QUEM FOI VIRGÍNIA WOOLF EM 50 FATOS | BIOGRAFIA, MRS DALLOWAY, AO FAROL, UM TETO TODO SEU, ORLANDO.

Quentin Bell, filho da Vanessa Bell, irmã da Virginia Woolf, se propôs a escrever a biografia de sua tia. Virginia viu Quentin Bell nascer e esteve ao lado do menino por toda a sua infância. Entre a grande variedade de biografias sobre ela, eu achei que essa seria a mais apurada, já que Quentin tinha contato, acesso à cartas e memórias, tanto de Leonard Woolf, quanto de sua própria mãe Vanessa.

Biografia da Virginia Woolf por Quentin Bell

Apesar da grande variedade de biografias dedicadas em destrinchar a vida da Virginia, são poucas as que foram editadas no Brasil, e o número total de edições recentes é igual a zero. Recorri ao site Estante Virtual para encontrar essa que eu li. Ela foi lançada em 1972 e foi dividida em dois livros, o primeiro retrata a vida de Virginia Stephen e o segundo o de Virginia Woolf. O livro chegou no Brasil em 1988 e não foi editado.

A vida de Virginia foi marcada pelas tragédias, ela perdeu a mãe Júlia muito nova, depois a meia irmã Stella, o pai Leslie e o irmão Thoby. Foi uma sequência de dores e nesse meio tempo seus meio irmãos George e Gerald tinham contatos impróprios com ela e com Vanessa. Apesar da mesma criação Virginia e Vanessa lidaram com essa situação de maneiras diferentes: Vanessa se tornou aberta e Virginia fechada.

Foi incrível descobrir a vida da minha escritora preferida. Ela foi uma mulher incrível, não teve estudos formais como os irmãos, mas alcançou níveis altos entre os intelectuais ingleses. As pessoas respeitavam sua opinião, compravam seus livros e os críticos costumavam gostar de suas obras. Mas ela se sentia mal por não ter tido a educação dos irmãos que foram para Cambridge, ela sentia que nunca seria boa o suficiente, e cada livro que escrevia era uma nova tortura interna, principalmente quando eles estavam finalizados e iam para a editora.

Apesar dos surtos que a acometiam sempre que se sentia deprimida ela teve uma vida boa ao lado de Leonard e de seus amigos do Bloomsbury. Quando a depressão a acometia ela tinha que ir para o interior, ficava dias comendo pouco e não conseguia sair da cama. Porém, quando ela estava bem sabia ser sedutora, alegre e divertida. Leonard a introduziu na politica e Virginia lutou pelo sufrágio universal e por todas as causas socialistas que o casal estava envolvido. Ela apoiava mulheres sindicalistas e esteve ao lado de muitas intelectuais de sua época.

Sua vida terminou de forma triste, quando a segunda guerra mundial estava em seu auge e ela e Leonard tinham medo do que poderia acontecer com um judeu e sua mulher. Leonard era judeu e eles estava com medo da invasão alemã. Virginia começou a ouvir vozes e ter grandes surtos de depressão e ansiedade. Até aquele momento eles tinham perdido pessoas muito queridas como Julian Bell (irmão de Quentin) que morreu lutando contra o Franco na Espanha; Roger Fry que foi amante de Vanessa e amigo de todos, Virginia estava escrevendo sua biografia; e Lytton Strachey, que foi um dos melhores amigos de Virginia. Para saber mais recomendo a leitura dos 50 fatos sobre a Virginia:

QUEM FOI VIRGÍNIA WOOLF EM 50 FATOS | BIOGRAFIA, MRS DALLOWAY, AO FAROL, UM TETO TODO SEU, ORLANDO.

  1. Virginia Woolf nasceu dia 25 de janeiro de 1882, no número 22 de Hyde Park Gate, em Londres. Quem conhece Londres sabe que ali é um bairro chique! A casa ainda existe e carrega o nome de seu pai, Leslie Stephen, que foi um jornalista e historiador inglês. Ele chegou a entrevistar o Abraham Lincoln quando estava nos Estados Unidos. Leslie veio de uma família de classe média baixa que ascendeu pela literatura e pelo direito. Seu pai, como seu avô, foi um grande defensor da abolição do sistema escravagista e trabalhou na Secretaria Colonial lutando contra o tráfico de pessoas nas colônias inglesas.
  2. A mãe de Virginia, Julia nasceu em Calcutá, em uma família Anglo-Indiana, e foi a segunda mulher de Leslie. Os dois se conheceram através da primeira esposa de Leslie, Harriet, filha do famoso escritor Thackeray. Os dois eram viúvos e tinham filhos dos outros casamentos. Julia era de uma família mais aristocrática, que também participava dos círculos intelectuais, inclusive enquanto era casada com o primeiro marido, que era muito influente. Ela trabalhou como modelo para muitos pintores da época, e diferente de suas irmãs que tinham uma vida mais abastada, ela e Leslie levavam uma vida menos luxuosa.
  3. Tem uma lenda na família de Virginia de que um dos antepassados de Júlia foi amante de Maria Antonieta, e por isso foi exilado da corte de Versalhes.
  4. Virginia levou muito tempo para começar a falar, o que deixou seus pais muito preocupados. As primeiras palavras só vieram quando ela tinha três anos de idade. Mas isso mudou ao longo dos anos, e de resto foi uma criança precoce, muito esperta e apesar do susto quando era bebe passou a ter muito domínio da linguagem.
  5. Virginia tinha dois irmãos (George e Gerald) e uma irmã (Stella) por parte de mãe, uma irmã (Laura) por parte de pai, que nasceram antes do casamento de Julia e Leslie. Depois vieram Vanessa, que se tornou uma grande parceira de Virginia, Thoby, Virginia e Adrian.
  6. As meninas tiveram aulas em casa, mas que não deu muito certo pois os pais não eram muito pacientes. Elas também tiveram tutoras, mas que segundo Quentin Bell (filho de Vanessa) elas não eram muito boas. Então, Virginia Woolf e suas irmãs não tiveram educação formal, apenas aulas de dança, música e desenho, o que era esperado para meninas. A maior parte do conhecimento de Virginia e Vanessa foi adquirido em livros. Elas foram autodidatas, enquanto os irmãos foram para escola e depois para Cambridge, a meninas isso não era permitido.
  7. De qualquer forma, a casa dos Stephens era um ambiente muito intelectualizado e debates sobre literatura e política aconteciam e todos davam sua opinião. Uma curiosidade é que Leslie tinha muitos amigos escritores e pensadores, e o mais ilustre era ninguém mais ninguém menos que Henry James, que visitava a casa constantemente até a morte de Leslie.
  8. Quando Virginia tinha 13 anos, Julia morreu. A mãe era a alma da casa, foi uma mulher que se doou a tudo e a todos, ela recebia cartas de mulheres pedindo conselhos e ajuda, ela ajudava. Além de cuidar dos oito filhos, de ajudar o marido em suas tarefas como escritor, ela era extremamente paciente com os rompantes dramáticos dele. Julia também organizava as sete mulheres que trabalhavam na casa e administrava as finanças. Todos dependiam dela. Morreu de um problema no coração derivado de uma gripe (e acredita-se exaustão) e a família inteira sentiu a perda que nunca se curou. Foi nesse período que Virginia teve seu primeiro colapso nervoso.
  9. Logo após a morte da mãe o meio irmão de Virginia, George começou a ter contatos físicos impróprios com Virginia e Vanessa. Elas se mantiveram caladas por muitos anos, e isso afetou de forma profunda Virginia. Mais tarde ela diria que esses contato impróprios começaram muito antes da morte da mãe, quando ela tinha seis anos, só que naquela época, o culpado era Gerald, o outro meio irmão.
  10. Logo após a morte da mãe, Virginia teve outra grande perda. A família de Julia era conhecida pelas tragédias, e isso se repetiu mais algumas vezes. A saúde de Virginia estava debilitada devido ao colapso nervoso, ela estava irritadiça e deprimida (o que era de se esperar, já que era uma adolescente que acabou de perder a mãe). Mas outro membro da família estava pior, Stella, a meia irmã que tinha se tornado a segunda mãe e administradora do lar, morreu de uma inflamação no abdômen. Ela tinha acabado de se casar, a contragosto de Leslie, que perderia sua governanta. Porém, ela moraria na casa da frente, para facilitar o contato entre a família. (SÉRIO, É TANTA TANTA TRAGÉDIA NESSA FAMÍLIA, QUE É ATÉ DIFÍCIL FALAR SOBRE ISSO)
  11. Com dezessete anos Virginia já tinha lido um número considerável de livros, primeiro aqueles que seu pai emprestou, depois a infinidade de livros da biblioteca dele. Virginia também escrevia quando tinha tempo livre, diários, um jornal familiar e fez tentativas de ficção desde muito nova.
  12. Ela começou a ter aulas de grego e se apaixonou pela literatura daquela época. Vanessa tinha aulas de desenho em uma academia de artes. Elas mantinham as tarefas de boas meninas vitorianas, fazer sala, preparar o chá, sorrir e etc. Isso tudo enquanto o irmão estudava em Cambridge, naquela época ainda não era permitido mulheres. Virginia começou a ficar desgostosa em relação isso, e se perguntava porque o irmão tinha toda aquela liberdade e estudo e ela não. Ela se sentia muito mal instruída, e em relação aos irmãos era mesmo.
  13. Você achou que a tragédia tinha acabado? Não! A tragédia continua, e lendo a biografia de Virginia conseguimos entender o que a levou a ter as crises de depressão que ela teve ao longo da vida. Pois em 1904 Leslie morreu de câncer e essa foi a terceira grande perda na vida de Virginia, ela realmente era apegada ao pai e todas as trocas intelectuais que eles tinham, de todos os irmãos ela foi a que mais sofreu.
  14. Após a morte do pai elas e os irmãos foram viajar para visitar amigos e familiares na Itália. A viagem foi péssima para Virginia e quando voltou ela estava em um estado nervoso depressivo e se jogou de uma janela, do segundo andar da casa de sua amiga Violet Dickinson. Por sorte não aconteceu nada de grave, mas o médico da família disse que ela ficaria melhor no campo do que em Londres. No período que Virginia ficou fora, na casa de campo com a tia, os irmãos mudaram do bairro nobre Kensington para o não-tão-bom-assim, o bairro de Bloomsbury.
  15. Para lá foram apenas os irmãos Stephen: Vanessa, Thoby, Virginia e Adrian. Esses foram os primórdios do grupo de Bloomsbury. Thoby convidava seus amigos de Cambridge (que incluíam Leonard Woolf e Clive Bell, que se casariam com as irmãs no futuro) para passar as noites de quinta na casa. E sem a supervisão de alguém mais conservador para ditar as regras do bom costume inglês, os irmãos deixaram o decoro de lado e pararam de se preocupar em estar sempre apresentáveis. Para as irmãs, que nunca tiveram liberdade para viver como gostariam foi uma experiência poderosa.
  16. Nessa época Virginia começou a escrever resenhas para jornais, foi publicada no The Guardian, teve algumas recusas também, mas ela continuou mandando seus textos. Escrevia assiduamente em seus diários e começou uma parceria com o The Times Literary Supplement, que durou praticamente toda a sua vida. O jornal mandava livros para ela ler e resenhar, e ela o fazia muito bem.
  17. Em 1906 toda a família foi para Grécia, todos estavam muito animados mas mais uma tragédia aconteceu. Vanessa passou mal a viagem inteira, mas depois se recuperou. Thoby que tinha voltado mais cedo da Grécia começou a passar mal em Londres, e com 24 anos Virginia perdeu seu irmão preferido para a febre tifóide.
  18. Vanessa logo se casou e Virginia se viu sem casa, já que o casal Bell tinha ficado com a casa em Bloomsbury. Então Virginia e Adrian se mudaram para um lugar menor. Lá eles começaram a dar festas e encontros, assim como os Bells. Podemos dizer que foi uma época de socialização muito intensa para o grupo Bloomsbury, e intelectuais de todos os tipos frequentavam as duas casas.
  19. Virginia começou a procurar um marido, por influência da irmã, e também porque queria. Ela e seu cunhado tiveram um affair, mas nunca chegaram nos finalmentes, (Virginia não se interessava por homens até então, e todos as suas paixonites de adolescente foram por mulher). Isso causou muito conflito com Vanessa, mas ela já estava interessada em outro membro do Bloomsbury: Roger Fry. Foi Vanessa que declarou que o grupo deveria ter uma politica sexual libertaria, com liberdade sexual para todos. O grupo causou alvoroço e reprovação pública. Vanessa era a mais sexual das irmãs, e não há muitos registros de que Virginia com então 27 anos tenha se relacionado dessa forma com alguém.
  20. Aos 27 anos Virginia foi internada pela primeiro vez em uma clinica psiquiátrica. Ela estava sofrendo de dores de cabeça, irritação nervosa e um forte impulso para rejeitar comida. Ficou um tempo internada e há relatos de que ela se dava muito bem com as enfermeiras e com os médicos.
  21. Após seu retorno Virginia decidiu que se mudaria com Adrian para um lugar maior e dividiram a casa com mais dois amigos, cada um teria seus próprios aposentos e viveriam o mais livre possível. Para a sociedade em que viviam esse foi um outro escândalo mas Virginia não se importou.
  22. Para o casamento vários partidos foram cogitados, como Lytton Strachey que apesar de homossexual pensou seriamente em se casar com Virginia, e ela com ele, eles se respeitavam intelectualmente e manteriam um casamento de amigos. Ele foi o melhor amigo de Virginia desde que fundaram o Bloomsbury, até o fim da vida. Outro cogitado foi Hilton Young, mas a Virginia as conversas entre eles não era estimulante. E Walter Lamb, que a pediu em casamento mas se sentia intimidado pelas amizades de Virginia. Até que finalmente Leonard Woolf voltou do Ceilão, onde trabalhou como administrador colonial por 07 anos e se apaixonou por Virginia.
  23. Ela estava receosa e antes de aceitar o pedido de casamento de Leonard, confessou que não sentia atração física por ele, mas afirmou que poderia se casar se ele ainda quisesse. Leonard tinha alugado um aposento na casa de Virginia e essa proximidade transformou a relação deles, ela ainda não sentia paixão por ele, mas criou uma admiração e amor mútuo. Eles se casaram em 29 de maio de 1912.
  24. O casamento foi ao mesmo tempo tranquilo e turbulento. O casal se dava muito bem e tinham muita intimidade apesar da falta de relações. Os dois queriam ser escritores e tinham planos para isso. Virginia trabalhava já trabalhava há seis anos em The Voyage Out, e os momentos finais da conclusão desse livro antes da publicação foram muito tensos.
  25. Ela foi internada mais uma vez em uma clinica psiquiátrica e teve as crises mais severas de sua vida até então. Virginia não comia, tinha dores de cabeça intensas e não conseguia dormir. Leonard foi o apoio que ela precisava, ele foi atrás de diversos médicos e enfermeiras para cuidar de Virginia. Os cuidados eram sempre os mesmos: não escrever, ir para longe de Londres e manter uma alimentação saudável. Então eles se mudaram para o interior.
  26. Virginia só melhorou mesmo em 1915 quando seu livro foi publicado e ela recebeu críticas positivas. Lendo sua biografia consegui ver que ela era extremamente insegura em relação ao seu trabalho e isso causava muita ansiedade e nervosismo para ela. Virginia Woolf Também sofria de Síndrome da impostora, quem diria né?
  27. Lembrando que esse foi o período da primeira guerra mundial. Os amigos de Bloomsbury correram para os tribunais para não ir para o front, mas alguns foram. Leonard tinha um problema nas mãos que o isentou da guerra, mas eles se engajaram em um grupo socialista em Londres onde palestravam e abriam as portas para outros palestrantes. Leonard era mais engajado politicamente do que Virginia. Ela se politizou depois do casamento e foi uma grande defensora do sufrágio universal.
  28. Durante a guerra o casal viveu sob a ameaça de bomba e ataques, cada noite que se passava vinha cheia de ansia. Virginia não teve nenhuma grande recaída, apesar da vida social agitada do casal e da guerra.
  29. Ela começou a trabalhar em Day and Night para relaxar do The Voyage Out. Essa nova narrativa era mais divertida e menos intensa. Ela seguiu esse ritmo durante toda a carreira literária: Um livro intenso e depois um livro divertido. Por exemplo: Orlando veio depois de Ao farol… Flush veio depois de As ondas. Enfim, isso aconteceu com frequência.
  30. Nesse período Virginia ficou muito amiga de Katherine Mansfield. Elas se amavam e se odiavam. Katherine e seu marido eram convidados frequentes na casa dos Woolfs, que eram mais reservados do que o resto de Bloomsbury. Nessa época Virginia também conheceu Aldous Huxley, a mulher dele vivia com o grupo de Bloomsbury, e colocou as mãos em Ulysses do James Joyce pela primeira vez.
  31. Leonard e Virginia não eram ricos, mas também não eram pobres. Mas na sociedade em que viviam eles eram considerados paupérrimos. Ele não tinha nada, então montar a editora Hogarth Press foi um grande desafio. Virginia recebeu a herança dos pais, do irmão Thoby e da tia, então ela tinha um pouco mais de dinheiro, mas que não era suficiente para pagar todas as contas. Quando ela estava sã escrevia resenhas e teve épocas que escreveu uma por semana e isso ajudou muito na renda do casal.
  32. 1918 foi o ano do fim da primeira guerra, o ano em que Virginia terminou Night and Day e o ano que T.S Elliot entrou na vida dos Woolf, e eles editaram diversos poemas dele.
  33. Night and Day recebeu críticas positivas e negativas. Ela queria que esse fosse um livro bem vitoriano e ultrapassado. Esse livro foi publicado pela editora do meio irmão de Virginia George Duckworth e ela odiava isso.
  34. A Hogarth Press editora dela e do Leonard ainda não publicava livros grandes, apenas contos em poemas. Elliot lançou alguns poemas por lá, assim como contos de Virginia e Katherine Mansfield.
  35. O conto Kew Gardens de Virginia publicado pela Hogarth Press foi um sucesso e os Woolfs recebiam pedidos para mais livretos. Foi assim que a editora cresceu. Então, eles comparam uma impressora maior e contrataram pessoas qualificadas para trabalhar lá.
  36. Em 1920 Virginia começou a pensar em Jacob`s Room. E quando surgiu a ideia para esse livro ela ficou extremamente feliz. Ela tinha uma noção muito clara da forma que ela queria para ele, e quem já leu esse livro sabe que ele tem uma construção muito específica. VOU CITAR AQUI O QUE A VIRGINIA ESCREVEU EM SEU DIÁRIO SOBRE ELES:
  37. Jacobs room, ou O quarto de Jacó, foi o primeiro livro (livro mesmo, não contos) que a Hogarth Press editou. Virginia ficou muito feliz em se desligar da editora do seu meio irmão. Ele foi lançado dia 27 de outubro de 1922 (GENTE VAI FAZER UM SÉCULO ISSO SOCORRO) e foi muito elogiado, inclusive por T.S Eliot. Disseram até que esse livro era tão potente que ela não conseguiria ir adiante. Mas sabemos que suas melhores obras ainda testavam por vir.
  38. Virginia era uma pessoa muito querida. Uma de suas grandes marcas era o riso fácil, ela contava histórias incríveis e encantava todas as pessoas que estavam próximas a ela. Mas ela também gostava de causar medo e sabia ser esnobe quando queria. Estar em uma sala com Virginia era uma aventura.
  39. A década de 20 foi de produção intensa para Virginia ela começou escrever Mrs Dalloway, que se chamava The Hours. Ela dizia que com esse livro ela queria introduzir o que havia de mais desprezível na sociedade que vivia. Reforçando o que eu já sabia: Mrs Dalloway foi uma grande crítica social.
  40. Nesse mesmo período ela começou um ensaio crítico chamado O leitor comum. E intercala seu trabalho entre as duas obras. Mrs Dalloway e as passagens mais intensas a levavam para o lugar da depressão, enquanto O leitor comum era uma ótima válvula de escape.
  41. Virginia começou a ficar famosa nos círculos sociais de Londres. Ela estava cansada de viver no subúrbio de Londres e convenceu Leonard a voltar para o centro. Então eles levaram a editora para Bloomsbury.
  42. Mrs Dalloway foi lançado em 25, e em meio aquelas tensões de síndrome da impostora que intensificava a depressão e nervosismo de Virginia, ele foi bem recebido. Uma curiosidade é que poucos livros dela foram mal recebidos. Acho que só Flush, uma biografia.
  43. Antes mesmo da publicação de Mrs Dalloway, ela já pensava no próximo livro chamado To The Lighthouse (E PARA QUEM NÃO SABE O NOME DO RUMO AO FAROL É INSPIRADO NESSE LIVRO, QUE SE CHAMAVA RUMO AO FAROL NA PRIMEIRA EDIÇÃO BRASILEIRA, HOJE APENAS AO FAROL). Ao farol é ao meu ver o livro mais intimo de Virginia, ela rememora os dias que passou em St Ives com a família, antes da morte da mãe Julia e da irmã Stella, que ela inclusive retrata no livro. Ele traz uma narrativa à la Virginia, com os fluxos de consciência e a bela prosa poética. Eu amo esse livro.
  44. O casamento com Leonard ia bem, quem via de fora podia sentir o afeto que existia entre eles. Quando ficavam separados cartas românticas eram trocadas, Virginia dizia que queria beijar ele e que sentia saudades. Quando li essa carta, foi difícil acreditar que eles não mantinham relacionamentos íntimos, isso é algo que talvez nunca saberemos.
  45. Mas o que importa é que Virginia tinha todo o sucesso que uma escritora poderia ter em Londres, vivia um casamento feliz, não tinha preocupação com dinheiro, mas mesmo assim tinha extensas crises depressivas e pensava em se matar. A crise mais recente veio pelo fato de ela já ter mais de 40 anos e nenhuma criança, ela via Vanessa com três crianças e queria o mesmo para ela. Como não sabemos quais eram as relações entre os Woolfs também não podemos saber se o controle de natalidade era uma consequência da falta de relações, ou uma escolha consciente, já que Virginia tinha uma saúde mental abalada e por isso não poderia ser mãe. Só sabemos que isso causava imensa tristeza para ela.
  46. Virginia conheceu Vita Sackeville West em 1922, mas seu relacionamento só se intensificou em 26. O relacionamento nasceu de uma amizade que foi se intensificando graças as investidas de Vita. Virginia se viu apaixonada e anotou sobre isso em seu diário. Os maridos das duas levaram a relação numa boa. Virginia ficou tão envolvida com Vita que escreveu um livro inteiro sobre a vida da amante, Orlando, que é um livro incrível e conta a história de Orlando, um homem aristocrata que se torna mulher buscando se encontrar em seu próprio corpo. Além disso, ele vive em um tempo gigante, desde a época elizabetana até os dias de Virginia.
  47. A vida ia bem, Virginia escreveu mais alguns livros de sucesso como: Um teto todo seu, As ondas, que na minha opinião é o romance mais ousado dela, Flush, uma biografia, onde ela conta a história de um cãozinho, Os anos, Três Guineas, que foi um livro de denuncia contra o fascismo. Além de muitos outros ensaios e contos.
  48. Até que em 39 veio a guerra, Leonard era um judeu e Virginia a mulher de um, o anti-semitismo cresceu por toda a Europa, e isso afetou profundamente os dois. Principalmente quando Leonard se alistou como um soldado para proteger Londres. Além disso o exército alemão causou um bombardeio na cidade e destruiu a casa dos Woolfs em Bloomsbury.
  49. Eles se mudaram para o interior mas Virginia já não estava bem, ela voltou a ter grandes crises como aquelas que teve após a morte o pai, mas agora ela também ouvia vozes. Segundo seus diários elas estava obcecada com a morte e escrevi sobre isso constantemente. Virginia não aguentava mais as crises, as enxaquecas, a depressão e o sofrimento e apesar de aparentar, aos olhos de fora uma pessoa extremamente sociável e divertida, por dentro ela sofria.
  50. Em 28 de março de 1941, Virginia aos 59 anos encheu seus bolsos com pedras e se jogou no rio próximo a sua casa. Seu corpo ficou a deriva por três semanas e antes da sua morte ela deixou duas cartas para Leonard, onde ela agradecia por tudo que ele fez por ela, e disse que queria que ele fosse livre para viver sem ter o peso da vida dela sobre ele. Ela também tinha certeza de que as vozes que ouvia a deixaria maluca. Ela também deixou uma carta para Vanessa.

3 escritoras brasileiras contemporâneas para conhecer hoje!

Faz um tempo que quero escrever sobre esses três livros que recebi ano passado. Li os três super rápido, mas por conta das demandas da vida demorei um pouco para começar a leitura, e mais ainda para escrever sobre eles, por favor, não desistam de mim. Foi uma supresa ótima! O Rumo ao farol tem me proporcionado conhecer escritoras maravilhosas que estão lançando seus primeiros livros (de muitos espero eu).

Resenha de três livros de escritoras brasileiras e independentes!

O primeiro que li foi Conta Comigo da Michele M. Fernandes. Nesse livro conhecemos a história de três mulheres diferentes, divididas por contos que remetem a cidade de Porto Alegre. Cada um tem uma característica própria e carrega seu mistério: uma mulher perdida, uma mulher com super poderes e uma mulher que busca firmar sua identidade sendo uma mulher trans. A narrativa é bem fluida e gostosa de ler, o tempo passou super rápido durante a leitura. Gostei bastante.

O segundo foi Talvez fôssemos outras da Renata Ferri. Também um compilado de contos muito gosto de se ler. Ela traz histórias múltiplas que caminham entre primeira e terceira pessoa, sempre muito próximo do personagem. Tem briga em família, um triângulo amoroso, um conto sobre o processo de luto, e também sobre a escrita. Os contos são diversos e cada um carrega um mistério interessante que me prendeu, sabe? Eu adorei que os contos estão recheados com ilustrações, o que traz um dinamismo bonito para o texto.

O terceiro que li foi Amanhã seremos outros da Marília Santos Krüger, o nome é muito parecido com o da Renata, né? Achei uma coincidência interessante. Esse livro já me impactou logo com a capa, achei a edição muito bonita. Dentro o livro carrega contos pequenos mas muito poderosos. A Marília foge do óbvio e trouxe como protagonistas uma casa, uma criança, um casal. Ela explora tipos narrativos diversos, e experimenta com sabedoria. Às vezes caminha pela prosa poética, às vezes se atém ao realismo, mas todas as história são fortes e carregam um suspense gostoso.

Foi um prazer ler esses livros e conhecer essas autoras maravilhosas que estão começando. Sinto que muita coisa boa vai surgir a partir disso. Adoro ver quanto coisa boa tem na nossa literatura contemporânea!

Quero saber de você, já conhecia alguma dessas autoras? Gostaria de conhecer?

A PEDIATRA DE ANDREA DEL FUEGO | Resenha de um livro impactante sobre a medicina e padrões de gênero

A Campainha das Letras me mandou esse e-book ano passado e eu lembro do enorme burburinho que ele causou lá no bookstagram quando foi lançado. A narrativa é estimulante e muitas vezes absurda. Carrega temas muito importantes como a quebra dos padrões de gênero e a visão da maternidade.

Lemos a pediatra no Clube do livro Contemporâneas, que é um espaço de trocas sobre literatura e sobre a vida, em março. Minhas últimas resenhas foram de livros que lemos lá no clubinho, você encontra elas aqui.

Um dos livros votados foi A pediatra da Andrea del Fuego. Ela tem um nome super forte né? E também tem uma carreia extensa na literatura. Seu primeiro romance, Os Malaquias, venceu o premio José Saramago. Isso foi lá em 2011, dez anos e algumas publicações depois, em 2021 ela lança A pediatra, e eu ouvi falar que ela escreveu esse livro em um mês!

Resenha de A pediatra de Andrea del Fuego – Um dos livros escritos por mulheres da literatura brasileira contemporânea mais legais que lemos!

Essa pediatra tem nome, ela se chama Cecília, uma mulher muito obstinada, egocêntrica e totalmente pragmática, ela se passa por uma vilã canalha, o que eu acho curioso pois toda a sua personalidade tem características que nossa sociedade considera masculinas. Ou seja, quando um homem age como ela costuma agir ele não é tão julgado quanto a Cecília foi. Por que ela foge do padrão da “feminilidade” adocicado e sentimental.

Vou destrinchar a personalidade aqui para você entender melhor sobre o que estou falando:

Ela é casada, mas tem um amante, o marido sofre de depressão e ela deixa bem claro que não vai ser cuidadora de ninguém. O amante tem uma esposa grávida e ele indica Cecília para ser a neonatologista do bebê. Para quem não sabe neonatologistas cuidam de bebes recém nascidos (estou dizendo porque eu mesma não sabia disso), principalmente durante o parto. Logo após o nascimento de Bruninho, eles se pegam em uma salinha do o hospital, enquanto a mulher ainda está na sala de parto.

O amante se chama Celso, e ele termina com ela logo após o nascimento do bebe Bruninho. Eles ficam um ano longe mais ou menos, pois ele morava em outra cidade. Quando a mulher está esperando o segundo filho eles se mudam para São Paulo, e eu acredito que foi por causa de Cecília. Os amantes retomam a relação. Cecília começa a se afeiçoar por Bruninho e muita confusão acontece por conta desse relacionamento confuso. Bom, para você saber tem que ler o livro, pois é cada bizarrice que essa mulher faz que você não vai acreditar.

Ela é sozinha, o marido foi embora e ela vive apenas com sua empregada, que está grávida. Cecília odeia crianças e está certa de que nunca será mãe. Seus pacientes são tratados sem nenhum afeto ou consideração, ela não suporta o desespero das mães, e até despreza elas. Cecília cresceu com um pai pediatra e uma mãe enfermeira, e é curioso que sua relação com o pai é muito mais próxima do que com a mãe. Do pai ela herdou a profissão e um posto na sociedade. Ela tem consciência disso e diz que faz o que faz apenas de modo protocolar sem nenhum entusiasmo.

Sinto que tem um grande vazio dentro dela que ela preenche com paranóias de que todas as pessoas são inferiores a ela. Mas também tem pequenas amostras de uma sociopatia em sua personalidade, que faz ela perseguir e intimidar as pessoas. Sim, ela é também uma perseguidora. Uma stalker.

O livro também entra em uma discussão interessante sobre o parto humanizado em banheira em casa, algo que Cecília é extremamente contra. Além de retratar com crueza o trabalho de parto e todas as suas consequências, confesso que eu que já tinha medo de engravidar fiquei com mais ainda, então deixo um alerta aqui, esse livro pode conter gatilhos para mulheres grávidas.

A relação de Cecília com Deise sua empregada também é permeada de uma superioridade paternalista que incomoda muito. Como eu já disse Deise está grávida e Cecília não suporta a ideia de uma mulher grávida em sua casa, ou uma possível criança. Além disso Cecília entra em um emaranhado de julgamentos e acredita que todas as pessoas ao seu redor são horríveis. É muito interessante ler esse livro desse modo, pois, por ser escrito em primeira pessoa nós só sabemos sobre os personagens (o Celso, a Deise, o Robson, que pai do filho da Deise, os pais de Cecília) pelo filtro deturpado da mente dela.

Esse livro é um retrato de uma mente perturbada, interessante e que quebra os padrões de gênero, que esperam que mulheres sejam sempre emocionais e dóceis. Também escancara os pensamentos de uma médica protocolar que não escolheu seguir a medicina por amar ajudar as pessoas e sim por um bom salário, ou porque foi imposto pela sociedade.

Você vai se irritar com esse livro mas também pode amar. Eu li super rápido e achei muito interessante.

Essa foi mais uma dica de livros escritos por mulheres que trouxe aqui! A pediatra é um bom livro.

Espero que goste! Me conta nos comentários o que achou!

O COPO VAZIO DE NATALIA TIMERMAN | Resenha do livro que fala sobre Ghosting e relações líquidas!

Mirela, uma mulher de 32 anos sofreu pelo desaparecimento do cara que ela estava ficando. E não foi um desaparecimento de filme de terror não, ele apenas nunca mais respondeu suas mensagens, e acabou com todo o contato que eles tinham do dia para noite.

Copo vazio foi o segundo livro que lemos no Clube do Livro Contemporâneas nesse ano, o primeiro foi Primeiro eu tive que morrer da Lorena Portela. O nosso livro de fevereiro foi escrito pela Natalia Timerman, uma psiquiatra e psicoterapeuta paulistana. A mulher tem um currículo extenso, e por coincidência ela fez a mesma formação de escritores que eu lá no Instituto Vera Cruz. Se um dia eu escrever um livro tão potente quanto o dela eu vou ficar muito feliz.

Seu primeiro livro foi Desterros – Historias de Um Hospital-Prisão onde ela conta a história de detentos e funcionários que passaram pelo sistema carcerário paulistano enquanto ela trabalhava no Centro Hospitalar do Carandiru. Seu segundo livro Rachaduras foi lançado em 2019, é uma coletânea de contos indicada ao Jabuti.

Em 2021 ela lançou seu primeiro romance Copo Vazio que saiu pela editora Todavia. Foi o maior burburinho em volta desse livro ano passado né? Muita gente leu e comentou e é interessante refletir sobre o porque desse livro ter feito tanto sucesso. E eu vou dar minha opinião aqui, antes de entrar na resenha: Acredito que seja porque muitas mulheres já passaram pela mesma situação que Mirela.

Mirela é uma arquiteta de 32 anos, ela conhece Pedro, um homem que parece ser tudo que ela sempre quis. A história começa no futuro, quando Mirela já bem mais velha encontra Pedro em um supermercado. Assim ela relembra seus dias ao lado dele, os dias que se passaram depois de seu sumiço e tudo que ela viveu sofrendo por ele.

Eles se conheceram em um aplicativo de namoro, saíram algumas vezes e as coisas foram ficando intensas, pelo menos do ponto de vista da Mirela. Aos poucos vamos descobrindo qual era a natureza da relação dos dois e como as coisas entre eles foram desenvolvendo, em uma narrativa eletrizante que te prende até o final. O livro fala sobre ghosting, a prática de sumir sem dizer nada e deixar a outra pessoa lá imaginando o que aconteceu.

É incrível como a Natália conseguiu representar muito bem a vulnerabilidade feminina e as inseguranças que temos em relação aos relacionamentos. Para Mirela o relacionamento está caminhando para algo a mais, Pedro também parece estar envolvido e a todo momento ficamos procurando pistas de sua fuga próxima. Ele não dá certeza nenhuma para ela, e foi por isso que ela encheu seus pensamentos de projeções do que poderia ser essa relação.

Ele dá corda, até chama ela para viajar com ele para visitar sua avó. Ele alimenta as expectativas dela mesmo não estando tão afim assim, e depois ele some, sem dar explicações, sem terminar, sem nada, ele apenas some. Mirela manda mensagens e ele não responde, então, ela começa a entrar em um redemoinho de inseguranças e incertezas que mechem com sua autoestima. Mirela sofre por ele e essa perda afeta seu trabalho e seus relacionamentos mais próximos. E os futuros. A carência afetiva se intensificou pela ansiedade que o sumiço dele causou.

Na minha opinião o que Pedro fez foi cruel, por mais que eles não tivessem em um relacionamento, faltou responsabilidade afetiva. Eles se viram com frequência por 3 meses, eles conversavam constantemente, e já estavam envolvidos com os amigos um do outro. Ele poderia ter sido mais sincero ao invés de deixar ela assim. De qualquer forma as atitudes de Pedro sempre eram ambíguas, inclusive depois do sumiço, ele ainda orbitava na vida da Mirela, curtindo fotos, causando uma ansiedade extrema nela.

Esse livro é importante para abrir nossos olhos em relação a algumas atitudes masculinas extremamente tóxicas, como a falta de responsabilidade afetiva e a certeza de que eles tem de que podem tratas as mulheres da maneira que quiserem. Outra coisa que esse livro nos mostra é que isso pode acontecer com qualquer uma de nós e já aconteceu diversas vezes, muitas meninas do clube tinham histórias muito similares e diziam ter passado por coisas muito parecidas.

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Enfim, eu gostei muito desse livro, a Natália escreve muito bem. Ela vai entregando a história aos poucos. Cada capítulo é uma surpresa, pois ela intercala o passado e o presente da personagem, ao estilo durante e depois, sabe? Durante o relacionamento e depois do relacionamento. Foi muito interessante ver a escalada e a transformação ao nada desse relacionamento cruel.

RESENHA PRIMEIRO EU TIVE QUE MORRER DA LORENA PORTELA | Uma escritora brasileira independente!

O primeiro livro do Clube do livro contemporâneas de 2022 traz uma narrativa que se aproxima de questões muito atuais. Escrito por Lorena Portela, que é uma cearense que mora em Londres, o livro Primeiro eu tive que morrer está fazendo sucesso nas redes.

Acredito que muitas mulheres se identificaram com a protagonista que viaja para Jericoacoara para se recuperar de um burnout. Lorena fez todo o processo de escrita e impressão do livro de forma independente, e para mim esse é um dos pontos altos da obra, pois ela nos mostra que se temos um sonho poderemos realizá-los por nós mesmas. Claro, ela teve ajuda de muitas mulheres para a construção dele. Ao longo das páginas vemos obras lindas de artistas que deixaram sua impressão nesse livro.

A escrita é simples e leve, o livro fluí. É uma história que já conhecemos: a nossa história enquanto mulheres. A personagem principal poderia ser qualquer uma de nós, ela não tem nome, mas as coisas que ela passa são comuns: o trabalho extra para uma mulher se posicionar no mercado, a responsabilidade e culpa dentro dos relacionamentos, o assédio, às vezes silencioso, e às vezes escancarado. Até o momento do “não aguento mais!”

A personagem vai para Jeri por 2 meses, para se recuperar do stress que é trabalhar em uma agência de publicidade. Lá ela fica na pousada de duas amigas, Sabrina e Ana, que são um casal. Elas abrigam a amiga em troca de uma pequena ajuda com a pousada. Outra personagem que aparecerá é Glória, uma espanhola que teve um affair com nossa protagonista uns anos antes em Lisboa e que estará na América Latina.

Ela também conhece Amália, uma mulher misteriosa, que faz coisas bizarras com ela, tipo quase a afogar no mar. Amália também é muito homofóbica. Essa mulher faz ela duvidar de si mesma e de sua relação com Glória. Fiquei com muito raiva dessa mina, e eu já teria mandado ela catar coquinho (para não dizer uma palavra feia aqui, não é mesmo? Você me entende né?). Enfim, temos também Guida e Luana, vó e neta que são um porto seguro para a personagem.

O livro é em primeira pessoa e é uma escrita bem simples mesmo, eu já falei isso, mas ele carrega a vida dessas mulheres incríveis. Histórias que não podemos esquecer e que devemos sempre exaltar. Lorena escreveu a história que eu também estou escrevendo, parece até que ela leu meus pensamentos.

A ambientação do livro é uma delicia, se passa em um lugar paradisíaco. Um lugar perfeito para uma fuga, até do próprio corpo, para então se reestabelecer de uma maneira mais saudável. Alcançando talvez a completude?

Simone de Beauvoir: Uma vida – de Kate Kirkpatrick | Resenha da biografia do ícone feminista e escritora do século 20!

A vida de Simone de Beauvoir é um retrato claro da posição da mulher na sociedade. Ela teve uma carreira brilhante, passou pelos exames de filosofia mais difíceis da França, estudou e leu muito. Até hoje ela é lembrada como a seguidora de Sartre, a mulher que esteve ao seu lado toda a vida e que reproduziu suas ideias. Mas a vida de Simone de Beauvoir vai muito além de seu relacionamento com Sartre. Ela foi uma intelectual prolífica, amou muitas pessoas e foi uma feminista engajada.

Kate Kirkpatrick

A biógrafa Kate Kirkpatrick nos mostra isso na biografia Simone de Beauvoir: Uma vida. Hoje vou fazer uma resenha sobre esse livro!

Eu não poderia começar essa resenha sem antes comentar a vida e obra de Kate Kirkpatrick, que é professora da Kings College em Londres. Em entrevista para Quatro cinco um ela disse que não tinha ambições de escrever uma biografia, ela é uma filósofa e pesquisadora de Jean-Paul Sartre, e acreditava que para estudar a filosofia dele deveria entender o contexto intelectual francês no qual ele estava inserido. Então, lia Simone Beauvoir, e fez um estudo detalhado das cartas que os dois trocaram quando eram jovens.

Kirkpatrick também analisou as cartas que Beauvoir trocava com seus amantes e amigos, ela também estudou afundo os diários de Simone. Para assim entender qual eram as nuances de seus relacionamentos e estudos. Escreveu de forma lúcida sobre a vida da moça bem comportada que se tornou ícone, odiada pela maioria que insiste em não entender a sua obra, mas aclamada por mulheres que se sentiram representadas por seus livros.

“Em conversa em um café em Londres, Kirkpatrick explicou, de maneira clara e contundente, que a razão principal que a levou a escrever Simone de Beauvoir: uma vida (Crítica/Planeta) foi a confirmação, através de um cuidadoso estudo de diários e cartas de Beauvoir que foram publicados recentemente, de uma suspeita que tinha havia anos: a maneira como Beauvoir foi retratada ao longo da história, inclusive em biografias anteriores, não fazia jus à sua contribuição à filosofia ocidental.”

Mariana Schiller para a Quatro cinco um.

Em dezessete capítulos Kirkpatrick traz a vida de Simone, e revela as discordâncias entre suas cartas e autobiografias. Conta sobre os relacionamentos nunca mencionados por Simone em seus textos autobiográficos. Desmente acusações inconcebíveis sobre seu posicionamento politico e sexual. E principalmente: mostra a Simone que deveria ser conhecida por todos, a filosofa dedicada, que tinha suas próprias opiniões e criticava com afinco a sociedade em que vivia.

Kirkpatrick também trouxe uma nova visão sobre o relacionamento de Simone e Sartre. Ela os coloca em uma relação de iguais e tira a centralidade dele de sua vida. Simone amou Sartre, mas não era um amor único e incondicional.

Sartre era o “amigo incomparável de seus pensamentos” como a Simone sempre dizia, mais que um relacionamento amoroso, eles tiveram uma bela amizade. Sartre deu diversas entrevistas onde dizia que Simone criticava todas as suas obras, e ele nunca publicava nada sem ela ter lido e comentado. Eles trabalharam juntos, na obra de ambos, e levavam em consideração a opinião um do outro. Por isso, eu acredito que não dá para falar sobre Sartre sem falar sobre Simone.

Simone amou muito! Teve diversos amantes, homens e mulheres, e acreditava na liberdade sexual e amorosa. Ela viveu apenas com um deles, Claude Lanzmann e o ajudou intelectualmente e financeiramente, ele era um intelectual judeu, e cineasta, seu primeiro filme sobre o holocausto foi financiado por Beauvoir. Ela respeitava as ideias de todos eles, que eram a família dela, e continuaram amigos para o resto da vida.

Entre os membros dessa família estão: Olga e Wanda Kosakiewicz, elas irmãs, e Simone teve um caso com Olga e Sartre com Wanda; Jacques-Laurent Bost, que teve um caso com Simone e Olga ao mesmo tempo, mas não juntos, e ele acabou se casando com Olga. Claude Lanzmann, que viveu com Simone no mesmo teto por anos. Bianca Lamblin, que apesar das polêmicas ficou ao lado de Simone, como amiga, para o resto da vida. Nathalie Sorokine que foi amante da Simone quando ambas eram jovens (Simone 27 e Nathalie 20). Sorokine se mudou para os Estados Unidos e abriu as portas de sua casa para Simone sempre que ela ia pra la. E Nelson Algren, que podemos dizer que foi o romance mais intenso de Simone, mesmo com um oceano de distância. O curioso é que Sartre nunca escreveu uma palavra ruim sobre Simone, mas Nelson sim, diversas vezes.

Mas ela se arrependeu de muitas coisas que fez em sua juventude, principalmente os relacionamentos com as alunas. Ela tinha 26/27 quando começou a ficar com alguma delas. Seu relacionamento com Sartre às vezes machucava as terceiras partes, principalmente quando ele resolvia seduzir as amantes de Simone, já que ele era um sedutor incontrolável. Então, com o passar dos anos ela refletiu sobre isso, sobre o amor, e sobre a liberdade. Simone foi uma mulher de reflexões, primeiro sobre a filosofia que lia incansavelmente, Hegel, Kierkegaard, Marx, Freud, Descartes e muitos outros. Depois sobre a condição da mulher na sociedade, e sofreu muitos ataques depois que sua obra O segundo sexo foi lançado. Ela era a bruxa, amarga que não sabia amar, e isso nos atravessa até os dias de hoje. A uma mulher não é permitido pensar, refletir e seguir uma vida de intelectual.

Além disso ela foi veemente contra a ocupação nazista, participou da resistência francesa contra a ocupação alemã, escreveu um livro inteiro sobre isso, Os mandarins. Acreditava que políticas progressistas de esquerda deveriam ser apoiadas, principalmente quando se referia as escolhas da mulher e do aborto. Foi para a União Soviética diversas vezes com o Sartre, já que ele tinha uma amante lá, e criticava as ambiguidades do regime comunista. Esteve no Brasil, na China, nos Estados Unidos, em Cuba e em muitos outros lugares, como já disse nos 50 fatos sobre a Simone, ela era uma viajante. Lutou contra a ocupação francesa na Argélia e no seus últimos anos apoiou diversas causas libertárias.

Recebeu cartas de mulheres que leram a sua obra e se identificaram. Essas mulheres queriam fugir de sua vida, porque quando jovens elas acreditavam que maternidade e o matrimonio seriam cheios de amor, mas que anos depois se viram sozinhas, e descobriam que não construíram nada de significativo e libertador. Simone respondia o máximo de cartas que conseguia e ao longo de sua vida escreveu sobre seus privilégios, sobre a velhice e sobre politica. Kate Kirkpatrick consegue resumir todos os anos de vida Simone de Beauvoir em 553 páginas, em uma narrativa que te prende e te estimula a ler cada vez mais até o fim do livro e da vida de Simone, que foi extremamente interessante e cheia de nuances, como as nossas.

Eu recomendo a leitura desse livro para você descobrir a vida dessa grande mulher!

50 FATOS SOBRE Simone de Beauvoir – Biografia, O Segundo Sexo, Os Mandarins, As Inseparáveis e mais!

Simone de Beauvoir foi uma pensadora muito importante para o século 20. Ela foi uma filósofa, uma escritora dedicada e uma estudiosa disciplinada. Ela questionou a sociedade em que vivia e quebrou diversos padrões de sua época, e levantou questões sobre a liberdade, o amor, o gênero e a sexualidade.

Simone de Beauvoir dando autógrafos no Brasil em 1960

Para fazer esse post eu li a Biografia dela escrita pela Kate Kirkpatrick, e ao longo dos anos eu li diversas obras da Simone de Beauvoir, como O Segundo Sexo, Os Mandarins, Mal-entendido em Moscou.

Também fiz um curso da revista Cult sobre a Simone com a Doutora em filosofia pela USP Juliana Oliva. Vocês viram que eu queria estar bem preparada pra fazer esse vídeo, né?

Dia 09 de janeiro foi o aniversário da Simone de Beauvoir que foi uma escritora e pensadora francesa.

Ela contribuiu não só para o pensamento feminista do século vinte mas também esteve na resistência francesa contra o nazismo em Paris. Foi uma intelectual extremamente culta e prolífica. Tem diversos livros, ensaios, textos jornalísticos públicados. Sua obra vai muito além de O Segundo Sexo, apesar de ser um livro importantíssimo tanto para a filosofia existêncialista, quanto para o movimento feminista que teria força mais de dez anos depois de seu lançamento.

Vi que tem muita desinformação sobre a Simone de Beauvoir na internet, então quis trazer 50 fatos sobre ela de fontes sólidas. Todas as fontes utilizadas para esse vídeo estão lá no fim do post, porque aqui a gente trabalha com fatos pesquisados e estudados.

Bora conhecer os 50 fatos sobre a Simone de Beauvoir?

  1. Simone Lucie-Ernestine-Marie Bertrand de Beauvoir nasceu em Paris, às 04 e meia da manhã no dia 09 de janeiro de 1908.
  2. Ela era filha de Georges Bertrand de Beauvoir um advogado que sonhava em ser ator e Françoise Brasseur, filha de um banqueiro bem sucedido, mas que nunca pagou o dote de Françoise porque perdeu tudo.
  3. Um dos antepassados aristocratas de Simone perdeu a cabeça na revolução francesa e depois disso as pretensões nobres da família perderam completamente a força.
  4. Ela e a irmã Hélène estudaram na Adéline Desir Institut, escola católica e privada exclusivamente para meninas.
  5. Desde nova ela já chamava a atenção de seus pais por seus estudos e inteligência. Ela sempre foi muito aplicada, era sempre a melhor da turma.
  6. Ela foi uma leitora precoce e devorava livro atrás de livro, e isso continuou ao longo de sua vida.
  7. Uma personagem literária que inspirou Simone na infância foi a Jo March de Little Women de Louisa May Alcott. Porque ela não queria se casar para seguir carreira literária.
  8. Teve uma infância rígida seguindo os moldes burgueses de uma mãe extremamente católica e um pai egoísta, preguiçoso e machista.
  9. Aos 9 anos Simone conhece a Zaza, Élisabeth Lacoin, que foi sua amiga mais próxima até a morte precoce de Zaza em 29. “As inseparáveis” livro recém lançado pela Record fala sobre essa amizade.
  10. Em 1925 ela foi aprovada no exame de acesso as universidades, de Matemática e Literatura, e licenciou-se nas duas matérias.
  11. Nesse período ela fez duas tentativas de escrita de um primeiro romance, mas nenhuma delas foi para frente. Seu sonho era ser escritora e colocar todas as suas perguntas filosóficas dentro da ficção.
  12. Ela também começou a trabalhar educando proletários do norte da França e depois no instituto em que estudou.
  13. Em 1927 ela obteve seu certificado em História, Filosofia, Filosofia geral e Grego na Sorbonne, ao lado de muitos outros pensadores que se tornariam famosos. Lembrando que as mulheres naquela época não tinham esse tipo de educação, elas nem podiam votar ou ter uma conta bancária.
  14. Foi nessa época que ela chegou a conclusão de que o casamento é “fundamentalmente imoral” já que ele é definido como algo eterno e as vontades podem mudar.
  15. O ano de 1929 foi de grande importância na vida da Simone. Ela se tornou a primeira mulher a dar aulas em um Liceu masculino,
  16. Conheceu Jean Paul Sartre em um grupo de estudos para se preparar para um exame importante. Ele se tornaria seu parceiro e amigo pelo resto da vida;
  17. Ela perdeu a amiga Zaza que morreu apaixonada por outro amigo e colega de Simone, Maurice Merleau-Ponty;
  18. Ao lado de Sartre Simone passou em um exame nacional chamado agregátion para se tornar professora vitalícia do sistema público francês, altamente prestigioso e competitivo.
  19. Aos 21 anos, ela foi a pessoa mais jovem de todos os tempos a passar nesse exame;
  20. Foi também nesse ano que ela e Sartre fizeram um pacto poliamoroso, ela tinha 21 anos e ele 24. Nesse pacto eles deveriam ser cem por cento honestos sobre suas conquistas e leais um com o outro.
  21. Segundo os diários de Simone, nessa época ela não estava apaixonada apenas por Sartre mas também por outros dois homens, René Maheu, amigo de ambos, e seu primo Jacques.
  22. O pacto deles provocou muita curiosidade dos moralistas e é motivo de especulação até os dias de hoje. Muito elogiado e também muito criticado.
  23. Uma curiosidade é que houve um ano em que Simone publicou em nome de Sartre e ninguém notou. A verdade é que essa relação ofuscou Simone, enquanto Sartre era ovacionado, e isso acontece até os dias de hoje.
  24. Entre 1931 e 1935 Simone viveu a vida de uma professora provinciana e morou em Marselha e Rouen para dar aulas.
  25. Voltou para Paris em 36 como professora no Liceu Molière.
  26. Nessa época Simone tinha 27 anos e teve casos famosos com três alunas, Olga que tinha 19 anos, Bianca que tinha 17 anos e Nathalie Sorokine que tinha 20. Olga nunca ficou com Sartre, mas Bianca sim. Elas continuaram amigas para o resto da vida.
  27. Simone também se apaixonou por Bost, ele por sua vez tinha um caso com Olga, e acabou se casando com ela, ele era aluno de Sartre. Uma bagunça né?
  28. Em 39 a Segunda Guerra Mundial começou. Sartre e Bost são convocados. Sartre foi trabalhar no corpo meteorológico e Bost seria soldado. Simone teve seu primeiro “colapso nervoso”, e isso foi se repetindo durante toda a guerra.
  29. Simone começou a trabalhar no que seria seu primeiro romance A Convidada, que seria lançado em 43, inspirada em sua relação com Olga, Bost e Sartre. A filosofia desse livro pode ser comparada com O Ser e o Nada de Sartre que foi escrito depois.
  30. Em 40 Paris foi invadida pelos alemães, Simone fugiu para o interior com a família de Bianca, mas logo voltou a Paris. Bost foi baleado e evacuado do Front, mas sobreviveu. Sartre foi preso.
  31. Quando Sartre voltou a Paris em 41 eles se uniram com outros intelectuais na resistência francesa contra a ocupação nazista.
  32. Em 43 Simone perdeu seu cargo no sistema de ensino francês depois de uma acusação formal da mãe de uma de suas amantes: Nathalie Sorokine, mas ela negou as acusações contra Simone no tribunal dizendo que as relações entre elas eram consensuais e ela já era maior de idade, então, Simone não foi condenada. Mas ela perdeu o emprego porque suas relações com mulheres e seu relacionamento aberto com Sartre não combinavam com os ideias do governo alemão.
  33. Simone conseguiu um emprego na Rádio Vichy. Na época haviam duas rádios nacionais, a Rádio Paris, que era difundida pelos naziastas, e a Rádio Vichy, onde era possível trabalhar sem ser visto como um colaborador dependendo do que se fazia. Simone falava sobre música na Idade Média.
  34. Em 45 a Guerra acabou e Simone estava produzindo como nunca. Escreveu diversos artigos filosóficos e ensaísticos, fundou uma revista com Sartre e Ponty: Les Temps modernes, Tempos Modernos em português, escreveu uma peça, e dois romances que ficariam muito conhecidos: O sangue dos outros e Todos os homens são mortais. Ela também começou a pensar no livro O Segundo Sexo.
  35. Desde muito nova ela questionava com profundidade o que significava ser mulher para ela e para sociedade. E esse pensamento, junto com suas criticas sobre o que era liberdade dentro do existencialismo, foram a base para a criação de O Segundo Sexo.
  36. Publicado em 49, esse livro foi duramente criticado tanto pela direita, quanto pela esquerda. Inclusive por seus colegas intelectuais como Camus.
  37. Ele não nasceu para ser um livro feminista. Ela o escreveu como um processo investigativo com dados concretos sobre a vida da mulher em sociedade, e também porque estava irritada com abre aspas “os volumes de idiotices” que eram lançados sobre as mulheres. (Tem resenha completa de O Segundo Sexo aqui)
  38. Simone era muito fã de Virginia Woolf e além de ter lido todos os seus livros ela também a considerava uma grande influência intelectual.
  39. Os Mandarins veio em 54, e esse livro foi muito elogiado pela crítica, ganhou até o prêmio Goncourt. Ele conta a história de um grupo de pessoas que tentavam retomar a vida depois da Segunda Guerra Mundial. Aqui ela mostra personagens fictícios que fazem parte da resistência, além de seus questionamentos em relação a união soviética. Inclusive crítica o governo russo, e propõe uma nova política de esquerda. (Também tem uma resenha completa dele aqui. EU AMEI ESSE LIVRO)
  40. Simone era uma viajante, conheceu o mundo inteiro, foi para Ásia, para a Africa, rodou a Europa inteira, foi para as Américas e desembarcou no Brasil em 1960.
  41. Ela e Sartre permaneceram dois meses aqui e conheceram o Recife, Salvador, Rio de Janeiro, São Paulo, Ouro Preto, Fortaleza e Manaus. Essa visita foi organizada por ninguém menos que Jorge Amado e Zélia Gattai. Ela até conheceu o Juscelino Kubitschek.
  42. Em 60 Simone conhece Sylvie Le Bon, mulher que se tornaria sua amiga mais próxima até o fim de sua vida.
  43. Desde que Simone começou a trabalhar ela mandava dinheiro tanto para a irmã Helénè, quanto para mãe Françoise. Ela era a grande provedora da família
  44. E de alguns amigos, muitas vezes passou fome para poder ajudar todas as pessoas que estavam ao seu redor, inclusive suas amantes e as amantes de Sartre.
  45. Nesse período ela tinha 50 anos e lançou suas três biografias mais famosas: Memórias de uma moça bem comportada, em 58, na qual ela relembra sua juventude puritana; A força da idade, onde ela relembra uma Paris ocupada e dedica a sua relação com Sartre, Bost e Olga; e A força das coisas, em 63, onde ela comenta a vida que leva no pós guerra e suas publicações.
  46. Em 65 ela lança o livro Mal Entendido em Moscou, onde ela fala sobre as ambiguidades existentes na união soviética;
  47. Em 67 ela lança A mulher desiludida e logo depois, em 70, A velhice, com pensamentos que passavam por ela a décadas sobre o envelhecimento e a morte.
  48. Em 80 ela perde Jean Paul Sartre, e se vê sozinha, então ela adota Sylvie Le Bon, após passar um período no hospital e não ter ninguém que pudesse lhe acompanhar, já que a irmã estava em Portugal.
  49. Em 81 ela lança sua última biografia, A cerimônia do adeus, onde ela narra os últimos anos de Sartre e a sua vida na velhice.
  50. Simone de Beauvoir morreu em 86 de complicações de uma pneumonia, e seria lembrada por muitas décadas após sua morte. Os recém lançamentos de cartas e livros nunca publicados vieram do acervo de Sylvie Le Bon-de Beauvoir, que herdou tudo de Simone.

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Bom, esse foi o compilado de informações sobre essa autora tão famosa e importante! Os próximos serão sobre a Virginia Woolf e a Angela Davis. Me conta o que achou nos comentário!

Fontes:

CANDIANI, Heci Regina. Simone de Beauvoir. InBlogs de Ciência da Universidade Estadual de Campinas: Mulheres na Filosofia. [S. l.], 22 abr. 2020. Disponível em: https://www.blogs.unicamp.br/mulheresnafilosofia/simone-de-beauvoir-2/. Acesso em: 4 jan. 2022.

KIRK PATRICK, Kate. Simone de Beauvoir: Uma vida. 1. ed. Brasil: Crítica, 2020. 553 p. v. 1.

JEAN Paul Sartre e Simone de Beauvoir no Brasil em 1960. [S. l.], 1 fev. 2019. Disponível em: ISHAD, Vivien. Jean Paul Sartre e Simone de Beauvoir no Brasil em 1960. [S. l.], 1 fev. 2019. Disponível em: https://www.gov.br/arquivonacional/pt-br/canais_atendimento/imprensa/copy_of_noticias/jean-paul-sartre-e-simone-de-beauvoir-no-brasil-em-1960. Acesso em: 4 jan. 2022.

BEAUVOIR, Simone de. O segundo sexo. Brasil: Nova Fronteira, 2018. 936 p.

BEAUVOIR, Simone de. Os mandarins. ed. atual. Brasil: Nova Fronteira, 2017. 736 p.

BEAUVOIR, Simone de. Mal entendido em Moscou. Brasil: Nova Fronteira, 2015. 89 p.

A CABEÇA DO SANTO de Socorro Acioli: Resenha – Gabriel García Márquez e o realismo fantástico brasileiro.

A cabeça do santo nasceu de um conto que deixou Gabo entusiasmado. O livro inclusive começa com uma dedicatória a ele mesmo: Gabriel García Márquez, que foi mentor da Socorro Acioli em uma oficina feita em Cuba em 2006. Descobrimos essa relação física apenas no final do romance, mas já sentimos as referências logo no início. Samuel está há dezesseis dias peregrinando pelo Ceará, ele foi da região do Cariri, famosa pelos cordéis e pelo Padim, padre Cícero, que por sua vez é famoso pelo respeito que Lampião tinha por sua pessoa, mas não só por isso, claro; até a região do Canindé, onde uma grande estátua de São Francisco atrai turistas e fiéis, a pé.

ÚLTIMA LEITURA DO ANO DO CLUBE DO LIVRO CONTEMPORÂNEAS!

RESENHA DE A CABEÇA DO SANTO DE SOCORRO ACIOLI – O REALISMO FANTÁSTICO BRASILEIRO!

Depois da morte de sua mãe Mariinha, Samuel busca, a pedidos da mesma, por seu pai, apenas com o endereço e nome da avó, que vivia em Candéia uma cidade minúscula perto de Canindé. A avó, segundo Mariinha, era muito bondosa e poderia ajudá-lo. O pai havia deixado a mãe com a promessa de que voltaria com muito dinheiro, mas nunca voltou, e ela nunca se conformou, achava que sim, algo de muito grave tinha acontecido. Samuel estava cético, mas prometeu para a mãe, em seu leito de morte, que encontraria o pai e acenderia três velas: uma para o Padim, outra para Santo Antônio, e para finalizar uma para São Francisco.

Você pensa que foi fácil? Nananinanão! Samuel sofreu, mendigou e foi atacado por cães raivosos até encontrar a avó que o mandou até a cabeça do Santo. Sim, uma cabeça de Santo Antônio gigante que deveria estar presa ao corpo, mas, por motivos que não posso dizer porque seria spoiler, estava deixada as traças, e a outros animais, no pé do morro. Samuel se abrigou de um temporal ali e começou a escutar as rezas das mulheres da região que pediam ao Santo um marido.

Enquanto sofria de um grave ferimento causado por cachorros selvagens Samuel conheceu Francisco, um rapaz que se esgueirava para dentro da cabeça para fazer saliências consigo mesmo. Uma amizade inusitada começou e os dois resolveram ajudar uma das mulheres a se casar. À partir daí Samuel virou um grande casamenteiro e grandes milagres aconteceram na região. Aglomerações se formaram em busca de amor e a cidade que estava em desasgraça retorna a vida.

Nesse ínterim mistérios são revelados, personagens se cruzam, histórias do povo de Candéia e Canindé são contadas. Eu me divertir descobrindo cada causo inesperado que se passou naquela pequena cidade. É um livro gostoso, até emocionante, cheio de segredos muito bem trabalhados. A escrita de Socorro é estimulante, ela te conduz através da história sem verborragias desnecessárias, mas com um drama sutil e delicioso. Torcemos para que os personagens encontrem o destino pelo qual estavam destinados e esperamos que um milagre se faça para aquele moço milagreiro que surgiu do nada.

Os melhores livros de prosa contemporânea para ler hoje | 8 livros que li na pós graduação!

Nesse post eu vou falar dos 8 livros que li na matéria da pós graduação sobre prosa contemporânea, que podem ser considerados os melhores livros de prosa contemporânea da atualidade! São livros que ganharam prêmios, ganharam o coração da crítica e venderam muito: em todo mundo! Tem dois livros nessa lista que eu AMEI e foram dois dos melhores do ano, mas outros dois eu achei que não era para tudo isso não.

Eu sou aluna de pós graduação em formação de escritores no instituto Vera Cruz, e esse bimestre me inscrevi em uma matéria sobre prosa contemporânea, onde junto com o professor, nós destrinchamos oito livros, tentando entender o que fazia deles livros de sucesso, e porque ganharam tantos prêmios e aclamação da crítica. Cada livro tem sua característica inovadora e conversam muito com nossas questões contemporâneas.

Vou falar um pouco de cada um deles, mas sem dar spoilers sobre seus finais ou acontecimentos importantes. Seguirei a ordem de leitura que a gente leu para pós, que foi do livro mais curto, para o mais longo.

Lista com pequenas resenhas dos melhores livros contemporâneos para ler hoje:

1) A vegetariana de Han Kang

A vegetariana é um livro da sul coreana Han King! Ele foi lançado em 2007 mas se tornou um sucesso internacional depois que venceu o Man Booker Internacional Prize de 2016. No Brasil ele só foi publicado em 2018 pela todavia. O livro é dividido em três partes com três narradores diferentes, todos em primeira pessoa.

A personagem principal, Yeonghye, decide ser vegetariana depois de ter sonhos sangrentos em relação a carne. No primeiro capítulo lemos o que o marido dela sente em relação a isso. Ele é uma pessoa comum, super mediana e fica muito bravo com a escolha da esposa. A voz de Yeonghye aparece aqui por meio de fragmentos em itálico, onde ela conta seus sonhos, mas isso não acontece nas outras partes.

O primeiro capítulo foi publicado como um conto em 97, e só depois de muitos anos ela escreveu os outros. O segundo capitulo é narrado pelo cunhado de Yeonghye que decide que ela seria sua obra de arte. Por último vemos como sua irmã lida com as coisas que acontecerem por conta da decisão da irmã, Yeonghye, de ser vegetariana. É o capítulo mais complexo e bonito. O livro é intenso e carrega um tanto de magia quanto os livros de Murakami.

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2) O pai da menina morta de Thiago Ferro

O pai da menina morta é um livro de Thiago Ferro lançado em 2018 também pela Todavia. Em 2019 ele ganhou o prêmio São Paulo de Literatura e o prêmio Jabuti na categoria melhor romance. Esse é um livro de fragmentos sobre a história de um pai que perdeu sua família, história parecida com a do próprio autor.

Por meio de fragmentos, como se fossem posts em redes sociais, listas, e-mails e mensagens de Whatsapp, ele nos conta sobre a perda. Não é um livro triste, é na verdade, um tanto estranho, pois o personagem principal é um cara meio babaca, meio frio, autocentrado. Isso incomodou um pouco a leitura pois não consegui separar o autor do obra.

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3) Temporada de furacões de Fernanda Melchor

Temporada de Furacões é um livro da mexicana Fernanda Melchor, lançado em 2017 no México e aqui no Brasil em 2021. Ele ganhou prêmios no México e foi finalista do International Booker Prize 2020. Imagina uma escrita tipo Virginia Woolf com uma ambientação bem Gabriel García Márquez. Eu já escrevi uma resenha completa dele aqui.

O livro começa quando um corpo é encontrado, esse corpo é de uma personagem denominada A Bruxa, uma curandeira da região, e ao longo dos capítulos descobrimos mais sobre essa mulher. Todos os capítulos são em terceira pessoa, mas cada um foca em um personagem com um fluxo de consciência sufocante.

Os personagens vivem em uma cidade extremamente pobre chamada La Matosa e chega em um ponto que os capítulos se tornam confessionais como se ele estivessem sob testemunho. Muitos assuntos delicados são tratados aqui, então temos que ler com cuidado.

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4) Com armas sonolentas de Carola Saavedra

Carola Saavedra é um dos grandes nomes da literatura brasileira contemporânea. Seu último livro de ficção foi ComaArmas sonolentas que destrincha a vida de quatro mulheres que se sentem não pertencentes aonde vivem.

O primeiro capitulo é focado em Anna, uma mulher que foi para a Alemanha com seu namorado alemão, e ficou sozinha no exílio. A segunda personagem é sua mãe, que foi tirada de sua terra para trabalhar na casa de uma família rica, essa mãe recebe visitas espirituais da avó dela que foi uma indígena, também retirada de sua terra muitos anos anos atrás.

No último capítulo conhecemos Maike, uma menina Alemã que sente que não pertence a sua família e aos poucos descobrimos sua ligação com as outras mulheres. O livro começa na chave do real mas depois toma um rumo de realismo fantástico muito interessante.

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5) Garota, mulher, outras de Bernadine Evaristo

Esse livro é um dos queridinhos do bookstagram também, né? Me conta nos comentários se você já conhecia ele!

Garota, mulher e outras é um livro escrito pela inglesa Bernadine Evaristo, onde ela trata de temas presentes na vida das mulheres negras que vivem lá: o preconceito, a imigração, as diferenças culturais, relacionamentos e etc. Esse livro também foi um vencedor do Booker Prize em 2019.

Cada capítulo uma mulher conta sua vida em primeira pessoa, em parágrafos curtos, fazendo com que a leitura seja bem fluída. A vida dessas mulheres se cruzam ao longo da história e nós conhecemos a subjetividade e a individualidade de cada uma.

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6) Torto Arado de Itamar Vieira Júnior

Sucesso absoluto no Brasil. Torto Arado ganhou todos os prêmios importantes por aqui e em Portugal, primeiro o prêmio Leya, depois o o prêmio Oceanos e o Jabuti.

Itamar Vieira Junior conta a história de duas irmãs, filhas de um curandeiro respeitado na fazenda em que vivem na região do Jarê. Elas moram e trabalham na roça, e quando crianças uma delas decepa a própria língua.

Esse mistério permeia todo o livro que é dividido em três partes e contado em primeira pessoa por cada uma das personagens. O livro fala um pouco sobre os processos quilombolas, a reforma agrária, a luta pelos estudos e o sincretismo religioso que existe no Jarê.

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7) Lincoln no limbo de George Saunders

Outro vencedor do Man Booker Prize de 2017, nada mal essa lista né?

Lincoln no limbo é um livro do contista George Saunders. Aqui ele conta a história do filho de Abraham Lincoln que morreu em 1862. Ele ficciona essa morte trazendo Willie para um limbo onde ele conhece outros fantasmas. O livro traz diversas vozes, as dos fantasmas, em primeira pessoa que são intercaladas. Nas primeiras páginas não se entende muito bem o que acontece ali, mas aos poucos você entra na história.

Os capítulos são divididos entre as narrações dos fantasmas e recortes de jornais (alguns ficcionais) e biografias que contavam sobre o Lincoln, a morte de Willie, a guerra civil e o que estava acontecendo na casa branca, e todas as questões existentes naquela época.

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8) A morte do pai de Karl Ove Knausgård

Livro do norueguês Karl Ove Knausgård é o ínicio de uma série Autobiográfica aclamada pela crítica. Nesse livro ele conta sobre seu relacionamento com o seu pai, um homem frio e distante, até a sua morte.

É o maior livro da lista e o mais difícil de ler, pois o escritor é bem minucioso nas descrições. Ele vai e volta no tempo da narrativa e nos tempos verbais. Então, tiver que ficar muito atenta enquanto lia para entender essas nuances, porque ele vai do passado para o presente, do passado para o mais passado com muita facilidade sem se importar com em explicar.

Mas é um livro muito bonito, principalmente depois da metade onde o filho retorna a casa de seu pai depois da morte dele.

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Essas foram as resenhas dos oito livros de prosa contemporânea que lemos!

Me conta se você já leu algum deles no comentário?

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Resenha: Temporada de Furacões de Fernanda Melchor

A narrativa instigante de Temporada de Furacões é para ser lida em um fôlego só. Com frases gigantesca que não terminam onde deveriam, o livro, na minha visão, é uma mescla de nomes importantes da literatura como Virginia Woolf e Gabo. Cito a Virginia porque o fluxo de consciência é feito com maestria e me fez entrar dentro da cabeça dos personagens, que vivem em uma vila pobre do México chamada La Matosa, onde a violência fala mais alto do que o bom convívio entre os habitantes. Cito o Gabriel García Márquez porque a vila onde se passa Temporada de Furacões me levou até Macondo.

A narrativa é cheia de incômodos e inicia com um corpo putrefato na beira do rio. Esse corpo pertence a Bruxa, um travesti, ou seria uma mulher trans? Não sabemos ao certo pois sua mãe a criou como menina desde sempre. Esse é um dos pontos muito interessantes no livro pois descobrimos isso apenas na metade da narrativa. A Bruxa é filha de uma mulher que era a “bruxa” antes dela e as duas tiveram uma vida muito sofrida apesar de sempre ajudarem quem pedia. Elas tinham o conhecimento das ervas o que era muito útil para os habitantes da região que muitas vezes abusavam delas.

Por ser muito conhecida, a morte da Bruxa abala a cidade. A partir daí conhecemos a subjetividade dos personagens que estavam próximos a ela. Cada capítulo descobrimos uma voz narrativa diferente, com suas peculiaridades e vontades. A rudez das pessoas que vivem ali é clara, assim como brutalidade que os personagens carregam. Para mim pareceu que os personagens estavam sob testemunho contando cada passo que deram até a descoberta da morte da Bruxa (e depois) e o que viram nesse caminho. 

O machismo, a violência (tanto verbal quanto física), a falta de cuidado uns com os outros, as drogas e o sexo, são constantes e comum na vida de cada um desses personagens que reproduzem o que sempre viram. Exceto apenas por Luismi que parece mais doce do que os outros, mas pode ser pelo fato dele estar sempre chapado. De qualquer forma, não podemos dizer que os personagens são bons ou ruins, todos eles são complexos e bem construídos, parecem pessoas reais, que são filhas do seu meio.

A homossexualidade também é um tema presente no livro e o modo como os personagens lidam com isso me surpreenderam, as vontades estão em camadas e muitos dos personagens usam isso para afirmar sua masculinidade. O livro também nos mostra, com o personagem Brando, como a vontade de afeto para com o mesmo sexo é reprimida deixando espaço apenas ao carnal. Além disso, o afeto é uma das grandes faltas para os personagens do livro e acredito que a maioria deles desejam isso, de acordo com várias passagens, e isso fica evidente quando conhecemos Norma.

Ao todo, eu achei o livro muito interessante, tanto na temática quanto na forma. A linguagem e a construção de frases são usadas para rasgar alguma coisa dentro da gente, mas mesmo assim não queria parar de ler. A forma me prendeu (deve ser porque sou uma grande fã de Virginia Woolf e não me deparo com livros escritos dessa forma com frequência), assim como a narrativa escrita em camadas e recheadas de descobertas que me fez caminhar até o fim em poucos dias.