COMO ESCREVER UM LIVRO INCRÍVEL | 8 passos para estruturar a sua história com 4 dicas de escrita criativa

Nesse post eu vou te guiar para a construção de uma história forte! Esse passo a passo vai funcionar para você escrever um livro inteiro do zero. No fim você vai conseguir enxergar melhor como você pode estruturar sua história e já começar a escrever.

No final eu vou dar de presente pra você um bônus de 4 dicas de escrita criativa pra colocar esse Guia em prática de uma forma inteligente, ta bem? Ta bem!

Vamos comigo?

Esse vai ser um post bem parecido com aquele que eu trouxe 10 dicas de escrita que mudaram a minha vida algumas semanas atrás. Onde eu apresentei as dicas mais inspiradoras do livro da Natalie Goldberg, Escrevendo com a Alma, com três exercícios de escrita para você desbloquear a sua escrita.

Já nesse post eu vou falar sobre um outro livro que eu li e amei, inclusive falo dele no meu segundo diário de escrita, que é Palavra por Palavra da Anne Lammot. Esse livro não foi leitura obrigatória da pós (para saber tudo sobre a pós clique aqui) como foi o livro da Natalie Goldberg, ele apareceu para mim quando eu conversava com uma amiga que também escreve e me indicou. Foi muito difícil achar na Amazon e no estante virtual, era um livro com a edição esgotada, e os preços estavam muito altos, tipo R$150, R$200 reais por um livro! Então, eu coloquei na minha lista da Amazon e ficava vendo se aparecia por um preço aceitável. Às vezes as livrarias colocam seus estoques lá na Amazon para vender. Um dia eu encontrei ele por R$49,9 e comprei sem pensar. Recentemente eu vi que tem a versão para Kindle por R$ 22 reais, mas na época que eu comprei não tinha. (Se quiser comprar essa versão com o meu link e ajudar o Rumo ao Farol clique aqui)

Anne Lamott

Eu gostei bastante dele, porque traz dicas muito boas sobre escrita. A Anne é muito sincera em relação ao seu processo de escrita e ela conta tudo nesse livro: todas as suas frustrações, seus medos e sua experiência de décadas escrevendo e ensinando a escrita. Diferente da Natalie, a Anne (inclusive ela cita a Natalie nesse livro) quis trazer um passo a passo para você escrever uma boa história. O livro é dividido em cinco partes, a primeira é para você estruturar bem a história. A segunda é para você colocar sua cabeça no lugar em relação a escrita. A terceira parte é sobre os apoios que você pode precisar ao longo da escrita. A quarta parte é sobre a publicação, e acho que a gente sempre fica ansioso por isso né? A última parte é sobre a finalização do livro.

Aqui nesse post eu decidi focar na primeira parte, pra te ajudar a estruturar a sua história. Mas eu também vou trazer as dicas presentes nas outras partes no final do guia. Então, esse vídeo vai ser dividido em duas partes, a primeira o passo a passo, e a segunda as dicas, lembrando que todas coisas se convergem, então leia até o final!

Passo a passo para estruturar a sua narrativa e escrever um livro incrível

1) O esboço é uma criança

Você vai achar que esse primeiro passo atropela os próximos. Mas ele é bem simples: você tem que começar a escrever. Não importa se você ainda não tem nada estruturado, você precisa fortalecer a história dentro de você. Precisa encontrar o caminho que você quer seguir, sabe? Eu to passando por isso, e quem assistiu meu segundo diário de escrita sabe que eu tenho uma história até que estruturada, mas eu só consegui enxergar o que eu realmente queria quando eu comecei a escrever.

Então, você pode estruturar sua história antes de começar a escrever, mas eu sugiro que você escreva algumas páginas antes. Pode ser seis ou sete, não muitas, para você ver para onde a história vai. Por isso dizemos que o esboço é uma criança, ele vai ser um tanto infantil no começo e você tem que deixar ele assim. Para depois ir amadurecendo, entende? Faz sentindo? Me conta nos comentários se isso faz sentindo.

Coloque tudo que está na sua cabeça nessas primeiras páginas. Esse primeiro esboço é um semeador, é quando você coloca a sua plantinha para nascer. Ele não vai estar perfeito, pois escrever um livro é uma construção diária. Lembre-se o esboço é uma criança e você vai ter que educar ela para se tornar um bom adulto.

2) Deixe o perfeccionismo de lado

O segundo passo é entender que o perfeccionismo é seu maior inimigo. Esses dois primeiros passos parecem dicas, né? Mas eu estou dizendo isso agora porque acho muito importante que a gente pare de se julgar antes de começarmos a escrever. A bagunça e a confusão são coisas extremamente férteis.

Entenda que você não vai acertar de primeira, grandes escritores ficaram anos trabalhando em suas histórias. Eu quero que você tire da sua cabeça a preocupação de escrever algo bom, até porque esses primeiros esboços não serão vistos. A Anne diz que o perfeccionismo é igual a músculos contraídos, a gente não percebe que eles estão daquele forma mas eles nos impedem de nos soltar. Quando o perfeccionismo está presente ele nos restrigem e nos preocupa.

Então, deixe o perfeccionismo de lado antes de começar a escrever.

3) Pense no terreno emocional dos personagens

Agora a gente vai colocar a mão na massa! Você vai começar criando seus personagens. Eu fiz um post com dicas para criar um personagem mais complexo, vou deixar aqui o link se você quiser ler, ou assistir. Primeiro eu tenho que dizer que construir um personagem leva tempo! Você vai descobrindo aos poucos sobre cada um deles, como eu disse no primeiro passo, você está descobrindo uma nova história com novos personagens, então vai ser um processo longo e demorado.

E a primeira coisa que você tem que pensar é sobre o terreno emocional do personagem e como ele cuida desse terreno. Eu sei que está um pouco abstrato mas estamos falando de emoções, e emoções são sempre abstratas. Como ele cuida e percebe suas próprias emoções? O que ele sente? O que ele viu quando criança?

Eu vou deixar algumas perguntas perguntas que você pode responder sobre o seu personagem para trazer clareza sobre seus sentimentos.

  1. Você consegue ver a aparência de seu personagem?
  2. Qual é a primeira impressão que causam?
  3. O que consideram mais importante do que qualquer coisa no mundo?
  4. Quais são seus segredos?
  5. Como ele se mexe?
  6. Que cheiro ele têm?
  7. Todo mundo caminha como se fosse uma propaganda de si mesmo – então, quem é esse personagem?
  8. Como seu personagem descreveria suas circunstâncias atuais para um amigo intimo?

Enfim, você vai ter que visualizar esse personagem em diversos cenários e eles vão ser parte central da história.

4) Crie um narrador agradável

A gente pode falar de diversos aspectos da narração, que pode ser em primeira pessoa, em terceira pessoa, ou em segunda pessoa. Pode ser um narrador personagem, ou um narrador onisciente. Se você quiser saber mais sobre esses aspectos deixa nos comentários que eu posso preparar um post só sobre isso. Aqui falaremos de aspectos mais gerais da narração.

A Anne Lamott diz que o narrador tem que ser agradável, como um grande amigo, o leitor tem que empatizar com ele, tem que gostar da sua compainha e querer saber suas opiniões. E ele também tem que ter defeitos que se relacionem com quem está lendo. Seus defeitos são oq os tornam agradáveis, seu auto engano, sua procrastinação, a obscuridade, o ciúmes, a compulsão. Acho que isso vale tanto para personagens quanto para os narradores, e quando é um narrador personagem a coisa se intensifica. Ninguém é perfeito e seu narrador também não precisa ser perfeito.

Assim como seus personagens o seu narrador tem que ser complexo e você tem que pensar nele como uma pessoa real, com suas qualidades e defeitos.

5) A trama nasce do personagem

A Anne diz que se você escrever personagens inspirados em duas pessoas que você conhece algo vai acontecer. A trama é criada em cima dos personagens e não ao contrário, porque os personagens não são peões que trabalham para trama, eles são o centro da trama. Descubra qual é a coisa mais importante do mundo para cada personagem e assim saberá o que está em jogo, e isso vai criar tensão, fazendo o leitor virar a página.

Sabendo o que está em jogo você vai ter que mostrar ações e sentimentos que indiquem essas questões. Leve seu personagem a questionar, a colocar os pés pelas mãos e viver a vida. Assim você vai criar o drama, e isso prende o leitor. A fórmula básica do drama é introdução, desenvolvimento e desfecho. A introdução nos diz o que está em jogo. O desenvolvimento é onde a história se movimenta. e o desfecho responde às perguntas: Por que estamos aqui? O que você está tentando revelar?

A trama vai se encaixando ao longo dos dias enquanto você conhece seus personagens e ouve o que eles pedem, é um pouco abstrato eu sei, por isso voltamos ao passo 1, você tem que escrever para entender pra onde a história caminha. Faça a história caminhar para frente, escreva!

Agora cito John Gardner que disse que o escritor cria um sonho no qual convida o leitor a entrar e esse sonho deve ser vívido e continuo.

Isso mesmo, o sonho deve ser vívido e continuo.

6) Leia diálogos em voz alta

Acho que essa é uma das partes que eu mais tenho dificuldade, criar diálogos convincentes. Escrever diálogo é uma arte e na minha opinião uma das coisas mais difíceis de acertar, então você vai ficar um tempinho criando eles, porque eles não podem ser perfeitinhos mas também não podem ser esdrúxulos, é uma linha muito tênue entre a palavra escrita e a palavra falada. Algumas atitudes poderão te ajudar a encontrar esse equilíbrio. Primeiro você vai ter que prestar atenção no som das palavras! Leia seus diálogos em voz alta. Isso é algo que você pode praticar bastante.

Você também pode sair de casa para escutar como as pessoas falam no mundo lá fora. Preste atenção no as pessoas dizem e edite mentalmente, imagine como essas palavras ficariam no papel. O bom dialogo nos dá a sensação de que estamos escutando uma boa conversa alheia. O curioso é que eu também falo sobre isso no post sobre o livro da Natalie Goldberg, onde dou 10 dicas para você escrever melhor. Um bom diálogo engloba tudo que é dito e o não dito. Além disso o diálogo é a maneira de revelar a verdadeira natureza do personagem. Então se preocupe com isso, mas não se prenda, pois as palavras que saem de nossa boca geralmente nunca são o que realmente gostaríamos de dizer.

7) Arrume o palco

Estamos quase chegando ao fim desse nosso guia (mas fica aqui que ainda tem 4 dicas de escrita criativa), então temos que pensar nos cenários! Onde os personagens estão? Onde a história se desenrola? Você vai ter que reproduzir esse universo. Digamos que você está preparando o palco para os seus personagens entrarem. Essa é a hora de você falar das rachaduras do apartamento, ou da roseira no jardim. Você tem que criar o clima, ver se a luz está boa, se os móveis estão bem polidos.

Os aposentos são as vitrines de seu personagem, eles representam os valores deles e como enxergam a vida. Existem muitos videos aqui no Youtube que mostram casas de acumuladores compulsivos e também de pessoas que tem depressão. A casa da pessoa diz como ela é, então, use isso no seu texto. Crie os cenários que mais tem a ver com seus personagens e sua história.

8) o primeiro esboço ruim

Você seguiu todo esse guia bem direitinho, escreveu tudo que passou pela sua cabeça, construiu personagens interessantes, descobriu a trama, montou o cenário, deixou o perfeccionismo de lado. Agora você tem seu primeiro esboço e ele vai estar ruim. Desculpa dizer isso, mas ninguém acerta de primeira, você vai ter que se dedicar muito na reescrita e nas correções. Toda a boa obra começa com um esboço ruim. Então, você vai ter que editar esse primeiro esboço, e vai exigir ainda mais do seu tempo. E quando você ler esse esboço pela primeira vez você vai ver que tem muita coisa para arrumar. Esse é o momento de ser perfeccionista.

Um amigo da Anne disse que o primeiro esboço é do semeador, é a hora de jogar a ideia no papel. O segundo esboço é o do mecânico: você tenta consertar aquilo e tenta se expressar com mais precisão. E o terceiro esboço é o do dentista: você verifica cada dente para ver se algum está solto, quebrado, cariado ou até mesmo saudável.


Bom, esse foi o guia para você escrever um livro incrível direto do livro Palavra por Palavra da Anne Lamott, mas esse post não termina aqui. Eu prometi 4 dicas de escrita que também estão presentes no livro da Anne. Agora eu vou dar essas dicas para vocês!

4 DICAS DE ESCRITA CRIATIVA PARA ESCREVER UM LIVRO INCRÍVEL

Dica número 1: Escrever um romance é dirigir um carro à noite

E.L. Doctorow uma vez disse que “escrever um romance é dirigir um carro à noite. Você só consegue enxergar até onde a luz dos faróis alcança, mas pode fazer a viagem inteira assim”

E o que isso significa? Significa que você não precisa ver para onde está indo, nem o que está ao seu redor. Você vai trabalhar uma página de cada vez, uma palavra de cada vez, antes de chegar ao seu destino. Você só precisa ter fé que vai chegar lá, porque vai. É só continuar a dirigir, ou escrever, no caso.

Dica número 2: monte grupos de escrita

Durante a sua busca por se tornar um bom escritor você vai encontrar pessoas que querem o mesmo que você ao longo do caminho, e porque não se juntar com essas pessoas? Em busca de apoio, de ajuda, e é claro, troca mútuas de textos e ideias. É muito bom quando você tem um compromisso com alguém toda a semana para poder falar sobre livros e sobre escrita, isso vai te dar animo!

3) A sua própria sensibilidade será sua originalidade

Escrever algo original é muito difícil, pois todas as histórias já foram contadas e todas as palavras já foram ditas. Todas as preocupações e dramas serão reciclados nas histórias através dos tempos. Porém, cada pessoa é única, cada um tem seu próprio senso de humor, sua própria experiência de vida e seu significado pessoal. Você já tem tudo que precisa para escrever uma história original, então olhe bem fundo dentro de você, repare no que você observa, no que você pensa e escreva à partir do seu próprio filtro pessoal.

4) Seu inconsciente não consegue trabalhar quando é pressionado

É sério isso, se você ficar sentada em frente ao computador sofrendo porque não está escrevendo você não vai escrever. Para nós conseguirmos dar continuidade a atividades criativas temos que deixar nosso cérebro respirar, temos que ter momentos de ócio sabe? o famoso ócio criativo: sair para caminhar, meditar, respirar. Pois se você ficar se pressionando para escrever você vai se sentir mal por não estar produzindo e vai acumular estresse.

Bom, esse foi o artigo: COMO ESCREVER UM LIVRO INCRÍVEL | 8 passos para estruturar a sua história com 4 dicas de escrita criativa

Se você gostou do que leu deixe seu comentário! Vamos conversar ❤

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COMO ESCREVER MELHOR | 10 dicas para começar a escrever hoje com três exercícios de escrita criativa no final

Hoje eu vou dar dez dicas de escrita para você começar a escrever hoje! E se você já escreve, essas dicas vão te ajudar a escrever muito melhor. Elas mudaram a minha vida.

E no final eu vou deixar três exercícios de escrita criativa para você já começar a escrever assim que o vídeo terminar.

Essas dicas de escrita criativa que eu trouxe hoje para você estão presentes nesse livro aqui Escrevendo com a Alma da Natalie Goldberg.

Esse livro foi leitura obrigatória na minha primeira aula na pós graduação de formação de escritores. Ele é dividido em muitos capítulos e a Natalie conta sobre sua experiência como uma Zen budista e escritora. Eu achei muito interessante como elas juntou essas duas coisas e trouxe de forma muito divertida nesse livro.

Ela deu muitas dicas de escrita e também propôs diversos exercícios de escrita ao longo da narrativa. Eu li ele inteiro e anotei o que fazia sentido para mim e o que eu achei que poderia fazer sentido tanto para escritores iniciantes, quanto para escritores mais experientes. Então eu fiz esse compilado com as 10 dicas que eu achei essenciais e que eu usei no meu dia a dia e também que me fizeram mudar de pensamento em relação a escrita.

Como eu já disse, fica até o fim que eu vou disponibilizar 3 exercícios de escrita criativa, para você começar a escrever hoje!

COMO ESCREVER MELHOR | 10 dicas para começar a escrever hoje!

1. Escrever não é preparar um hambúrguer do Mc Donalds.

Quando vamos a um fast food queremos a comida o mais rápido possível nas nossas bocas, né? E é muito justo que a gente queira isso, pois essas lanchonetes foram projetadas para entregarem a comida muito rápido. Isso é muito comum na nossa vida moderna, nós temos informações diariamente nos nossos celulares e queremos respostas imediatas para tudo. Mas a escrita é lenta, é devagar, vai requerer muito do seu tempo, sem um retorno imediato.

Essa primeira dica foi muito importante para mim que sou uma pessoa ansiosa que quer tudo para ontem. Estou aprendendo a ser mais paciente e respeitar o meu processo. Sempre que estou desesperada porque não tenho um livro pronto, editado, e publicado depois de três anos escrevendo, eu lembro que a Virginia Woolf levou 7 anos para escrever seu primeiro livro. Inclusive falo disso nos 50 fatos sobre ela, vou deixar o link aqui!

Então, respeite seu processo, você vai terminar o livro na hora que achar que deve. Não se desespere por uma publicação, ou para fazer dinheiro em cima dele. Apenas escreva e pense que você está cozinhando um belo prato de comida de um restaurante chique, ok?

2. Traga detalhes originais para sua história.

Essa é uma tecla que eu bato em todos os meus vídeos com dicas de escrita criativa, você tem que ser específico nas suas histórias, você tem que dizer o nome das coisas sabe?

Por exemplo: você quer escrever sobre o suco maravilhoso que você tomou. Você não vai dizer apenas: “nossa, tomei um suco gostoso”. Você vai dizer: “Tomei um suco de morango com laranja que estava doce e azedo na medida certa e assim que eu tomei senti meu corpo se refrescar.” Entende?

Algo foi maravilhoso, ou terrível? Sim, mas nos deixe provar esse sabor gostoso ou terrível. Crie sensações e detalhes originais e dê nomes a tudo, chega de generalizações.

3. Escrever é 90% ouvir.

Essa é uma dica que escutei nas aulas da pós também. Nós como escritores temos que ser curiosos, temos que estar sempre prestando atenção nas pessoas e em suas palavras. Mas além disso, temos que escutar o barulho da rua em movimento, do vento batendo na janela e das crianças brincando no jardim. A escuta deve ser ativa e sem julgamentos.

Segundo a Natalie Goldberg a audição é receptividade, e quanto mais profundamente ouvirmos melhor vamos escrever. Assimilando as coisas como elas são sem julgamento-las.

PARA VOCÊ SER UM BOM ESCRITOR TEM QUE FAZER 3 COISAS: LER BASTANTE, OUVIR COM ATENÇÃO E ESCREVER MUITO!

Me conta nos comentários se você faz essas três coisas!

4. Fique ao lado da precisão.

Quando começamos a escrever um mundo de diversas possibilidades se abrem diante de nossos olhos. Uma história pode se desmembrar em várias, mas nós temos que manter o foco e sermos precisos naquilo que queríamos fazer desde o início. Claro que podemos mudar de ideia ao longo do caminho isso é comum, mas não podemos mudar de ideia a cada nova possibilidade que a narrativa apresentar.

Foque nos objetivos que você quer alcançar com aquela história, sem cair nas emoções que estão dentro de você e não dentro dos personagens, eu sei que às vezes é sedutor seguir caminhos verborrágicos e colocar nossa opinião ao longo do texto, mas tentemos ser objetivos, cuide dos detalhes e das descrições mas não deixe que elas sejam o foco principal de sua história.

5. Arrisque-se! Só alcança o sucesso quem não tem medo do fracasso

Você sabe que pode escrever sobre absolutamente o que você quiser? Você não precisa de nenhum tema genial e também não precisa se manter fechado na linearidade. Você pode brincar. Pode misturar ideias e frases, pode colocar características malucas nos seus personagens, pode escrever frases sem nenhum tipo de noção.

Quando começamos a escrever temos medo de não seguir o que já foi pré estabelecido e nos perdemos dentro de nós mesmos, então brinque muito antes de focar em algo mais concreto. Escreva textos malucos e se divirta! Seu texto não precisa ser o que esperam de você.

6. O escritor é tudo ao mesmo tempo.

Essa dica é uma espécie de lembrete e é uma das minhas preferidas. Quando eu descobri isso eu fiquei muito feliz e entendi muitas coisas sobre mim. Eu nunca tive certeza do que eu queria ser na vida, na verdade, eu sempre quis ser muitas coisas: cantora, advogada, juíza, estilista, líder de uma banda de rock só de mulheres. Algumas coisas eu tentei, outras não. Mas foi com a escrita que eu descobri que poderia ser todas essas coisas. Eu poderia ser uma arquiteta, uma chefe de cozinha e uma artista plástica de sucesso. Poderia até ser uma viajante no tempo, como estou fazendo no meu novo livro A vida infinita.

E isso não é incrível? Temos que lembrar que podemos ser o que quisermos e depois podemos deixar de ser sem aviso prévio, na escrita podemos criar a vida a nossa maneira. Por isso eu digo que para sermos escritores temos que ser curiosos sobre tudo e termos uma boa bagagem de cultura inútil que em algum momento elas vão servir perfeitamente para algum personagem.

7. Construir frases afirmativas

Eu tenho muito essa tendência de criar frases fracas usando: acho que, acredito que, talvez eu vá. Isso porque eu faço isso na minha vida. Acredito que muitas das coisas que digo passam pelo meu filtro e outras pessoas pensam diferente. Isso se reflete no meu texto, mas essas frases pouco confiantes enfraquecem o texto. Hoje eu tento sempre colocar meu ponto de vista com clareza, tanto na vida real quanto nos meu textos.

Você pode praticar em casa, quantos talvez você usa nos seus contos e histórias? Corte eles, corte as frases que parecem dizer algo e não dizem nada, corte as coisas indefinidas, deixe só as certezas. Só as frases afirmativas. Mas não se preocupe se você ainda usa esse tipo de palavra ou frase, em um segundo momento você pode cortar elas e deixar o texto muito mais forte.

8. A tarefa do escritor é dar a vida ao comum

Você pode achar que sua vida não é interessante, que os assuntos que você gosta não valem à pena serem escritos. Você pode até achar, quando está bem deprimido em relação a sua escrita, que tudo que você escreveu está comum e sem graça. Isso acontece comigo sempre. O que a gente tem que colocar na nossa cabeça é que a nossa tarefa como escritores é colocar graça naquilo que parece absolutamente comum.

Nós temos que aprender a escrever sobre xícaras de café e dias cinzentos. Alfaces podem estar presentes na sua história assim como cenouras. O básico é importante, o dia a dia é importante, então não se preocupe se você escreve sobre coisas comuns, pois são elas que criam conexões.

9. Leia muito.

Bom, essa dica é uma daquelas universais. Se você quer escrever um romance realista tem que ler muitos romances realistas, se quiser escrever contos de terror tem que ler muitos contos de terror. Não tem segredo, você tem que estudar o que já foi feito antes. É muito comum encontrar escritores que não querem ler, ou que leram pouco, e isso é um erro que muitos escritores cometem. Eu vejo isso nas aulas da pós, os colegas que leram mais tem textos melhores. É só com a leitura que aprendemos a escrever, porque é assim que vemos o que funciona e o que não funciona, o que nos inspira e o que devemos deixar de lado.

Por isso digo para você ler muito daquilo que você quer escrever, eu, por exemplo, estou escrevendo um livro sobre viagens no tempo, então, tenho que ler o máximo possível de livros que falem sobre viagens no tempo e ficção cientifica. Eu confesso que não estou fazendo isso, o que é um grande erro meu e inclusive, hoje mesmo vou começar a ler algum livro que esteja dentro dessa categoria. Então, leia muitos contos se você quer escrever contos, leia muitos ensaios se você quer escrever ensaios, e leia muitos romances de formação se você quer escrever um romance de formação.

10. Não é bom começar um livro e depois parar.

Acho que essa é uma dica importante para a vida! Se começar algo vá até o fim. Eu enfrentei esse problema ao longo de toda a minha vida, sempre fui de desistir fácil. Já comecei diversos blogs e nunca dei continuidade a nenhum, começava animada em vários empregos e depois de sete meses já estava louca para ir para outro. Isso impediu meu crescimento e minha consolidação em diversos setores da minha vida. Mas com a escrita foi diferente, quando escrevi meu primeiro livro eu decidi que iria até o final. Decidi que não desistiria, assim como o canal no Youtube, a página no instagram e esse blog. Porque é isso que eu quero para minha vida, quero crescer no digital, quero ser uma escritora publicada, então não vou desistir.

Então, se você realmente quer ser um escritor e começou um livro mas está pensando em parar não faça isso! Continue até o fim, mesmo que você esteja odiando ele. Termine. Depois pense em corrigir e editar. Mas se você tiver diversos rascunhos começados e nenhum terminado, você não vai ter nada, só muitas ideias com um começo e sem um fim e isso se torna um hábito. Se você não terminar seu primeiro esboço por mais horrível que seja você nunca vai escrever algo bom. Infelizmente, é assim que funciona com tudo na vida e aos poucos eu estou aprendendo a não desistir, espero que você vá até o final também.

Se você está com dificuldade para escrever seu primeiro livro vou deixar um link aqui onde eu te ensino um passo a passo para você escrever seu primeiro livro!

Bom, essas foram as dicas que eu tinha para dar para vocês, elas foram muito esclarecedoras para mim e espero que você tenha gostado, me conta nos comentários o que você achou.

Três exercícios de escrita criativa para você desbloquear a escrita e começar a escrever hoje!

Primeiro eu vou citar as sete regras de escrita criadas pela Natalie Goldberg e você vai seguir essas regras durante os três exercícios. Essas regras e os exercícios que eu trouxe hoje foram pensados para você soltar suas mãos, sabe? Para você conseguir escrever do zero. Então, é ótimo para quem nunca escreveu ou para quem escreve pouco no dia a dia. É para você colocar a mão na massa e sentir o gostinho da escrita. Funcionam também para escritores de todos níveis, eu inclusive faço isso quando estou com algum texto emperrado, me ajuda a desbloquear a escrita.

Você pode fazer em um caderno, a Natalie Goldberg recomenda que você tenha um caderno só para isso, mas eu costumo escrever no computador mesmo, no word, ou no bloco de notas, vai de você, o que preferir. Acho que no caderno você vai acumular mais material, o que é ótimo para quem está começando.

Bom, as seis regras de escrita que vieram direto do livro Escrevendo com a alma da Natalie Goldberg, são:

  1. Mantenha a mão em movimento. Não pare para reler a linha que acabou de escrever. Isso é retardar e tentar controlar o que você está dizendo.
  2. Não rasure. Isso é editar enquanto escreve. Mesmo que escreva algo que não pretendia escrever, deixe como está.
  3. Não se pretenda a ortografia, pontuação, gramatica. Tampouco se prenda às margens ou às linhas da página.
  4. Solte o controle.
  5. Não pense. Não tente ser lógico.
  6. Pegue na veia. Se surgir algo muito forte ou muito chocante no seu texto, mergulhe fundo. É provável que ali exista uma grande fonte de energia.

É muito importante respeitar essas regras porque elas vão acabar com a censura e a vontade de escrever direitinho que existe dentro de você. É uma forma de deixar o medo de lado e escrever, entende? Escreva sem pensar muito.

  1. O primeiro exercício é bem simples, você vai escrever sobre a luz que está entrando na sua janela, é dia? É noite? A luz é amarela, ou azul? O que ela te provoca? E não se preocupe se está de noite e nem uma luz está entrando, você pode inventar essa luz e o que você vê nela. Ok?
  2. O segundo exercício vai começar assim: você escreve em uma folha em branco EU ME LEMBRO e depois continua, deixa fluir. Pode contar tudo que vem em sua mente e não importa se a coisa aconteceu ontem ou vinte anos atrás, conte tudo exatamente como você se lembra. Faça isso por dez minutos, se por acaso você emperrar e não conseguir dar continuidade aquela lembrança que você iniciou o texto, pode começar de novo com EU ME LEMBRO até dar os dez minutos total.
  3. O terceiro exercício é a resposta para a pergunta: QUAIS SÃO SEUS SONHOS MAIS ÍNTIMOS? E além de narrar isso você também vai entender um pouco melhor sobre si e sobre o que você quer na escrita, o que você quer sobre o seu futuro no geral. Escreva sobre o que você mais deseja. Pode fazer isso por cinco minutos.

Bom, esses foram os exercícios, e se você quiser me contar nos comentários sobre o que você escreveu, sobre o que achou dessa experiência, pode ir lá. Se quiser deixar o textinho que você escreveu nos comentários também, posso comentar um pouco sobre eles, tá bem?

Espero que tenha gostado dessa experiência e em breve teremos um curso completo de escrita criativa para você.

COMO MELHORAR MINHAS HISTÓRIAS? | 7 erros que todo escritor comete e como evitá-los!

Hoje eu vou falar sobre os erros comuns que escritores iniciantes cometem na hora de escrever um livro ou um conto. Eu, inclusive, já cometi muito desses erros nas minhas histórias e já vi colegas escritores fazendo a mesma coisa. Então eu fiz esse vídeo por que eu não quero que você erre mais!

O processo de escrita é longo e exige muita dedicação! Eu sempre falo isso, né? Mas é verdade, escrever é um processo sem fim, e os escritores estão sempre procurando melhorar e aprender. Eu sou uma delas, então, tudo que eu aprendo de novo eu quero trazer pra você que está me vendo aqui, assim, a gente pode aprender junto, o que você acha?

Hoje eu vou te contar os 07 maiores erros que um escritor iniciante pode cometer e como você pode melhorar as suas histórias!

Mas isso não quer dizer que você faz todos eles, mas é uma boa lista para abrir seus olhos na hora da sua escrita. A maioria deles eu aprendi na pós com a minha própria vivência e o que eu vi meus colegas fazendo.

O que eu mais gosto na escrita é que temos que estar sempre em movimento, sempre melhorando.

Erro número 1 – Palavras rebuscadas ou muito simples!

Esse é um erro muito comum, às vezes quando começamos a escrever acreditamos que temos que usar palavras bonitas e difíceis. Quem nunca procurou sinônimos mais glamurosos para palavras simples que atire a primeira pedra! Isso é normal, principalmente quando ainda não encontramos nossa própria linguagem. Mas as palavras rebuscadas se tornam artificiais, causando estranhamento. Do mesmo modo que palavras muito vazias e lugares comuns podem soar estranho e amador. Então o equilíbrio na linguagem é muito importante. Nada de palavras rebuscadas, ein?

Erro número 2 – Não corrigir o texto!

Eu vejo muita gente que escreve um texto e não corrige depois. Para mim essa parte é fundamental, porque é quando eu vejo as falhas gramaticais, os erros de concordância e até erros na história. Erros de continuidade sabe? Quando algumas situações não conversam uma com a outra. É visível quando pegamos um texto e ele não foi corrigido, nem reescrito, então tire um tempo pra aprimorar a sua história, isso é essencial.

Erro número 3 – Tomar a fala do narrador!

Às vezes quando escrevemos esquecemos que o narrador não é a gente. Exceto Saramago, né? Que disse que todos os seus narradores eram ele mesmo. O narrador pode não pensar como a gente pensa, principalmente quando esse é um narrador em primeira pessoa, Quando o narrador é em terceira pessoa temos que saber como esse narrador conta a história e quem ele é. Eu já escutei muitas vezes que no texto que eu tava trabalhando tinha muito de mim, o que não combinava com a voz da narradora, e os leitores realmente reparam nisso, principalmente os mais críticos.

Erro número 4 – Confusão de tempos verbais!

Essa é uma confusão muito comum para quem tá começando, principalmente quem não tempo um passado na escrita ou na literatura. Eu mesma já cometi o erro de misturar presente, passado e mais passado nas minhas histórias nas minhas histórias, achando que aquilo faria sentido, mas não vez. Claro que você pode fazer isso, mas tem que ter muita consciência do que você está fazendo pra não desmontar que você deixou aquilo passar.

Erro número 5 – O medo da crítica

Sem a crítica seu texto nunca vai crescer. Eu sei que é difícil abrir para os outros uma parte tão nossa. Eu fiquei anos escrevendo só para mim, sem deixar ninguém ver. E foi na pós, estudando com meus colegas e escutando as críticas deles sobre o que eu escrevia que eu aprendi a não levar o que eu escreve tão a sério. A gente tem que se desapegar do medo de ser criticado porque a vida de um escritor é sempre inundada de criticas, mesmo os mais famosos e queridos escritores passam por isso.

Então, deixe seus amigos lerem, faça alguma oficina que te ajude a mostrar seus textos e coloque eles no mundo, só assim você vai saber quais seus pontos fracos e quais seus pontos fortes.

Erro número 6 – Poucas leituras e estudos

Eu tive um professor o Joca que sempre dizia que não dá para ser escritor se você não lê muito. E essa é a mais pura verdade, você tem que ler de tudo! todos os tipos de narrativas, porque cada uma delas pode te ensinar alguma coisa. Leia muito, sério! Outra coisa que eu vejo são pessoas começando a escrever mas que não querem fazer cursos e estudar. Para tudo é necessário uma formação, inclusive para escrita, se você quer escrever vai ter que se dedicar e investir em cursos e leituras teóricas sobre escrita, só assim sua escrita melhora, confia em mim.

Erro número 7 – Desistir, ou ter pouca paciência

Todos os dias eu penso nisso, o quão difícil é escrever um bom texto, lapidar e transformar as palavras em algo que realmente vale à pena ser publicado. É exaustivo e exige muita paciência, porque não se escreve um livro em um dia, são anos de escrita e preparação para um livro ser publicado, principalmente um primeiro livro.

Eu sou uma pessoa extremamente impaciente e tive que aprender a lidar com a minha vontade de ter tudo pronto pra ontem.

E outra coisa, é difícil mesmo, então não desista!

Bom, esses foram os 7 erros que vi durante essa minha caminhada para me tornar escritora. Você já passou por algum desses? Ou vivenciou outros? Me conta nos comentários!

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Quero escrever um livro, por onde começo? | Como escrever um romance em 10 passos!

Se você encontrou esse artigo é porque sonha em escrever um livro. Então eu criei esses passos para ajudar escritores iniciantes com tudo que aprendi nos meus anos de pesquisas e leituras. Eu inclusive já passei por isso, lá em 2018 quando estava tentando escrever meu primeiro livro e não sabia por onde começar. O processo de aprendizado na escrita é infinito, mas separei 10 passos que você pode seguir que poderão facilitar a sua vida na hora de estruturar e escrever um livro.

Bom, já pega seu caderninho e uma caneta para anotar tudo! Vamos lá?

10 passos para você escrever um livro para quem quer escrever seu primeiro romance (ou para quem quer continuar a estudar)!

Passo 1: O livro começa na ideia.

Eu já falei sobre isso no artigo sobre como estruturar um conto, dizendo que uma narrativa sempre começa com uma ideia. Mas enquanto no conto a gente foca em apenas em uma ideia, no romance pode-se ter diversos temas embutidos. Isso é muito legal, porque você pode explorar diversos aspectos da vida e do contexto social de suas personagens.

Essa a primeira coisa que você define no seu livro, você pode criar toda a trajetória da vida de uma pessoa que quer ser famosa, por exemplo. Se você tem as ideia anote elas no papel e segue comigo para os outros passos

Passo 2: A criação do personagem principal e seus conflitos e problemas é o que faz a história girar.

O personagem é o fio condutor, aquilo que leva a história até o final. Então você precisa construir um personagem principal forte e humano, dando a ele características ambíguas, mostrando ele por inteiro, como um ser humano real que não é perfeito. Ele tem que ter qualidades e defeitos.

Então, anota aí no seu caderno tudo o que você precisa saber sobre ele: nome, idade, condição social e financeira, quem eram os pais, onde ele estudou, com o que ele trabalha, quais são seus sonhos, suas vontades, sua orientação sexual, como ele se vê, como os outros veem ele, onde ele passava as férias escolares, etc.

Passo 3: Estruture o universo.

Aqui podemos fazer aquelas perguntinhas básicas: Quando essa história se passa? Onde essa história está sendo contada? Quem está contando e por que? O universo que se dá a história tem que ser explorado minuciosamente, pelo menos na sua cabeça, porque isso faz muita diferença. Uma história contada no anos 30 é de um jeito completamente diferente de uma história contada nos anos 80, por exemplo.

As roupas mudam, o jeito das pessoas e o modo como elas falam também. Onde essa história se passa muda o tom da história também, no Brasil certas coisas são permitidas, já no Emirados Árabes não. Então tenha cuidado de deixar estruturado tudo isso. Digo o mesmo para quem está criando um universo novo, deixei bem claro as regras desse mundo novo para seu leitor visualizar ele com facilidade.

Passo 4: Os Personagens secundários são importantes!

Às vezes esquecemos da importância dos personagens secundários. Eles aparecem menos que o personagem principal mas quando isso acontece não pode parecer que ele foi colocado lá de qualquer jeito né?

Então dê ao seu personagem principal características que os torne reais, do mesmo jeito que você fez lá com o personagem principal. Sugiro fazer uma listinha com todas as características importantes e definidoras deles como pertencentes de algum grupo.

Passo 5: Pense no conflito do personagem!

Seu personagem principal tem que se deparar com um conflito durante a narrativa. Esse conflito pode ser tanto interno quando externo. O conflito interno é algo que ele quer mudar dentro de si, ou em alguma coisa relacionada a sentimentos e vontade. Por exemplo em Mrs Dalloway o conflito gira em torno dos pensamentos e vontades da própria Clarissa Dalloway e de Septimus Smith que luta contra uma stress pós traumático.

Já um conflito externo podemos encontrar em diversos livros de fantasia como Harry Potter, onde o conflito é do Harry contra o Voldemort. O conflito move o personagem e dá o tom dos acontecimentos, pois é ele que dá brilho para a história, então quanto mais instigante o conflito, melhor.

Passo 6: Escolha o tipo de narrador!

Como você quer que seu narrador fale? Muitas obras contemporâneas estão apostando no narrador em primeira pessoa porque ele se aproxima mais de seus próprios conflitos. Mas isso não é uma regra, pois existe o narrador em terceira pessoa observador como em Grande Gatsby, onde quem conta a história é um personagem, e também o narrador em terceira pessoa colado em um personagem e onisciente como em Crime e Castigo, aquele sabe de tudo.

Existe uma variedade de narradores, mas você tem que escolher o tipo dele antes de começar a escrever pois vai facilitar a sua vida. Assim você consegue definir as nuances dessa voz e as necessidades e impotências dela, pois um narrador em primeira pessoa não tem como saber o que os outros fazem e sente, a não ser que esteja muito próximo ao outro personagem.

Passo 7: Estruture seu romance!

Eu sempre bato nessa tecla porque é algo muito importante. Uma história precisa ter começo, meio e fim, mas não necessariamente nessa ordem. Você pode brincar, mas tenha consciência que não existe uma história forte se não passa por esses três momentos.

O início é onde o conflito começa. Você tem que pensar porque a história começa de um ponto e não de um outro? No romance que eu estou escrevendo eu tinha colocado um início muito distante de onde a história realmente começava, e alguns colegas que leram estranharam essa distância. Perdeu a força, sabe? Então acelerei a história para começar exatamente no início do conflito entre duas personagens.

O meio é onde começamos a ver as nuances e as consequências desses conflitos. O que os personagens fazem que aumentam a tensão, ou que diminue essa tensão? Quais as atitudes que eles vão tomar em relação a isso? Qual vai ser o embate entre os personagens?

O fim é o desenrolar de todos os conflitos, os fechamentos de cada núcleo da história, é onde toda a história vai ser amarrada. Diferente do conto o fim de um romance não precisa ser um nocaute, o clímax deve ver antes do final. Claro, um final em aberto é possível. Mas você tem que trabalhar para que apenas as pontas soltas que você quer fiquem para trás, nada pior do que histórias mal completadas por desleixo. E também nada de dar uma de Deus ex machina, inventando coisas muito óbvias para facilitar esse fechamento, o leitor percebe!

Passo 8: Pense em como serão os capítulos

Você quer escrever capítulos curtos ou longos? O que você quer que tenha nesses capítulos? Qual será o drama de cada um deles? Como os personagens vão interagir nesses capítulos? Quais deles vão aparecer?Lembrando que você pode pensar também em não colocar capítulo nenhum.

Enfim, eu gosto de escrever em uma página em branco mais ou menos o que vai ter em cada capítulo e sua duração. Faço um resuminho contando qual vai ser a ação, quais personagens estarão ali e quantas páginas eu quero escrever. Capítulos também tem que ter começo meio e fim bem estruturados.

Passo 9: Cena vs. Sumário

Cena é onde a ação acontece, é o encontro entre os personagens é a narração das idas e vindas deles, é aquilo que a gente vê da história. É a parte mais cinematográfica. O sumário é aquilo que nos é contado, é o passado dos personagens, é o retrospecto de tudo que aconteceu antes da história começar. Um bom romance tem que ter um equilíbrio das duas coisas. Virginia Woolf dizia que sempre intercalava as cenas e os sumários: um parágrafo para cena, outro para um sumário, uma cena, um sumário.

Tem escritores que gostam de fazer isso por capítulos, outros focam mais em sumários, o que é mais fácil de fazer quando se escreve em primeira pessoa, porque fica muito mais natural. Um ótimo livro cheio de sumários é Torto Arado. Então você pode brincar com isso, tem vozes narrativas que funcionam melhor narrando cenas e outras contando sumários, fica a seu critério.

Passo 10: Aposte em características específicas para seu personagem!

Trazer coisas bem específicas em relação ao personagem e em relação é história é uma das coisas mais importantes para tornar a história verdadeira. Nenhum ser humano é igual, cada um de nós temos nossas características e subjetividades, então os detalhes que você coloca na sua história transporta o real para dentro dela.

Ninguém quer saber sobre a coisas muito gerais, ao invés de dizer que um cara adora cerveja diga qual é a cerveja e o que ela representa para a pessoa. Ao invés de falar que um personagem é fã de esportes, mostre ele torcendo para o seu time do coração. Ao invés de falar que o seu personagem gosta de frutas, mostre ele chupando uma manga, entende?

Bom, com todos esses passos definidos você já consegue planejar um livro inteiro. Agora só depende de você sentar para escrever seu livro!

Me diga nos comentários se essas dicas foram uteis, se é dessa forma que você estrutura um conto, ou se usa de outros artifícios, ok?