COMO ESCREVER UM LIVRO INCRÍVEL | 8 passos para estruturar a sua história com 4 dicas de escrita criativa

Nesse post eu vou te guiar para a construção de uma história forte! Esse passo a passo vai funcionar para você escrever um livro inteiro do zero. No fim você vai conseguir enxergar melhor como você pode estruturar sua história e já começar a escrever.

No final eu vou dar de presente pra você um bônus de 4 dicas de escrita criativa pra colocar esse Guia em prática de uma forma inteligente, ta bem? Ta bem!

Vamos comigo?

Esse vai ser um post bem parecido com aquele que eu trouxe 10 dicas de escrita que mudaram a minha vida algumas semanas atrás. Onde eu apresentei as dicas mais inspiradoras do livro da Natalie Goldberg, Escrevendo com a Alma, com três exercícios de escrita para você desbloquear a sua escrita.

Já nesse post eu vou falar sobre um outro livro que eu li e amei, inclusive falo dele no meu segundo diário de escrita, que é Palavra por Palavra da Anne Lammot. Esse livro não foi leitura obrigatória da pós (para saber tudo sobre a pós clique aqui) como foi o livro da Natalie Goldberg, ele apareceu para mim quando eu conversava com uma amiga que também escreve e me indicou. Foi muito difícil achar na Amazon e no estante virtual, era um livro com a edição esgotada, e os preços estavam muito altos, tipo R$150, R$200 reais por um livro! Então, eu coloquei na minha lista da Amazon e ficava vendo se aparecia por um preço aceitável. Às vezes as livrarias colocam seus estoques lá na Amazon para vender. Um dia eu encontrei ele por R$49,9 e comprei sem pensar. Recentemente eu vi que tem a versão para Kindle por R$ 22 reais, mas na época que eu comprei não tinha. (Se quiser comprar essa versão com o meu link e ajudar o Rumo ao Farol clique aqui)

Anne Lamott

Eu gostei bastante dele, porque traz dicas muito boas sobre escrita. A Anne é muito sincera em relação ao seu processo de escrita e ela conta tudo nesse livro: todas as suas frustrações, seus medos e sua experiência de décadas escrevendo e ensinando a escrita. Diferente da Natalie, a Anne (inclusive ela cita a Natalie nesse livro) quis trazer um passo a passo para você escrever uma boa história. O livro é dividido em cinco partes, a primeira é para você estruturar bem a história. A segunda é para você colocar sua cabeça no lugar em relação a escrita. A terceira parte é sobre os apoios que você pode precisar ao longo da escrita. A quarta parte é sobre a publicação, e acho que a gente sempre fica ansioso por isso né? A última parte é sobre a finalização do livro.

Aqui nesse post eu decidi focar na primeira parte, pra te ajudar a estruturar a sua história. Mas eu também vou trazer as dicas presentes nas outras partes no final do guia. Então, esse vídeo vai ser dividido em duas partes, a primeira o passo a passo, e a segunda as dicas, lembrando que todas coisas se convergem, então leia até o final!

Passo a passo para estruturar a sua narrativa e escrever um livro incrível

1) O esboço é uma criança

Você vai achar que esse primeiro passo atropela os próximos. Mas ele é bem simples: você tem que começar a escrever. Não importa se você ainda não tem nada estruturado, você precisa fortalecer a história dentro de você. Precisa encontrar o caminho que você quer seguir, sabe? Eu to passando por isso, e quem assistiu meu segundo diário de escrita sabe que eu tenho uma história até que estruturada, mas eu só consegui enxergar o que eu realmente queria quando eu comecei a escrever.

Então, você pode estruturar sua história antes de começar a escrever, mas eu sugiro que você escreva algumas páginas antes. Pode ser seis ou sete, não muitas, para você ver para onde a história vai. Por isso dizemos que o esboço é uma criança, ele vai ser um tanto infantil no começo e você tem que deixar ele assim. Para depois ir amadurecendo, entende? Faz sentindo? Me conta nos comentários se isso faz sentindo.

Coloque tudo que está na sua cabeça nessas primeiras páginas. Esse primeiro esboço é um semeador, é quando você coloca a sua plantinha para nascer. Ele não vai estar perfeito, pois escrever um livro é uma construção diária. Lembre-se o esboço é uma criança e você vai ter que educar ela para se tornar um bom adulto.

2) Deixe o perfeccionismo de lado

O segundo passo é entender que o perfeccionismo é seu maior inimigo. Esses dois primeiros passos parecem dicas, né? Mas eu estou dizendo isso agora porque acho muito importante que a gente pare de se julgar antes de começarmos a escrever. A bagunça e a confusão são coisas extremamente férteis.

Entenda que você não vai acertar de primeira, grandes escritores ficaram anos trabalhando em suas histórias. Eu quero que você tire da sua cabeça a preocupação de escrever algo bom, até porque esses primeiros esboços não serão vistos. A Anne diz que o perfeccionismo é igual a músculos contraídos, a gente não percebe que eles estão daquele forma mas eles nos impedem de nos soltar. Quando o perfeccionismo está presente ele nos restrigem e nos preocupa.

Então, deixe o perfeccionismo de lado antes de começar a escrever.

3) Pense no terreno emocional dos personagens

Agora a gente vai colocar a mão na massa! Você vai começar criando seus personagens. Eu fiz um post com dicas para criar um personagem mais complexo, vou deixar aqui o link se você quiser ler, ou assistir. Primeiro eu tenho que dizer que construir um personagem leva tempo! Você vai descobrindo aos poucos sobre cada um deles, como eu disse no primeiro passo, você está descobrindo uma nova história com novos personagens, então vai ser um processo longo e demorado.

E a primeira coisa que você tem que pensar é sobre o terreno emocional do personagem e como ele cuida desse terreno. Eu sei que está um pouco abstrato mas estamos falando de emoções, e emoções são sempre abstratas. Como ele cuida e percebe suas próprias emoções? O que ele sente? O que ele viu quando criança?

Eu vou deixar algumas perguntas perguntas que você pode responder sobre o seu personagem para trazer clareza sobre seus sentimentos.

  1. Você consegue ver a aparência de seu personagem?
  2. Qual é a primeira impressão que causam?
  3. O que consideram mais importante do que qualquer coisa no mundo?
  4. Quais são seus segredos?
  5. Como ele se mexe?
  6. Que cheiro ele têm?
  7. Todo mundo caminha como se fosse uma propaganda de si mesmo – então, quem é esse personagem?
  8. Como seu personagem descreveria suas circunstâncias atuais para um amigo intimo?

Enfim, você vai ter que visualizar esse personagem em diversos cenários e eles vão ser parte central da história.

4) Crie um narrador agradável

A gente pode falar de diversos aspectos da narração, que pode ser em primeira pessoa, em terceira pessoa, ou em segunda pessoa. Pode ser um narrador personagem, ou um narrador onisciente. Se você quiser saber mais sobre esses aspectos deixa nos comentários que eu posso preparar um post só sobre isso. Aqui falaremos de aspectos mais gerais da narração.

A Anne Lamott diz que o narrador tem que ser agradável, como um grande amigo, o leitor tem que empatizar com ele, tem que gostar da sua compainha e querer saber suas opiniões. E ele também tem que ter defeitos que se relacionem com quem está lendo. Seus defeitos são oq os tornam agradáveis, seu auto engano, sua procrastinação, a obscuridade, o ciúmes, a compulsão. Acho que isso vale tanto para personagens quanto para os narradores, e quando é um narrador personagem a coisa se intensifica. Ninguém é perfeito e seu narrador também não precisa ser perfeito.

Assim como seus personagens o seu narrador tem que ser complexo e você tem que pensar nele como uma pessoa real, com suas qualidades e defeitos.

5) A trama nasce do personagem

A Anne diz que se você escrever personagens inspirados em duas pessoas que você conhece algo vai acontecer. A trama é criada em cima dos personagens e não ao contrário, porque os personagens não são peões que trabalham para trama, eles são o centro da trama. Descubra qual é a coisa mais importante do mundo para cada personagem e assim saberá o que está em jogo, e isso vai criar tensão, fazendo o leitor virar a página.

Sabendo o que está em jogo você vai ter que mostrar ações e sentimentos que indiquem essas questões. Leve seu personagem a questionar, a colocar os pés pelas mãos e viver a vida. Assim você vai criar o drama, e isso prende o leitor. A fórmula básica do drama é introdução, desenvolvimento e desfecho. A introdução nos diz o que está em jogo. O desenvolvimento é onde a história se movimenta. e o desfecho responde às perguntas: Por que estamos aqui? O que você está tentando revelar?

A trama vai se encaixando ao longo dos dias enquanto você conhece seus personagens e ouve o que eles pedem, é um pouco abstrato eu sei, por isso voltamos ao passo 1, você tem que escrever para entender pra onde a história caminha. Faça a história caminhar para frente, escreva!

Agora cito John Gardner que disse que o escritor cria um sonho no qual convida o leitor a entrar e esse sonho deve ser vívido e continuo.

Isso mesmo, o sonho deve ser vívido e continuo.

6) Leia diálogos em voz alta

Acho que essa é uma das partes que eu mais tenho dificuldade, criar diálogos convincentes. Escrever diálogo é uma arte e na minha opinião uma das coisas mais difíceis de acertar, então você vai ficar um tempinho criando eles, porque eles não podem ser perfeitinhos mas também não podem ser esdrúxulos, é uma linha muito tênue entre a palavra escrita e a palavra falada. Algumas atitudes poderão te ajudar a encontrar esse equilíbrio. Primeiro você vai ter que prestar atenção no som das palavras! Leia seus diálogos em voz alta. Isso é algo que você pode praticar bastante.

Você também pode sair de casa para escutar como as pessoas falam no mundo lá fora. Preste atenção no as pessoas dizem e edite mentalmente, imagine como essas palavras ficariam no papel. O bom dialogo nos dá a sensação de que estamos escutando uma boa conversa alheia. O curioso é que eu também falo sobre isso no post sobre o livro da Natalie Goldberg, onde dou 10 dicas para você escrever melhor. Um bom diálogo engloba tudo que é dito e o não dito. Além disso o diálogo é a maneira de revelar a verdadeira natureza do personagem. Então se preocupe com isso, mas não se prenda, pois as palavras que saem de nossa boca geralmente nunca são o que realmente gostaríamos de dizer.

7) Arrume o palco

Estamos quase chegando ao fim desse nosso guia (mas fica aqui que ainda tem 4 dicas de escrita criativa), então temos que pensar nos cenários! Onde os personagens estão? Onde a história se desenrola? Você vai ter que reproduzir esse universo. Digamos que você está preparando o palco para os seus personagens entrarem. Essa é a hora de você falar das rachaduras do apartamento, ou da roseira no jardim. Você tem que criar o clima, ver se a luz está boa, se os móveis estão bem polidos.

Os aposentos são as vitrines de seu personagem, eles representam os valores deles e como enxergam a vida. Existem muitos videos aqui no Youtube que mostram casas de acumuladores compulsivos e também de pessoas que tem depressão. A casa da pessoa diz como ela é, então, use isso no seu texto. Crie os cenários que mais tem a ver com seus personagens e sua história.

8) o primeiro esboço ruim

Você seguiu todo esse guia bem direitinho, escreveu tudo que passou pela sua cabeça, construiu personagens interessantes, descobriu a trama, montou o cenário, deixou o perfeccionismo de lado. Agora você tem seu primeiro esboço e ele vai estar ruim. Desculpa dizer isso, mas ninguém acerta de primeira, você vai ter que se dedicar muito na reescrita e nas correções. Toda a boa obra começa com um esboço ruim. Então, você vai ter que editar esse primeiro esboço, e vai exigir ainda mais do seu tempo. E quando você ler esse esboço pela primeira vez você vai ver que tem muita coisa para arrumar. Esse é o momento de ser perfeccionista.

Um amigo da Anne disse que o primeiro esboço é do semeador, é a hora de jogar a ideia no papel. O segundo esboço é o do mecânico: você tenta consertar aquilo e tenta se expressar com mais precisão. E o terceiro esboço é o do dentista: você verifica cada dente para ver se algum está solto, quebrado, cariado ou até mesmo saudável.


Bom, esse foi o guia para você escrever um livro incrível direto do livro Palavra por Palavra da Anne Lamott, mas esse post não termina aqui. Eu prometi 4 dicas de escrita que também estão presentes no livro da Anne. Agora eu vou dar essas dicas para vocês!

4 DICAS DE ESCRITA CRIATIVA PARA ESCREVER UM LIVRO INCRÍVEL

Dica número 1: Escrever um romance é dirigir um carro à noite

E.L. Doctorow uma vez disse que “escrever um romance é dirigir um carro à noite. Você só consegue enxergar até onde a luz dos faróis alcança, mas pode fazer a viagem inteira assim”

E o que isso significa? Significa que você não precisa ver para onde está indo, nem o que está ao seu redor. Você vai trabalhar uma página de cada vez, uma palavra de cada vez, antes de chegar ao seu destino. Você só precisa ter fé que vai chegar lá, porque vai. É só continuar a dirigir, ou escrever, no caso.

Dica número 2: monte grupos de escrita

Durante a sua busca por se tornar um bom escritor você vai encontrar pessoas que querem o mesmo que você ao longo do caminho, e porque não se juntar com essas pessoas? Em busca de apoio, de ajuda, e é claro, troca mútuas de textos e ideias. É muito bom quando você tem um compromisso com alguém toda a semana para poder falar sobre livros e sobre escrita, isso vai te dar animo!

3) A sua própria sensibilidade será sua originalidade

Escrever algo original é muito difícil, pois todas as histórias já foram contadas e todas as palavras já foram ditas. Todas as preocupações e dramas serão reciclados nas histórias através dos tempos. Porém, cada pessoa é única, cada um tem seu próprio senso de humor, sua própria experiência de vida e seu significado pessoal. Você já tem tudo que precisa para escrever uma história original, então olhe bem fundo dentro de você, repare no que você observa, no que você pensa e escreva à partir do seu próprio filtro pessoal.

4) Seu inconsciente não consegue trabalhar quando é pressionado

É sério isso, se você ficar sentada em frente ao computador sofrendo porque não está escrevendo você não vai escrever. Para nós conseguirmos dar continuidade a atividades criativas temos que deixar nosso cérebro respirar, temos que ter momentos de ócio sabe? o famoso ócio criativo: sair para caminhar, meditar, respirar. Pois se você ficar se pressionando para escrever você vai se sentir mal por não estar produzindo e vai acumular estresse.

Bom, esse foi o artigo: COMO ESCREVER UM LIVRO INCRÍVEL | 8 passos para estruturar a sua história com 4 dicas de escrita criativa

Se você gostou do que leu deixe seu comentário! Vamos conversar ❤

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10 DICAS DE COMO ESCREVER UM PERSONAGEM COMPLEXO | Como criar personagens profundos?

Uma das maiores dificuldades que eu como escritora passei é criar personagens fortes, que prendam a atenção das pessoas que estão lendo a história. Como Assis Brasil disse quem move a história é o personagem, então por isso eu trouxe algumas dicas para você não ficar mais em dúvida na hora de criar eles. Vamos lá?

O personagem é a alma da história, é com ele que as pessoas vão se identificar. Ele pode ser um vilão, um herói, alguém super ingênuo, ou cruel. Ele pode ser qualquer coisa que você quiser, de verdade, e se você colocar as dicas que eu vou dar aqui nesse artigo em prática, ele vai se transformar em alguém profundo e interessante, podendo ser querido ou odiado, do jeito que você quiser. Claro, que você não precisa colocar todas essas dicas em sua história, mas é bom saber que existe uma infinidade de características para transformar seus personagens em pessoas reais. Eu quero que você tenha controle sobre o que vai estar ou não na sua história, para você escolher o que faz mais sentido pra você.

De qualquer forma sempre vai existir os personagens planos e os redondos, como dizem nos livros sobre escrita, você pode escolher que cara dar para esse personagem, você quer que ele seja mais complexo? Ou mais simples? O que você quer mostrar com cada um deles? Não existe uma fórmula mágica, você tem que colocar os ingredientes que fazem mais sentido para você.

Enfim, vamos para as 10 dicas de como escrever um personagem complexo e profundo?

1) Características físicas

O primeiro passo para definir seu personagem é olhando pra ele do lado de fora. Qual é a cor de sua pele, seu formato físico, a cor do seu cabelo, porque todas essas coisas podem influenciar o seu “eu” interior. Então, você pode criar uma imagem mental dele, definindo quais tipos de roupa esse personagem usa, se ele tem furos na orelha, se ele tem tatuagens, se ele precisa de óculos. Você não precisa deixar todas essas informações claras na história, mas é muito importante que você consiga visualizar ele com força na sua imaginação. O modo como o corpo do personagem fala, diz muito sobre quem ele é. 

Eu escrevi a história de uma personagem que se preocupava muito com sua aparência física, ela mantinha uma dieta rígida e malhava todos os dias na academia. Ela tinha o corpo perfeito aos olhos de fora, mas por dentro ele escondia todas as cobranças que sua mãe tinha feito em relação ao seu peso quando ela era uma criança. E ao longo da história, enquanto ela se libertava dessas cobranças maternas e sociais, seu corpo foi mudando, ele criou mais curvas e ela já não se preocupava com elas. Enfim, esse é um exemplo de como o corpo pode contar uma história. 

2) Desejos e objetivos

Acredito que todas as pessoas tem desejos na vida, existe algo ali que elas almejam. Algumas pessoas criam objetivos para alcançar esses desejos, outras estão presas em ciclos e não conseguem visualizar com clareza aquilo que elas querem. Então, os desejos e objetivos podem ser algo bem claro, que está presente na vida da pessoa e ela segue essas vontades concretamente, ou pode ser apenas um incômodo do desejo não realizado que não é externado. O desejo do personagem é o que faz ele ser quem é e é o que movimenta a trama, até a falta de desejo diz muito sobre quem o personagem é. Isso se relaciona também com a profissão do personagem e quais são suas vontades em relação as conquistas pessoais e financeiras.

3) Hobbies e interesses

Acho que essas coisas se aproximam muito dos desejos e objetivos, mas acredito que os hobbies e interesses são aquilo que as pessoas fazem em seu tempo livre. O que elas fazem apenas por prazer? Por que esses hobbies são importantes para os personagens? Pode ser algo artístico, como fotografar com câmeras analógicas (esse é o meu hobbie), pode ser tocar algum instrumento. Pode estar relacionado a educação também, o personagem pode adorar aprender sobre o império Otamano, ou quer muito aprender uma nova língua. Os hobbies podem estar relacionados a esportes, a amizades. E esses interesses e paixões dizem muito sobre a personalidade do personagem.

4) O que ele mostra e o que ele esconde

Esse é um ponto muito interessante porque sempre me lembro que todos temos algo que escondemos e coisas que mostramos. Isso é super comum, nossos defeitos são escondidos muitas vezes como algo vergonhoso e nossas qualidades podem ser aumentadas. O que os personagens vão mostrar ao mundo e o que eles sentem podem ser coisas completamente diferentes, nossas palavras passam pelo filtro do eu. As palavras são projeções daquilo que queremos passar, assim como nossas roupas e nosso modo de se portar. Acho que aqui entra também o que chamamos de comunicação não verbal, os gestos e as atitudes do personagem. E podemos mostrar um pouco os defeitos dele e como ele gere essas frustrações em relação si mesmo.

5) Contradições

Depois disso a gente entra nas contradições, por exemplo, o personagem pode querer muito uma coisa e fazer outra. Ele pode pensar de modo muito crítico sobre alguém e ao mesmo tempo elogiar essa pessoa para um terceiro. Aqui nós podemos trazer ambiguidades entre o que o personagem pensa e o que ele faz. As contradições aparecem porque somos seres complexos, vivendo uma vida cheia de altos e baixos, e temos que fazer escolhas por mais difícil que essas escolhas sejam. Então coloque pequenas contradições na vida e pensamento do seu personagem. 

6) Especificidades

Eu adoro esse termo, porque acho que as especificidades são as coisas mais importantes em uma história. Sabe aquela pequena coisa que dá o tom para todo o texto? Por exemplo a sua personagem é advogada, mas você não vai dizer só isso, que ela é advogada, você vai dizer que ela é uma advogada trabalhista que trabalha em um escritório onde eles auxiliam empregados de fábricas. Entende? Você vai sempre além da superficialidade. Vou dar mais um exemplo: a sua personagem não gosta apenas de fotografia, ela sai para fotografar com uma Leica que herdou da avó e revela seu próprio filme em casa. Eu sempre falo que são essas pequenas coisas que dão vida para o seu personagem.

7) Mundo interno

Isso traz características interessantes também. Saber o que o personagem pensa e como ele vê o mundo dá um toque especial para história. O mundo interno de cada pessoa é diferente, porque cada pessoa teve suas próprias experiências e carrega diversos tipos de referências, que podem ser tanto musical, quanto estéticas quanto de valores pessoais. O mundo interno carrega muita coisa, desde acontecimentos na infância, até pequenas coisas do dia a dia, aqui podemos enxergar como o personagem encara o mundo com o filtro dessas referências e como ele imagina a própria vida.

8) A sombra

Claro, ninguém é perfeito, o seu personagem vai carregar as coisas que estão escondidas dentro dele, aquilo que ele não quer mostrar de jeito nenhum. Aí a gente volta ali para a quarta dica aquilo que o personagem mostra ou esconde, mas aqui o que ele esconde é de um modo muito intenso, no caso da sombra não é apenas alguma esquisitice que o personagem tem vergonha, é algo muito mais profundo, muito mais difícil de lidar, é algo que vai além da aparência física, do externo, sabe? É algo que está escondido e o personagem não vai querer mostrar para ninguém. Ele pode ou não ter consciência dessa sombra, pode ser uma coisa muito arraigada dentro de si.

9) Crenças

E as crenças englobam tudo que ele acredita como pessoa, não só sua religião, que claro também pode ser assinalada. Mas aqui entra seus valores, o que ele julga certo e errado, como ele vê a moralidade, o que ele acredita da vida enquanto um ser social. Muitas vezes as crenças podem ser limitantes, então, é muito interessante colocar o personagem em confronto com suas próprias crenças. Elas podem vir do lar em que o personagem cresceu, como eram seus pais e no que eles acreditavam e qual era visão de mundo da família ou da comunidade que o personagem estava inserido. As crenças muitas vezes ditam as atitudes e pensamentos do personagem.

10) Percepção de si 

Como esse personagem se vê em comparação ao que os outros vem dele? qual é a percepção que ele tem de si mesmo? Isso é interessante pois muitas vezes ele pode ter uma ideia exagerada de seus defeitos, e não ver qualidades em si próprio, e ao contrário é muito comum também, ele pode se ver como uma pessoa incrível e sem defeitos. Você tem que se perguntar, o que o personagem vê quando se olha no espelho? Ele é feliz com sua aparência física? Ele gosta do que tem dentro de si mesmo? 

Enfim, isso é muito importante porque traz ambiguidade e complexidade para o personagem. 

Essas foram as 10 camadas de complexidade que você pode estudar e pensar para criar um personagem forte e interessante que vai caminhar junto com a história.

Você sente falta de alguma camada? Me conta nos comentários! E me conta também se vídeo foi útil para você.

Passo a passo para escrever um conto | 8 passos para um escritor iniciante estruturar um conto sem dificuldades!

O conto é a porta de entrada para o mundo da literatura, geralmente novos escritores começam por ele, por ter uma estrutura mais simples e menos páginas do que uma novela ou um romance. Mas o que parece simples às vezes não é, escrever contos exige tanto planejamento quanto um romance, mas não se preocupe, nesse vídeo vou contar o passo a passo para estruturar um conto que aprendi na pós de formação de escritores e no meu dia a dia escrevendo. São oito passos para você escrever um conto.

8 passos de um passo a passo certeiro para um escritor iniciante estruturar um conto sem dificuldades!

Passo 1: O conto nasce de uma ideia

Mas não precisa ser uma ideia genial. Pode ser algo simples, do cotidiano, como um passeio de bicicleta, ou um dia inteiro dentro de casa. O que importa mesmo é a forma e não a ideia, então sinta-se livre para escrever sobre as coisas mais comuns.

Passo 2: Hora de pensar nos personagens

Depois que você tem a ideia é hora de pensar no personagem principal. Nos contos devemos colocar no máximo 2 personagens, isso não é um regra, mas é muito importante a gente não encher o conto com histórias que não serão exploradas, para quem está lendo não perder o foco. Nesse momento você destrincha seus personagens, quem eles são, o que eles fazem, de onde eles vem, para onde eles vão. É legal pensar em coisas miúdas também, tipo qual sua comida preferida, ou qual banda ele gosta de escutar, especificidades são muito importantes para criar personagens reais.

Passo 3: Quem está contando a história?

É nesse passo você define quem é o narrador. A história é contada por um narrador em terceira pessoa onisciente, aquele sabe tudo, ou observador, aquele que olha a história de fora? Ou será narrada em primeira pessoa? Essa primeira pessoa será o próprio protagonista ou alguém que está próximo observando? Esse passo é muito importante, porque você tem que seguir com o que escolher até o final.

Passo 4: Começo, meio e fim

Com tudo isso já decidido é hora de estruturar a história. Um bom conto precisa de começo, meio e fim. O começo é a introdução da história, a apresentação de um conflito. O meio é o desenrolar desse conflito, onde as coisas ficam tensas. E o fim é o grande nocaute.

Passo 5: Cenas são muito importantes

Cada uma dessas partes deve conter cenas que levem o personagem do inicio ao fim da narrativa. Na minha opinião cenas bem criadas são o que fazem a diferença. Esqueça os flashbacks, as coisas que aconteceram no passado do personagem e foque no que você quer contar agora. Se demore na construção de cenas.

Passo 6: A construção do final!

Gente, o final é uma das coisas mais importantes do conto, ele deve ser forte, ele tem que deixar seus leitores de queixo caído. Muita gente começa o conto pelo final, então, ele poderia muito bem ser o passo 1 desse vídeo. Mas se você ainda não tem um final forte em mente, tá tudo bem. Se você chegou até o passo 8 e seguiu todos os outros você vai ter uma noção de para onde os personagens estão indo e consequentemente o fim vai vir. Foca nisso: Você tem que nocautear seus leitores. O final tem que ser intenso.

Passo 7: Esse é o momento mais aguardado, o momento que você vai desligar todas as distrações e começar a escrever.

Muitas ideias vão surgir nesse momento, e você pode adicionar coisas novas ao seu planejamento, sem fugir da ideia principal. Eu gosto muito dessa parte porque é quando me sinto mais criativa. Aqui o poder está todo com você, você está criando um mundo novinho e isso é uma delicia. Se demore na construção de cenas, e mostre seu personagens com características marcantes, fuja do comum.

Passo 8: Hora da edição e da reescrita.

Seu conto está escrito! Uhul. Você deve estar super feliz, né? Essa parte é a hora que você vai lapidar sua história. Você vai adicionar coisas novas e não esqueça de cortar tudo que não seja necessário. Lembre-se que no conto só fica o essencial, então corte sem dó. Você tem que se lembrar que a edição é um momento de desapego. Reescreva e deixe a gramática perfeita.

Pronto! Agora você já tem um conto prontinho para mandar para algum concurso.

Você gostou dessa estrutura? Ou você faz algo diferente? Me conta nos comentários.

Como escrever um conto incrível | 6 dicas para começar a escrever hoje!

Uma das coisas que aprendi na pós foi como escrever um conto potente. Um conto que prenda a atenção de quem está lendo e crie sensações fortes em poucas páginas. O que eu quero aqui e te ajudar a escrever contos muito melhores, com dicas que eu mesma uso e que aprendi escrevendo, lendo e com meus professores.

Bom, já pega seu caderninho e uma caneta para anotar tudo! Vamos lá?

6 dicas para você escrever um conto incrível hoje!

Dica 1: Escolha um fio condutor para brilhar na sua história

Você não precisa de uma ideia genial para escrever um conto incrível. Você precisa apenas do fio condutor, que pode ser tudo que você imaginar, um final, um personagem, um tema, um tipo de narrador, uma mensagem que você quer passar. Esse fio condutor vai ditar o tom da história e vai te levar até o fim. É ele que deve estar brilhando, tudo além disso é dispensável. Foque no fio sem fazer desvios para as outras ideias que surgirem. Assim, o conto fica mais conciso e menos confuso.

Dica 2: Foque em um, ou dois personagens no máximo.

contos devem ter poucos personagens, isso não é uma regra restrita, nada aqui é. Mas um conto potente geralmente não tem desvios para outras narrativas. Outra coisa, os personagens de contos são diferentes dos de Romance. No conto você não precisa mostrar eles por inteiro, você pode escolher fragmentos que fazem sentido para história. O passado do personagem só é importante quando isso interfere suas escolhas no presente.

Dica número 3: O conto é todo sobre cenas!

Ações, ações, ações. Ele é para te deixar sem fôlego, lendo e escrevendo. Então aposte em cenas e esqueça as grandes descrições, e os flashbacks. Foque no aqui e no agora do personagem.

Dica 4: Estruture! Um conto precisa ter começo, meio e fim.

Quando eu não sei muito bem o que escrever eu abro uma página em branco e divido em três e coloco tudo que quero em cada parte. O começo é a introdução da história, a apresentação de um conflito. O meio é o desenrolar desse conflito, onde as coisas ficam tensas. E o fim é o grande nocaute.

Dica 5: Segundo Cortázar um conto te vence pelo nocaute!

Enquanto o romance deve vencer por pontos o conto deve ter um final brutal, daqueles que te fazem ficar pensando horas no que aconteceu. O final do conto é para impactar mesmo, por isso muita gente escolhe ele como fio condutor.

Dica 6: A arma de Tchekhov.

Vocês devem conhecer essa, mas estou falando aqui porque para mim essa é a grande sacada do conto. Bom, ele diz que:

“Se no primeiro ato você colocar uma pistola na parede, no seguinte ela deve ser disparada. Em outro caso não coloque ela lá.”

E o que isso significa? Que tudo que tem dentro de um conto (no caso ele fala do teatro mas sabemos que ele foi um grande contista também) deve ser essencial, nunca coloque nada a mais, nunca deixe arestas soltas, o conto deve ser conciso e tudo que tem lá deve ser estritamente o necessário.

Espero que essas dicas te façam escrever um conto incrível!

Me conta nos comentários se essas dicas foram úteis ou se você tem algo para adicionar.

Assista a esse vídeo no Youtube: