito homofóbica. Essa mulher faz ela duvidar de si mesma e de sua relação com Glória. Fiquei com muito raiva dessa mina, e eu já teria mandado ela catar coquinho (para não dizer uma palavra feia aqui, não é mesmo? Você me entende né?). Enfim, temos também Guida e Luana, vó e neta que são um porto seguro para a personagem.

O livro é em primeira pessoa e é uma escrita bem simples mesmo, eu já falei isso, mas ele carrega a vida dessas mulheres incríveis. Histórias que não podemos esquecer e que devemos sempre exaltar. Lorena escreveu a história que eu também estou escrevendo, parece até que ela leu meus pensamentos.

A ambientação do livro é uma delicia, se passa em um lugar paradisíaco. Um lugar perfeito para uma fuga, até do próprio corpo, para então se reestabelecer de uma maneira mais saudável. Alcançando talvez a completude?

#1 Diário de escrita – Primeira semana escrevendo meu segundo livro!

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Já faz um tempo que quero escrever um diário de escrita. Acho importante documentar os passos que me levarão até a completude desse projeto. Por mais difícil que seja eu vou ter que terminar esse livro até abril de 2023 para apresentar na banca de TCC. Eu faço uma pós graduação chamada: formação de escritores. Sempre abrevio e digo que faço pós graduação em escrita criativa, mas não sei se isso é correto, de qualquer forma essa é uma maneira mais simples de explicar sobre o curso.

Essa semana tivemos que entregar o projeto de livro, onde falamos sobre os porques de nossas escolhas e mostramos um cronograma detalhado do processo de escrita. Coloquei que escreveria um capítulo de dez páginas por semana, o que eu espero conseguir, mas quem escreve sabe o quão difícil isso é. A narrativa que escolhi como projeto foi algo que eu nunca imaginei que escreveria: uma história de fantasia. Uma mulher quebrada, meu primeiro livro (que ainda não terminei) é uma história bem realista, e eu sempre imaginei que continuaria nessa pegada.

Decidi experimentar em uma das oficinas passadas, onde escrevi três contos. Cada um com o ponto de vista de um personagem: Teodora, Vitória e Caio. Teodora é uma mulher que viaja no tempo enquanto dorme, mas ela não tem controle sobre suas viagens. Vitória é uma bruxa que usa o álcool como combustível. Caio é o filho perdido de Teodora, ele viaja no tempo também, mas como um espectro. Todos eles são praticamente imortais. Essa história rendeu elogios e depois de refletir sobre o que eu queria como projeto decidi me jogar nessa história.

Tive que finalizar o primeiro capítulo essa semana. Para escrever ele eu usei partes que eu já tinha do conto anterior e adicionei algumas coisas que fariam mais sentindo para a trama. Por falar nisso, é uma trama complexa, onde os personagens se encontram em tempos e lugares diferentes. Meu foco inicial era discorrer sobre três cidades que eu amo: São Paulo, Florença e Tânger. Isso mudou um pouco e eu adicionei mais cidades na lista, e também mais do passado e do futuro. É isso, teremos passado, presente (o nosso) e o futuro tudo em um mesmo lugar. Vou de 5009 A.C até 3065 D.C. O que será que vai sair disso? Ainda não sei, mas estou louca para descobrir!

9 DICAS PARA ESCREVER MELHOR QUE NÃO SÃO TÃO BOAS ASSIM | Conselhos de escrita criativa reformulados

Existem algumas dicas sobre escrita criativa que devem ser repensadas. E eu trouxe nesse post os mais comuns e quero que você pense comigo sobre 9 eles, vamos lá?

A maioria das dicas de escrita criativa são positivas, mas algumas deviam ser repensadas ou reformuladas.

Acho que qualquer dica que nos dão devem passar por um filtro para sabermos se ela faz sentindo ou não. É normal que a gente discuta coisas do passado e tente trazer para uma escrita mais moderna, e pra uma vida mais moderna, como é o caso da primeira dica que é:

1) Escrever todos os dias

Esse conselho é tão irreal. Poderia até funcionar alguns anos atrás, quando as pessoas realmente viviam da escrita, e os escritores escreviam todos os dias porque esse era o emprego deles. Lembro de ler Paris é uma festa do Hemingway, e nesse livro ele traz suas memórias da Paris da década de 20, e naquele tempo ele dizia que escrevia todos os dias durante as manhãs e o resto do dia era festa com Picasso, Gertrude Stein e os Fitzgeralds.

Bons tempos, mas o mundo é outro e agora nós temos os nossos trabalhos, não tão divertidos mas que pagam as contas, e estudos. Às vezes simplesmente não dá para escrever todos os dias e eu não quero que você se sinta mal se não conseguir fazer isso. O que eu quero é que você tenha uma rotina de escrita, seja ela qual for.

Você tem que entender o que é melhor para você. Você funciona bem quando trabalha em um projeto estruturado? Então faça isso. Você gosta de escrever sem parar por quinze dias? Faça isso nas suas féria. Você gosta de intercalar histórias e trabalhar nelas nos fins de semana? Faça isso também! Encontre sua própria rotina e o que te faz bem, afinal, a escrita deve ser algo prazeroso.

2) Mostrar ao invés de contar!

Eu gosto e não gosto dessa dica. Ela é muito importante, e acho que é a mais conhecida de toda as dicas literários, né? Está na boca de todos os professores de escrita criativa. Mas contém problemas na raiz desse conselho, apesar de essencial ele não pode ser generalizado. Tem narradores que funcionam melhor contando uma história ao invés de mostrar, como os narradores em primeira pessoa. Um livro que eu sempre uso como exemplo é Torto Arado que tem duas narradoras em primeira pessoa que contam a história ao invés de mostrar. A segunda narradora faz mais do que a primeira mas isso é conteúdo para um outro post. Um narrador em terceira pessoa onisciente por exemplo, funciona melhor mostrando a história.

Se eu pudesse reformular esse conselho eu diria pra você equilibrar seus textos entre mostrar e dizer. E dependendo do narrador você pode utilizar uma técnica mais do que a outra. Mas sem exagerar porque uma história com muito contar fica maçante, acho que é por isso que esse conselho é tão dado. E acho também, que escritores iniciantes tem mais dificuldade de mostrar do que contar, isso é natural. Por isso que temos entender como as duas coisas funcionam para escrever uma história, seja ela longa ou curta, forte.

3) Começar a escrever por contos, não romances.

Seu sonho é escrever um romance (e quando eu digo romance eu quero dizer uma prosa longa), você tem uma ideia para esse romance, mas dizem para você começar por contos, porque é mais simples! Não! Escrever contos não é algo simples (Inclusive eu tenho dois posts aqui, um com dicas para escrever um conto incrível, e outro onde dou o passo a passo para você estruturar um conto)! Escrever um bom conto é tão difícil quanto escrever um bom romance. As estruturas são diferentes, então não adianta nada você estudar muito a estrutura de um conto se você quer escrever um romance, entende?

O que você pode fazer é testar essa sua escrita nos capítulos do seu romance: escreve o primeiro capitulo, mostra ele para seus amigos, ou faz uma oficina e apresenta para seus colegas. Você vai ser criticado (e nos meus vídeos quando eu falo de critica é de uma maneira positiva, ok?) e assim você vai melhorar. Então, se o seu sonho é escrever um romance se joga nisso!

4) Não tenha como objetivo se tornar escritor

Acho que esse é o conselho que eu mais odeio! Sério, se eu não tiver como objetivo me tornar escritora o que que eu to fazendo estudando escrita e escrevendo nos meus tempos livres? Eu quero ser escritora! Quero dizer pra todo mundo que eu sou escritora, esse é meu sonho e minha paixão. É muito importante que tenhamos paixões e sonhos! O problema desse conselho é que coloca a escrita em um patamar tão elevado que nos deixa inseguros achando que não podemos alcançar.

Quantas pessoas que escrevem não tem a coragem de dizer que é escritor? A gente envolve a escrita em um academicismo que nunca vai nos permitir chegar até os escritores canônicos. Inclusive essa é uma palavra muito interessante né? O cânone é um conjunto de modelos e formas que passou a ser considerado exemplar e consequentemente divino, né? Então, rola um endeusamento dos escritores. Isso não é nada saudável.

5) Escreva sobre o que você sabe

Esse conselho eu segui por anos até entender que tudo o que eu não sei (que é muita coisa) eu posso aprender. Além disso, escrita é sobre imaginação, sobre criar um panorama novo. Então eu diria, se você quer escrever sobre algo que você não sabe, estude sobre isso. Eu estou fazendo uma série de roteiros para os vídeos sobre 50 fatos de várias autoras que eu gosto, como a Simone de Beauvoir, Virginia Woolf, Angela Davis (vou deixar os vídeos no card aqui em cima) e eu sabia muito pouco sobre a vida delas, então fui atrás de ler biografias e mais obras delas. O trabalho de escrita também é um trabalho de pesquisa, então sempre lembre que o que você não sabe você pode aprender e o que você não pode aprender, você pode inventar. Escreva sobre o que você quiser!

6) Não se importar com a gramática

Eu mesma já escutei “Ah, não se importa com a gramática agora, alguém vai revisar depois”. Isso é verdade, se você já tiver um editor para quem mandar o seu livro e uma equipe para corrigir e melhorar ele. Você como um escritor iniciante deveria pensar em entregar seu romance, ou conto, o mais acabado possível. Porque isso conta pontos em concursos e nas apresentações a editoras. E para escrever a gente tem que ter domínio do português, né? Entender as nuances de cada palavra, e o seu significado preciso, afinal, todas (eu disse TODAS) palavras que estão dentro de uma história são essenciais.

7) escrever diálogos da mesma forma que se fala

Isso pode parecer bom e intuitivo mas não é, porque a fala tem muitas pausas. Às vezes não encontramos as palavras adequadas para usar em um diálogo. A fala também é afetada pelo contexto social que estamos inserido e quem é nosso interlocutor. Então, quando escrevemos nós não vamos escrever como falamos, porque o texto sairia truncado e sem sentindo. Temos que escrever de modo literário usando tudo o que a gente já sabe sobre a fala, por exemplo: o que as palavras significam para o nosso personagem, o que ele quer passar com o que está dizendo e o que ele está escondendo entre as palavras que ele diz. O que ele não diz? Isso é muito importante também.

Então é isso, temos que respeitar o modo falado mas dar uma melhorada nele, sabe? Transformar em algo literário.

Ai a gente entra na oitava dica que todo escritor iniciante está cansado de ouvir.

08) Evite diálogos!

Na escrita você tem uma grande liberdade para criar e escolher as suas técnicas para passar uma mensagem. E eu acredito que o diálogo é muito importante, principalmente para revelar contradições entre o que passa na interioridade de um personagem e o que ele quer passar para o mundo. Sério, diálogos são muito importantes, e ao invés de evitar os diálogos eu acredito que podemos melhorar eles, dar um sentido para eles. Como eu já disse, tudo que está na história tem extrema importância, inclusive os diálogos.

Para dar um exemplo de como um conto praticamente inteiro feito através de diálogos funciona vou citar Hemingway mais uma vez, ele escreveu um conto chamado Colinas como elefantes brancos onde o diálogo é a base do conto. Dá um google nesse conto, é facinho de achar, que você vai ver que incrível o que ele fez e quem sabe te inspira a não evitar os diálogos.

09) Escreva para os seus leitores

A literatura é uma arte. Claro, a gente tem que saber quem queremos alcançar com a nossa história, mas criar uma persona, como eles fazem no marketing para basear a sua história nele, é um absurdo. É totalmente irreal. Você acha que a Virginia Woolf escrevia para uma persona? Não. Um livro e uma história não deveriam ser um produto para alcançar mais compradores. Então, mesmo os escritores mais famosos que tem seus leitores mais fiéis não deveria basear suas histórias no que eles vão escolher. Me sinto tolhida só de pensar que eu tenho que escrever para alguém querer comprar.

É isso gente, espero que tenham gostado! Tem mais algum conselho de escrita que você está cansada de ouvir? Me conta nos comentários.