3 escritoras brasileiras contemporâneas para conhecer hoje!

Faz um tempo que quero escrever sobre esses três livros que recebi ano passado. Li os três super rápido, mas por conta das demandas da vida demorei um pouco para começar a leitura, e mais ainda para escrever sobre eles, por favor, não desistam de mim. Foi uma supresa ótima! O Rumo ao farol tem me proporcionado conhecer escritoras maravilhosas que estão lançando seus primeiros livros (de muitos espero eu).

Resenha de três livros de escritoras brasileiras e independentes!

O primeiro que li foi Conta Comigo da Michele M. Fernandes. Nesse livro conhecemos a história de três mulheres diferentes, divididas por contos que remetem a cidade de Porto Alegre. Cada um tem uma característica própria e carrega seu mistério: uma mulher perdida, uma mulher com super poderes e uma mulher que busca firmar sua identidade sendo uma mulher trans. A narrativa é bem fluida e gostosa de ler, o tempo passou super rápido durante a leitura. Gostei bastante.

O segundo foi Talvez fôssemos outras da Renata Ferri. Também um compilado de contos muito gosto de se ler. Ela traz histórias múltiplas que caminham entre primeira e terceira pessoa, sempre muito próximo do personagem. Tem briga em família, um triângulo amoroso, um conto sobre o processo de luto, e também sobre a escrita. Os contos são diversos e cada um carrega um mistério interessante que me prendeu, sabe? Eu adorei que os contos estão recheados com ilustrações, o que traz um dinamismo bonito para o texto.

O terceiro que li foi Amanhã seremos outros da Marília Santos Krüger, o nome é muito parecido com o da Renata, né? Achei uma coincidência interessante. Esse livro já me impactou logo com a capa, achei a edição muito bonita. Dentro o livro carrega contos pequenos mas muito poderosos. A Marília foge do óbvio e trouxe como protagonistas uma casa, uma criança, um casal. Ela explora tipos narrativos diversos, e experimenta com sabedoria. Às vezes caminha pela prosa poética, às vezes se atém ao realismo, mas todas as história são fortes e carregam um suspense gostoso.

Foi um prazer ler esses livros e conhecer essas autoras maravilhosas que estão começando. Sinto que muita coisa boa vai surgir a partir disso. Adoro ver quanto coisa boa tem na nossa literatura contemporânea!

Quero saber de você, já conhecia alguma dessas autoras? Gostaria de conhecer?

A PEDIATRA DE ANDREA DEL FUEGO | Resenha de um livro impactante sobre a medicina e padrões de gênero

A Campainha das Letras me mandou esse e-book ano passado e eu lembro do enorme burburinho que ele causou lá no bookstagram quando foi lançado. A narrativa é estimulante e muitas vezes absurda. Carrega temas muito importantes como a quebra dos padrões de gênero e a visão da maternidade.

Lemos a pediatra no Clube do livro Contemporâneas, que é um espaço de trocas sobre literatura e sobre a vida, em março. Minhas últimas resenhas foram de livros que lemos lá no clubinho, você encontra elas aqui.

Um dos livros votados foi A pediatra da Andrea del Fuego. Ela tem um nome super forte né? E também tem uma carreia extensa na literatura. Seu primeiro romance, Os Malaquias, venceu o premio José Saramago. Isso foi lá em 2011, dez anos e algumas publicações depois, em 2021 ela lança A pediatra, e eu ouvi falar que ela escreveu esse livro em um mês!

Resenha de A pediatra de Andrea del Fuego – Um dos livros escritos por mulheres da literatura brasileira contemporânea mais legais que lemos!

Essa pediatra tem nome, ela se chama Cecília, uma mulher muito obstinada, egocêntrica e totalmente pragmática, ela se passa por uma vilã canalha, o que eu acho curioso pois toda a sua personalidade tem características que nossa sociedade considera masculinas. Ou seja, quando um homem age como ela costuma agir ele não é tão julgado quanto a Cecília foi. Por que ela foge do padrão da “feminilidade” adocicado e sentimental.

Vou destrinchar a personalidade aqui para você entender melhor sobre o que estou falando:

Ela é casada, mas tem um amante, o marido sofre de depressão e ela deixa bem claro que não vai ser cuidadora de ninguém. O amante tem uma esposa grávida e ele indica Cecília para ser a neonatologista do bebê. Para quem não sabe neonatologistas cuidam de bebes recém nascidos (estou dizendo porque eu mesma não sabia disso), principalmente durante o parto. Logo após o nascimento de Bruninho, eles se pegam em uma salinha do o hospital, enquanto a mulher ainda está na sala de parto.

O amante se chama Celso, e ele termina com ela logo após o nascimento do bebe Bruninho. Eles ficam um ano longe mais ou menos, pois ele morava em outra cidade. Quando a mulher está esperando o segundo filho eles se mudam para São Paulo, e eu acredito que foi por causa de Cecília. Os amantes retomam a relação. Cecília começa a se afeiçoar por Bruninho e muita confusão acontece por conta desse relacionamento confuso. Bom, para você saber tem que ler o livro, pois é cada bizarrice que essa mulher faz que você não vai acreditar.

Ela é sozinha, o marido foi embora e ela vive apenas com sua empregada, que está grávida. Cecília odeia crianças e está certa de que nunca será mãe. Seus pacientes são tratados sem nenhum afeto ou consideração, ela não suporta o desespero das mães, e até despreza elas. Cecília cresceu com um pai pediatra e uma mãe enfermeira, e é curioso que sua relação com o pai é muito mais próxima do que com a mãe. Do pai ela herdou a profissão e um posto na sociedade. Ela tem consciência disso e diz que faz o que faz apenas de modo protocolar sem nenhum entusiasmo.

Sinto que tem um grande vazio dentro dela que ela preenche com paranóias de que todas as pessoas são inferiores a ela. Mas também tem pequenas amostras de uma sociopatia em sua personalidade, que faz ela perseguir e intimidar as pessoas. Sim, ela é também uma perseguidora. Uma stalker.

O livro também entra em uma discussão interessante sobre o parto humanizado em banheira em casa, algo que Cecília é extremamente contra. Além de retratar com crueza o trabalho de parto e todas as suas consequências, confesso que eu que já tinha medo de engravidar fiquei com mais ainda, então deixo um alerta aqui, esse livro pode conter gatilhos para mulheres grávidas.

A relação de Cecília com Deise sua empregada também é permeada de uma superioridade paternalista que incomoda muito. Como eu já disse Deise está grávida e Cecília não suporta a ideia de uma mulher grávida em sua casa, ou uma possível criança. Além disso Cecília entra em um emaranhado de julgamentos e acredita que todas as pessoas ao seu redor são horríveis. É muito interessante ler esse livro desse modo, pois, por ser escrito em primeira pessoa nós só sabemos sobre os personagens (o Celso, a Deise, o Robson, que pai do filho da Deise, os pais de Cecília) pelo filtro deturpado da mente dela.

Esse livro é um retrato de uma mente perturbada, interessante e que quebra os padrões de gênero, que esperam que mulheres sejam sempre emocionais e dóceis. Também escancara os pensamentos de uma médica protocolar que não escolheu seguir a medicina por amar ajudar as pessoas e sim por um bom salário, ou porque foi imposto pela sociedade.

Você vai se irritar com esse livro mas também pode amar. Eu li super rápido e achei muito interessante.

Essa foi mais uma dica de livros escritos por mulheres que trouxe aqui! A pediatra é um bom livro.

Espero que goste! Me conta nos comentários o que achou!

O COPO VAZIO DE NATALIA TIMERMAN | Resenha do livro que fala sobre Ghosting e relações líquidas!

Mirela, uma mulher de 32 anos sofreu pelo desaparecimento do cara que ela estava ficando. E não foi um desaparecimento de filme de terror não, ele apenas nunca mais respondeu suas mensagens, e acabou com todo o contato que eles tinham do dia para noite.

Copo vazio foi o segundo livro que lemos no Clube do Livro Contemporâneas nesse ano, o primeiro foi Primeiro eu tive que morrer da Lorena Portela. O nosso livro de fevereiro foi escrito pela Natalia Timerman, uma psiquiatra e psicoterapeuta paulistana. A mulher tem um currículo extenso, e por coincidência ela fez a mesma formação de escritores que eu lá no Instituto Vera Cruz. Se um dia eu escrever um livro tão potente quanto o dela eu vou ficar muito feliz.

Seu primeiro livro foi Desterros – Historias de Um Hospital-Prisão onde ela conta a história de detentos e funcionários que passaram pelo sistema carcerário paulistano enquanto ela trabalhava no Centro Hospitalar do Carandiru. Seu segundo livro Rachaduras foi lançado em 2019, é uma coletânea de contos indicada ao Jabuti.

Em 2021 ela lançou seu primeiro romance Copo Vazio que saiu pela editora Todavia. Foi o maior burburinho em volta desse livro ano passado né? Muita gente leu e comentou e é interessante refletir sobre o porque desse livro ter feito tanto sucesso. E eu vou dar minha opinião aqui, antes de entrar na resenha: Acredito que seja porque muitas mulheres já passaram pela mesma situação que Mirela.

Mirela é uma arquiteta de 32 anos, ela conhece Pedro, um homem que parece ser tudo que ela sempre quis. A história começa no futuro, quando Mirela já bem mais velha encontra Pedro em um supermercado. Assim ela relembra seus dias ao lado dele, os dias que se passaram depois de seu sumiço e tudo que ela viveu sofrendo por ele.

Eles se conheceram em um aplicativo de namoro, saíram algumas vezes e as coisas foram ficando intensas, pelo menos do ponto de vista da Mirela. Aos poucos vamos descobrindo qual era a natureza da relação dos dois e como as coisas entre eles foram desenvolvendo, em uma narrativa eletrizante que te prende até o final. O livro fala sobre ghosting, a prática de sumir sem dizer nada e deixar a outra pessoa lá imaginando o que aconteceu.

É incrível como a Natália conseguiu representar muito bem a vulnerabilidade feminina e as inseguranças que temos em relação aos relacionamentos. Para Mirela o relacionamento está caminhando para algo a mais, Pedro também parece estar envolvido e a todo momento ficamos procurando pistas de sua fuga próxima. Ele não dá certeza nenhuma para ela, e foi por isso que ela encheu seus pensamentos de projeções do que poderia ser essa relação.

Ele dá corda, até chama ela para viajar com ele para visitar sua avó. Ele alimenta as expectativas dela mesmo não estando tão afim assim, e depois ele some, sem dar explicações, sem terminar, sem nada, ele apenas some. Mirela manda mensagens e ele não responde, então, ela começa a entrar em um redemoinho de inseguranças e incertezas que mechem com sua autoestima. Mirela sofre por ele e essa perda afeta seu trabalho e seus relacionamentos mais próximos. E os futuros. A carência afetiva se intensificou pela ansiedade que o sumiço dele causou.

Na minha opinião o que Pedro fez foi cruel, por mais que eles não tivessem em um relacionamento, faltou responsabilidade afetiva. Eles se viram com frequência por 3 meses, eles conversavam constantemente, e já estavam envolvidos com os amigos um do outro. Ele poderia ter sido mais sincero ao invés de deixar ela assim. De qualquer forma as atitudes de Pedro sempre eram ambíguas, inclusive depois do sumiço, ele ainda orbitava na vida da Mirela, curtindo fotos, causando uma ansiedade extrema nela.

Esse livro é importante para abrir nossos olhos em relação a algumas atitudes masculinas extremamente tóxicas, como a falta de responsabilidade afetiva e a certeza de que eles tem de que podem tratas as mulheres da maneira que quiserem. Outra coisa que esse livro nos mostra é que isso pode acontecer com qualquer uma de nós e já aconteceu diversas vezes, muitas meninas do clube tinham histórias muito similares e diziam ter passado por coisas muito parecidas.

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Enfim, eu gostei muito desse livro, a Natália escreve muito bem. Ela vai entregando a história aos poucos. Cada capítulo é uma surpresa, pois ela intercala o passado e o presente da personagem, ao estilo durante e depois, sabe? Durante o relacionamento e depois do relacionamento. Foi muito interessante ver a escalada e a transformação ao nada desse relacionamento cruel.

RESENHA PRIMEIRO EU TIVE QUE MORRER DA LORENA PORTELA | Uma escritora brasileira independente!

O primeiro livro do Clube do livro contemporâneas de 2022 traz uma narrativa que se aproxima de questões muito atuais. Escrito por Lorena Portela, que é uma cearense que mora em Londres, o livro Primeiro eu tive que morrer está fazendo sucesso nas redes.

Acredito que muitas mulheres se identificaram com a protagonista que viaja para Jericoacoara para se recuperar de um burnout. Lorena fez todo o processo de escrita e impressão do livro de forma independente, e para mim esse é um dos pontos altos da obra, pois ela nos mostra que se temos um sonho poderemos realizá-los por nós mesmas. Claro, ela teve ajuda de muitas mulheres para a construção dele. Ao longo das páginas vemos obras lindas de artistas que deixaram sua impressão nesse livro.

A escrita é simples e leve, o livro fluí. É uma história que já conhecemos: a nossa história enquanto mulheres. A personagem principal poderia ser qualquer uma de nós, ela não tem nome, mas as coisas que ela passa são comuns: o trabalho extra para uma mulher se posicionar no mercado, a responsabilidade e culpa dentro dos relacionamentos, o assédio, às vezes silencioso, e às vezes escancarado. Até o momento do “não aguento mais!”

A personagem vai para Jeri por 2 meses, para se recuperar do stress que é trabalhar em uma agência de publicidade. Lá ela fica na pousada de duas amigas, Sabrina e Ana, que são um casal. Elas abrigam a amiga em troca de uma pequena ajuda com a pousada. Outra personagem que aparecerá é Glória, uma espanhola que teve um affair com nossa protagonista uns anos antes em Lisboa e que estará na América Latina.

Ela também conhece Amália, uma mulher misteriosa, que faz coisas bizarras com ela, tipo quase a afogar no mar. Amália também é muito homofóbica. Essa mulher faz ela duvidar de si mesma e de sua relação com Glória. Fiquei com muito raiva dessa mina, e eu já teria mandado ela catar coquinho (para não dizer uma palavra feia aqui, não é mesmo? Você me entende né?). Enfim, temos também Guida e Luana, vó e neta que são um porto seguro para a personagem.

O livro é em primeira pessoa e é uma escrita bem simples mesmo, eu já falei isso, mas ele carrega a vida dessas mulheres incríveis. Histórias que não podemos esquecer e que devemos sempre exaltar. Lorena escreveu a história que eu também estou escrevendo, parece até que ela leu meus pensamentos.

A ambientação do livro é uma delicia, se passa em um lugar paradisíaco. Um lugar perfeito para uma fuga, até do próprio corpo, para então se reestabelecer de uma maneira mais saudável. Alcançando talvez a completude?

AMIZADES FAMOSAS DA LITERATURA | Lygia Fagundes Telles e Hilda Hilst eram as melhores amigas da vida!

Muita gente não sabe que a Lygia Fagundes Telles e a Hilda Hilst eram as melhores amigas. Esses dois nomes de peso da literatura brasileira viveram lado a lado até a morte de Hilda em 2004. Foram 50 anos de amizade que eu vou revelar aqui no post de hoje.

Como vocês sabem o Rumo ao Farol é um espaço que falamos sobre literatura e escrita criativa, e além dos livros e das dicas que eu trago eu também adoro uma bela fofoca. Umas das coisas que eu amo descobrir são as amizades e inimizades de gente famosa e esse novo quadro será basicamente isso, eu contando pra você as tretas e os amores das maiores escritoras e escritores desse mundão!

SAO PAULO CADERNO 2 Fotos da escritora Hilda Hilst que integrarão a Ocupação Hilda Hilst, sobre o processo de escrita da autora, em cartaz no Itaú Cultural entre os dias 28 de fevereiro e 21 de abril. NA FOTO Hilda Hilst e Lygia Fagundes Telles – Anos 1950 Autor não identificado/Acervo Instituto Hilda Hilst

Para começar eu escolhi essa bela amizade da nossa literatura brasileira que durou meio século. Lygia Fagundes Telles e Hilda Hilst: duas mulheres com escritas potentes que se apoiaram ao longo de suas carreiras. Eu já li e adoro o trabalho das duas, então achei incrível quando descobri que eram amigas.

Elas se conheceram em 1949, durante uma festa na Casa Mappin , em que homenageavam o livro da Lygia: O cacto vermelho. Lygia estava acompanhada de Cecilia Meireles quando viu Hilda e depois escreveria que Hilda era “uma jovem muito loura e fina, os grandes olhos verdes com uma expressão decidida. Quase arrogante. Como acontece hoje, eram poucas as louras de verdade, e essa era uma loura verdadeira, sem maquiagem e com os longos cabelos dourados presos na nunca por uma larga fivela. Vestia-se com simplicidade. Apresentou-se: ‘Sou Hilda Hilst, poeta. Vim saudá-la em nome da nossa Academia do Largo de São Francisco’. Abracei-a com calor. ‘Minha futura colega!’, eu disse, e ela sorriu. Quando se levantou, bastante emocionada para fazer o seu discurso, ocorreu-me de repente a poética imagem da haste delicada de um ramo tremente de avenca […]”

Naquela época Lygia era uma contista reconhecida, enquanto Hilda era uma estudante de direito e aspirante a poeta, lançou seu primeiro livro de poesias, chamado presságios, em 50, quando tinha 20 anos. Depois ela se aventurou na prosa. Lygia, começou como contista e foi se aproximando do romance com os anos.

A amizade gerou apoio mútuo, elas liam a obra uma da outra. Depois cansaram disso e, então, pararam de falar sobre literatura. Hilda disse que todo mundo fez de tudo para criar uma animosidade entre elas. Mas não consequiram! Apesar disso, os universos delas eram parecidos, mas se expressavam de modos totalmente diferentes.

Hilda Também disse: “Eu falo tudo claro. A Lygia se encobre. Quando ela está comigo, por exemplo, ela é ela. Mas ela tem um certo respeito pelo outro. Eu não tenho o menor respeito. Isto não é um defeito da Lygia, é um defeito meu.”

As duas publicaram diversos livros, foram amigas de personalidades da literatura brasileira como Clarice Lispector e Cecília Meireles. São lidas e aclamadas até os dias de hoje, talvez mais a Lygia do que a Hilda porque ela era mais comportada. Lygia recebeu diversos prêmios fora do Brasil, sua obra foi traduzida para muitas línguas e ocupa uma cadeira na academia brasileira de letras.

Lygia foi uma escritora militante, contra a ditadura militar, trabalhou até os 63 anos como procuradora do Instituto de Previdência do Estado de São Paulo, e foi como presidente da Cinemateca Brasileira. A carreira literária caminhava em conjunto com tudo isso. Hilda também recebeu diversos prêmios, como o jabuti e foi traduzida pra diversas línguas.

As duas foram escritoras ousadas, que construíram duas obras poderosas e mantiveram a amizade por longos anos. Estavam sempre juntas, se apoiando. Eu acho lindo ver amizades tão fortes assim. Lygia dizia a Hilda que ela ficava nua diante dela, e Hilda respondia que ela também ficava. Na velhice Hilda sempre achou que morreria, mas Lygia a acalmava, tanto com sua presença quanto com a fala. Hilda queria morrer segurando as mãos de Lygia.

Hilda morou na chácara Casa do Sol, terreno que era de sua mãe, de 64 até o fim de sua vida, ela gostava da solidão, acreditava que só assim poderia escrever, hoje a casa se tornou um instituto em homenagem a ela. Lygia a visitava sempre que podia e passaram diversos momentos divertidos lá.

Lygia completará 99 anos de vida, Hilda completaria 92 anos, com a diferença de dois dias entre elas.

A CABEÇA DO SANTO de Socorro Acioli: Resenha – Gabriel García Márquez e o realismo fantástico brasileiro.

A cabeça do santo nasceu de um conto que deixou Gabo entusiasmado. O livro inclusive começa com uma dedicatória a ele mesmo: Gabriel García Márquez, que foi mentor da Socorro Acioli em uma oficina feita em Cuba em 2006. Descobrimos essa relação física apenas no final do romance, mas já sentimos as referências logo no início. Samuel está há dezesseis dias peregrinando pelo Ceará, ele foi da região do Cariri, famosa pelos cordéis e pelo Padim, padre Cícero, que por sua vez é famoso pelo respeito que Lampião tinha por sua pessoa, mas não só por isso, claro; até a região do Canindé, onde uma grande estátua de São Francisco atrai turistas e fiéis, a pé.

ÚLTIMA LEITURA DO ANO DO CLUBE DO LIVRO CONTEMPORÂNEAS!

RESENHA DE A CABEÇA DO SANTO DE SOCORRO ACIOLI – O REALISMO FANTÁSTICO BRASILEIRO!

Depois da morte de sua mãe Mariinha, Samuel busca, a pedidos da mesma, por seu pai, apenas com o endereço e nome da avó, que vivia em Candéia uma cidade minúscula perto de Canindé. A avó, segundo Mariinha, era muito bondosa e poderia ajudá-lo. O pai havia deixado a mãe com a promessa de que voltaria com muito dinheiro, mas nunca voltou, e ela nunca se conformou, achava que sim, algo de muito grave tinha acontecido. Samuel estava cético, mas prometeu para a mãe, em seu leito de morte, que encontraria o pai e acenderia três velas: uma para o Padim, outra para Santo Antônio, e para finalizar uma para São Francisco.

Você pensa que foi fácil? Nananinanão! Samuel sofreu, mendigou e foi atacado por cães raivosos até encontrar a avó que o mandou até a cabeça do Santo. Sim, uma cabeça de Santo Antônio gigante que deveria estar presa ao corpo, mas, por motivos que não posso dizer porque seria spoiler, estava deixada as traças, e a outros animais, no pé do morro. Samuel se abrigou de um temporal ali e começou a escutar as rezas das mulheres da região que pediam ao Santo um marido.

Enquanto sofria de um grave ferimento causado por cachorros selvagens Samuel conheceu Francisco, um rapaz que se esgueirava para dentro da cabeça para fazer saliências consigo mesmo. Uma amizade inusitada começou e os dois resolveram ajudar uma das mulheres a se casar. À partir daí Samuel virou um grande casamenteiro e grandes milagres aconteceram na região. Aglomerações se formaram em busca de amor e a cidade que estava em desasgraça retorna a vida.

Nesse ínterim mistérios são revelados, personagens se cruzam, histórias do povo de Candéia e Canindé são contadas. Eu me divertir descobrindo cada causo inesperado que se passou naquela pequena cidade. É um livro gostoso, até emocionante, cheio de segredos muito bem trabalhados. A escrita de Socorro é estimulante, ela te conduz através da história sem verborragias desnecessárias, mas com um drama sutil e delicioso. Torcemos para que os personagens encontrem o destino pelo qual estavam destinados e esperamos que um milagre se faça para aquele moço milagreiro que surgiu do nada.

Os melhores livros de prosa contemporânea para ler hoje | 8 livros que li na pós graduação!

Nesse post eu vou falar dos 8 livros que li na matéria da pós graduação sobre prosa contemporânea, que podem ser considerados os melhores livros de prosa contemporânea da atualidade! São livros que ganharam prêmios, ganharam o coração da crítica e venderam muito: em todo mundo! Tem dois livros nessa lista que eu AMEI e foram dois dos melhores do ano, mas outros dois eu achei que não era para tudo isso não.

Eu sou aluna de pós graduação em formação de escritores no instituto Vera Cruz, e esse bimestre me inscrevi em uma matéria sobre prosa contemporânea, onde junto com o professor, nós destrinchamos oito livros, tentando entender o que fazia deles livros de sucesso, e porque ganharam tantos prêmios e aclamação da crítica. Cada livro tem sua característica inovadora e conversam muito com nossas questões contemporâneas.

Vou falar um pouco de cada um deles, mas sem dar spoilers sobre seus finais ou acontecimentos importantes. Seguirei a ordem de leitura que a gente leu para pós, que foi do livro mais curto, para o mais longo.

Lista com pequenas resenhas dos melhores livros contemporâneos para ler hoje:

1) A vegetariana de Han Kang

A vegetariana é um livro da sul coreana Han King! Ele foi lançado em 2007 mas se tornou um sucesso internacional depois que venceu o Man Booker Internacional Prize de 2016. No Brasil ele só foi publicado em 2018 pela todavia. O livro é dividido em três partes com três narradores diferentes, todos em primeira pessoa.

A personagem principal, Yeonghye, decide ser vegetariana depois de ter sonhos sangrentos em relação a carne. No primeiro capítulo lemos o que o marido dela sente em relação a isso. Ele é uma pessoa comum, super mediana e fica muito bravo com a escolha da esposa. A voz de Yeonghye aparece aqui por meio de fragmentos em itálico, onde ela conta seus sonhos, mas isso não acontece nas outras partes.

O primeiro capítulo foi publicado como um conto em 97, e só depois de muitos anos ela escreveu os outros. O segundo capitulo é narrado pelo cunhado de Yeonghye que decide que ela seria sua obra de arte. Por último vemos como sua irmã lida com as coisas que acontecerem por conta da decisão da irmã, Yeonghye, de ser vegetariana. É o capítulo mais complexo e bonito. O livro é intenso e carrega um tanto de magia quanto os livros de Murakami.

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2) O pai da menina morta de Thiago Ferro

O pai da menina morta é um livro de Thiago Ferro lançado em 2018 também pela Todavia. Em 2019 ele ganhou o prêmio São Paulo de Literatura e o prêmio Jabuti na categoria melhor romance. Esse é um livro de fragmentos sobre a história de um pai que perdeu sua família, história parecida com a do próprio autor.

Por meio de fragmentos, como se fossem posts em redes sociais, listas, e-mails e mensagens de Whatsapp, ele nos conta sobre a perda. Não é um livro triste, é na verdade, um tanto estranho, pois o personagem principal é um cara meio babaca, meio frio, autocentrado. Isso incomodou um pouco a leitura pois não consegui separar o autor do obra.

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3) Temporada de furacões de Fernanda Melchor

Temporada de Furacões é um livro da mexicana Fernanda Melchor, lançado em 2017 no México e aqui no Brasil em 2021. Ele ganhou prêmios no México e foi finalista do International Booker Prize 2020. Imagina uma escrita tipo Virginia Woolf com uma ambientação bem Gabriel García Márquez. Eu já escrevi uma resenha completa dele aqui.

O livro começa quando um corpo é encontrado, esse corpo é de uma personagem denominada A Bruxa, uma curandeira da região, e ao longo dos capítulos descobrimos mais sobre essa mulher. Todos os capítulos são em terceira pessoa, mas cada um foca em um personagem com um fluxo de consciência sufocante.

Os personagens vivem em uma cidade extremamente pobre chamada La Matosa e chega em um ponto que os capítulos se tornam confessionais como se ele estivessem sob testemunho. Muitos assuntos delicados são tratados aqui, então temos que ler com cuidado.

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4) Com armas sonolentas de Carola Saavedra

Carola Saavedra é um dos grandes nomes da literatura brasileira contemporânea. Seu último livro de ficção foi ComaArmas sonolentas que destrincha a vida de quatro mulheres que se sentem não pertencentes aonde vivem.

O primeiro capitulo é focado em Anna, uma mulher que foi para a Alemanha com seu namorado alemão, e ficou sozinha no exílio. A segunda personagem é sua mãe, que foi tirada de sua terra para trabalhar na casa de uma família rica, essa mãe recebe visitas espirituais da avó dela que foi uma indígena, também retirada de sua terra muitos anos anos atrás.

No último capítulo conhecemos Maike, uma menina Alemã que sente que não pertence a sua família e aos poucos descobrimos sua ligação com as outras mulheres. O livro começa na chave do real mas depois toma um rumo de realismo fantástico muito interessante.

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5) Garota, mulher, outras de Bernadine Evaristo

Esse livro é um dos queridinhos do bookstagram também, né? Me conta nos comentários se você já conhecia ele!

Garota, mulher e outras é um livro escrito pela inglesa Bernadine Evaristo, onde ela trata de temas presentes na vida das mulheres negras que vivem lá: o preconceito, a imigração, as diferenças culturais, relacionamentos e etc. Esse livro também foi um vencedor do Booker Prize em 2019.

Cada capítulo uma mulher conta sua vida em primeira pessoa, em parágrafos curtos, fazendo com que a leitura seja bem fluída. A vida dessas mulheres se cruzam ao longo da história e nós conhecemos a subjetividade e a individualidade de cada uma.

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6) Torto Arado de Itamar Vieira Júnior

Sucesso absoluto no Brasil. Torto Arado ganhou todos os prêmios importantes por aqui e em Portugal, primeiro o prêmio Leya, depois o o prêmio Oceanos e o Jabuti.

Itamar Vieira Junior conta a história de duas irmãs, filhas de um curandeiro respeitado na fazenda em que vivem na região do Jarê. Elas moram e trabalham na roça, e quando crianças uma delas decepa a própria língua.

Esse mistério permeia todo o livro que é dividido em três partes e contado em primeira pessoa por cada uma das personagens. O livro fala um pouco sobre os processos quilombolas, a reforma agrária, a luta pelos estudos e o sincretismo religioso que existe no Jarê.

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7) Lincoln no limbo de George Saunders

Outro vencedor do Man Booker Prize de 2017, nada mal essa lista né?

Lincoln no limbo é um livro do contista George Saunders. Aqui ele conta a história do filho de Abraham Lincoln que morreu em 1862. Ele ficciona essa morte trazendo Willie para um limbo onde ele conhece outros fantasmas. O livro traz diversas vozes, as dos fantasmas, em primeira pessoa que são intercaladas. Nas primeiras páginas não se entende muito bem o que acontece ali, mas aos poucos você entra na história.

Os capítulos são divididos entre as narrações dos fantasmas e recortes de jornais (alguns ficcionais) e biografias que contavam sobre o Lincoln, a morte de Willie, a guerra civil e o que estava acontecendo na casa branca, e todas as questões existentes naquela época.

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8) A morte do pai de Karl Ove Knausgård

Livro do norueguês Karl Ove Knausgård é o ínicio de uma série Autobiográfica aclamada pela crítica. Nesse livro ele conta sobre seu relacionamento com o seu pai, um homem frio e distante, até a sua morte.

É o maior livro da lista e o mais difícil de ler, pois o escritor é bem minucioso nas descrições. Ele vai e volta no tempo da narrativa e nos tempos verbais. Então, tiver que ficar muito atenta enquanto lia para entender essas nuances, porque ele vai do passado para o presente, do passado para o mais passado com muita facilidade sem se importar com em explicar.

Mas é um livro muito bonito, principalmente depois da metade onde o filho retorna a casa de seu pai depois da morte dele.

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Essas foram as resenhas dos oito livros de prosa contemporânea que lemos!

Me conta se você já leu algum deles no comentário?

Assista o vídeo no Youtube:

Resenha de Enterre seus mortos: O melhor da literatura brasileira contemporânea!

Ana Paula Maia é um nome conhecido na literatura brasileira contemporânea, escreveu sete romances, dois que ganharam o Prêmio São Paulo de Literatura (Assim na terra como embaixo da terra em 2018, e Enterre seus mortos em 2019) e dois que pertencem a uma saga, a saga dos brutos. Ela também é roteirista, escreveu para o cinema e o teatro, e está com uma série em cartaz no Globo Play chamada Desalma.

O livro que escolhemos para fazer parte do Clube do livro Contemporâneas foi Enterre seus mortos. Uma narrativa seca e forte que conta a história de dois homens que trabalham como removedor de animais mortos na estrada. Esses corpos vão para um grande triturador fazendo com que os personagens presenciem a morte da maneira mais crua possível. Edgar Wilson (uma homenagem a Edgar Allan Poe) é um personagem recorrente na obra de Ana Paula Maia, ele é um homem simples que executa tarefas. Seu colega Tomás é um ex padre excomungado pela igreja católica. Aos poucos percebemos que eles lidam com a morte de maneiras diferentes.

“Não pressentir o mal não é sinônimo de que ele não existe ou desapareceu. São os opostos devidamente dosados que mantêm o sistema equilibrado e, assim, se o mal se ausentou, é provável que o bem também o tenha feito.” Página 43.

Em uma mistura de faroeste e romance policial os dois personagens estão inseridos em um não lugar, um espaço onde as coisas acontecem e ninguém vê. A religião domina a vida das pessoas que são largadas a própria sorte sem um aparelho social eficiente. E é assim que a história começa, Edgar Wilson encontra o corpo de uma mulher rodeado por urubus. Não podendo deixá-lo lá ele leva para o depósito em que trabalha. Espera pela polícia que demora para aparecer e no fim diz que não poderá fazer nada naquele momento.

Edgar e Tomás encontram outro corpo. Então, eles buscam dar um fim digno aos dois. Nessa busca eles se deparam com a corrupção, injustiças e acidentes. Fazendo com que a nossa indignação, em relação a tudo que acontece, só aumente. A leitura é seca e bem rápida, eu senti que lia um roteiro de uma série de suspense do Netflix, é uma narrativa muito visual. Ficamos em busca de saber o que acontecerá e a tensão vai aumentando aos poucos até o fim do livro. É necessário estômago forte para as cenas mais sangrentas, mas vale muito à pena como um todo.

Resenha de O peso do pássaro morto – Aline Bei na sua estréia na literatura brasileira

Pegue tudo que você sabe sobre prosa e jogue fora. Uma nova era dentro da literatura brasileira está começando. Aline Bei chegou devagarinho dentro de uma editora pequena a Nós e se destacou, não só pelo seu carisma e coragem, mas pela sua narrativa diferentona e bonita. Ela passeia pelo teatro e pela literatura e isso está estampado no seu livro de estreia, que foi escrito em versos, como um grande poema em prosa.

O peso do pássaro morto ganhou o Prêmio São Paulo de literatura de 2018, na categoria melhor romance de autor com menos de 40 anos.

Aline Bei trouxe força para a literatura brasileira contemporânea.

O livro pode ser lido em um dia, apesar dos temas fortes a leitura é fácil. Conhecemos uma personagem sem nome que poderia ser qualquer uma de nós. Uma menina, sonhadora, curiosa que está descobrindo o mundo e como ele funciona. Porém, como na vida de qualquer mulher, esse descobrimento não será fácil. Logo na infância ela perde pessoas próximas e queridas, importantes no seu dia a dia. A personagem amadurece através do tempo e a autora traz fragmentos de sua vida da idade dos 8 até os 52 anos.

Na adolescência, em meio a descobertas ela sofre uma violência que empaca seu crescimento. Acho interessante apontar o modo como essas situações tão doloridas afetam para sempre a vida de alguém que sofreu a violência. A personagem tem muita dificuldade de se relacionar com outras pessoas, ela virou uma casca. Viu o filho crescer e não se conectou com ele, viu a vida passar sem se jogar. Ela perdeu os sonhos, as vivências, as relações naquela fatídica noite, e sabe disso. Ela sente dor, ela sofre, mas sempre sozinha.

Esse livro nos mostra que aquela mulher somos todos nós, os traumas passam de geração em geração até termos um respaldo para quebrar esse ciclo de dor. Mas isso não é fácil. Aline Bei é sensacional colocando isso no papel. O peso do pássaro morto é um livro que recomendo a todos.

Resenha de Apague a luz se for chorar – Literatura brasileira contemporânea

Uma das belezas do Clube do Livro Contemporâneas é conhecer novas escritoras brasileiras. No mês de julho lemos um livro de Fabiane Guimarães chamado Apague a luz se for chorar. O livro, que foi sua primeira publicação formal, traz a história de Cecília e João, dois jovens veterinários que trabalham com eutanásia de animais na zoonoses de Brasilia. A vida dos dois não se entrelaçam ao longo da narrativa, elas se intercalam até o final, um capítulo dedicado a Cecília e um ao João.

Cecília foi uma criança que morria de medo da morte iminente dos pais, que eram mais velhos do que a maioria. Além disso eles eram super protetores e financeiramente estáveis. Buscando sua independência emocional e financeira, mesmo estando desempregada, fugiu de Brasilia, cidade dos pais, depois de terminar um casamento porque foi traída. No meio dessa confusão de sentimentos ela recebeu a notícia de que os pais morreram juntos. Tentando processar o que aconteceu ela descobre que eles receberam a visita de um homem misterioso. Logo depois ela conhece Caio, um meio irmão perdido que busca se aproximar dela. É nesse emaranhado paranóias que ela passa a desconfiar de Caio, o suspense se instala e nós entramos na mente de Cecília.

João tem uma vida completamente diferente, ele sustenta a si e seu filho Adam, que tem paralisia cerebral. A criança foi fruto de uma traição e a mãe abandonou ele com o pai. Aos olhos de fora ele é o pai ideal, lindo e que ama seu filho. As mulheres ficam loucas atrás dele. Mas nós leitoras sabemos que ele não é perfeito. Ele tem muita dificuldade de se relacionar com o menino e o deixa aos cuidados de dona Faustina, a baba. Apesar disso ele tem uma meta: juntar dinheiro para levar Adam para China em busca de um tratamento experimental. Nesse processo ele terá atitudes cômicas e também tristes.

O livro inteiro é permeado pelo cuidado que os personagens tem a seus familiares e a busca por independência e crescimento pessoal, mesmo que eles não percebam isso. O suspense está entrelaçado no texto e isso me fez querer saber sempre mais. Li o livro em duas noites e me surpreendeu positivamente. Acho incrível como as narrativas contemporâneas tem o poder de conversar conosco de uma forma tão clara. Esse livro é isso, cada pessoa que o lê pode se identificar de alguma maneira em algum aspecto. E eu acho isso lindo.