Escrituras para um fim de ano!

2021 foi um ano muito tumultuado para mim, um daqueles anos onde todas as ruas se convergem em uma. O Covid, que tive duas vezes; o tumor na tireóide que eu descobri no final de 2020; a pós graduação que decidi começar mesmo com todas as coisas fora do lugar; o Clube do Livro Contemporâneas, que foi uma grande alegria nos momentos mais intranquilos; Uma mulher quebrada, o livro que continuei trabalhando mesmo quando tudo parecia se desfazer dentro dele. 

O cansaço do meu corpo pelo o estresse e a depressão aumentavam, mas eu queria fazer todas essas coisas: escrever, incentivar a leitura de escritoras mulheres, estudar, criar. Confesso que deixei essa página um pouco de lado na época em que fiz a cirurgia de retirada do tumor e depois quando estava no processo de recuperação. Porém, tudo deu certo e em novembro eu estava curada. 💕

A pós graduação ainda está em andamento. Contra o COVID eu tomei a terceira dose. Uma mulher quebrada ainda está sendo trabalhado. E o Rumo ao Farol, apesar das idas e vindas recebeu presentes maravilhosos! 5 escritoras independentes mandaram seus livros para mim. Cada livro que eu recebia meu coração ficava quentinho, porque significava que o que o Rumo ao Farol estava fazendo o que se propôs. Ainda não tive tempo de ler alguns, você que me acompanha sabe de todas as leituras obrigatórias que tive esse ano, mas minha meta para janeiro de 2022 é ler todos eles. 

@contosdesamsara Michele Fernandes, @renatasferri Renata Ferri, _marilia_sk Marília Santos Krüger, @rafatavareskawasakiRafaela Tavares e @marceladantes Marcela Dantés, agradeço a confiança de vocês em mim e no Rumo ao Farol e espero que o livro de vocês voem para mais pessoas nesse ano que vai entrar. É muito bonito ver, que mesmo no Brasil, onde tem um número baixíssimo de leitores, e pouco incentivo para as letras, vocês tiveram a coragem e a paciência de colocar essas histórias no mundo! É um feito para se orgulharem. Espero que em 2022 eu entre para essa turma das mulheres publicadas também, junto de vocês. ✨

OBRIGADA!

Crescer com a crítica – Dica valiosa para quem quer começar a escrever.

Tava aqui pensando: quando escrevemos algo e colocamos no mundo, estamos passíveis a críticas. Às vezes pode ser doloroso, porque a gente se apega ao material que temos. Eu estou escrevendo um romance que se chama Uma mulher quebrada, e eu sabia que não tava lá essas coisas.

Aí, eu decidi que era hora de mostrar para meus colegas da pós (temos oficinas onde criticamos textos dos colegas e eles criticam o nosso), mesmo sabendo que ia chover crítica. Eu tava muito nervosa porque ninguém gosta de ouvir que o seu trabalho de anos está ruim, né? 

Mas mesmo assim reuni forças e mandei três capítulos. Minha barriga doía, juro. Sabia que ia ter muita coisa para arrumar. Mas sabe, foi a melhor coisa que eu fiz. Eles olharam com outros olhos (os meus já estavam saturados daquele texto), mostram as incongruências, o que tinha que melhorar e o que já estava bom. 

Eu me mexi, arrumei tudo que eles disseram e aprumei outras coisas que achava que fazia sentindo para história. O livro já estava completo, e agora eu estou reescrevendo ele inteiro, apesar de ainda não ter respostas para algumas questões. Enfim, foi muito importante ter pessoas ao meu lado criticando (com delicadeza) meu texto. As entregas foram passando e eu vi (meus colegas também) como melhorei nesses últimos meses.

O processo de escrita é longo, requer cuidado e ajuda. Hoje já não fico nervosa quando entrego um texto. Fico até feliz!

Atos de coragem VS. inseguranças.

Atos de coragem e insegurança
Photo by Katrina Wright on Unsplash

Escrever é um ato solitário. Até o momento em que você dá um texto seu para alguém ler, você já deve ter escrito pelo menos umas 200 páginas. Para mim isso só acontece quando algo está finalizado ou em vias de. Até lá fico remoendo sozinha os defeitos e as qualidades dele. Isso quando tenho coragem de mostrar para alguém, a insegurança de que algo não está tão-bom-assim me consome. Acho que somos seres inseguros por natureza (no caso a natureza é a sociedade que nos fala que não somos boas o suficiente) e isso causa um estrago danado nos nossos projetos.

É tão fácil se comparar ao amiguinho que está dando certo na página ao lado, sem lembrar que “dar certo” é algo muito relativo. Na verdade, ouso dizer, que isso nem existe. Por exemplo: você pode estar fazendo um doutorado e nunca ter tido um trampo que desse um bom retorno financeiro; ou você pode estar nadando em grana sem ter alcançado níveis acadêmicos altos; você pode ter se tornado um escritora publicada com seu primeiro livro, mas não fez as viagens que sonhou; ou fez todas essas viagens e não publicou seu primeiro livro. A vida é feita de momentos temporais de escolhas e vontades. Tudo pode mudar, até seus gostos e profissões.

A insegurança nos impede de ver as coisas que já alcançamos. Achamos que podemos perder tudo quando algo não acontece como queremos. Eu terminei de escrever um romance sem nunca ter tido educação universitária em comunicações ou letras, e isso é uma coisa gigante para mim. São 218 páginas que eu escrevi sozinha. Mas, eu ainda estou insegura em colocar ele no mundo, prevejo críticas e tenho medo que isso abale a escritora que existe dentro de mim. Como vou saber o que pode acontecer sem deixar que leiam?

Para toda insegurança existe um “leap of faith”* que precisa ser saltado. Então, dentro de algumas semanas meu livro estará no ar na plataforma Kindle e em mim existe uma combinação de friozinho na barriga com um leve enjoo, que só vai passar depois desse grande ato de coragem.

*salto de fé